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27/04/07

Histórias

Os turnos que valem por título no Rio

O jornal Lance publicou uma edição especial – revista-pôster – do título do Botafogo de 2007. Sim, o Alvinegro tem um título neste ano, o da Taça Rio. Um mês antes, o diário fizera o mesmo para a conquista do Flamengo na... Taça Guanabara. Para um não-carioca, pode parecer bizarro dar tamanha importância para turnos do estadual local. Na realidade, esse fenômeno é conseqüência da história dessas competições.

Quando foi criada, em 1959, a Taça Brasil reunia os campeões estaduais do país para um torneio mata-mata nacional. Por questão de calendário, os participantes eram definidos pelo desempenho nos estaduais no ano anterior. Isso ocorria em todo o Brasil e, claro, o Rio de Janeiro não era exceção.

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Em 1965, no entanto, os cariocas perceberam que era possível usar a necessidade de indicar um representante para a Taça Brasil para criar um torneio rápido. Como a competição nacional era disputada apenas no segundo semestre, um mini-estadual no começo do ano seria atraente ao público se tivesse como chamariz a classificação para a Taça Brasil. Depois, o Campeonato Carioca seria disputado normalmente, com seu valor intrínseco de apontar o melhor time do Rio de Janeiro. Assim, surgiu a Taça Guanabara.

Na primeira edição, os seis clubes mais tradicionais do Rio de Janeiro – América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco – disputaram a competição. As equipes se enfrentaram em dois turnos, mas as duas últimas nos jogos de ida não continuavam no torneio. Com uma vitória por 2 x 0 no confronto direto na última rodada, o Vasco tirou o Botafogo da liderança e ficou com o título. Cerca de 115 mil pessoas foram ao Maracanã ver a decisão.

O torneio, curto, rápido e cheio de clássicos, caiu logo no gosto do torcedor carioca. Tanto que, mesmo com a extinção da Taça Brasil em 1969, a Taça Guanabara continuou sendo disputada como um torneio independente, sem conexão com o estadual.

Em 1972, a federação da Guanabara decidiu realizar o Campeonato Carioca desde o início do ano. A medida tirou o espaço da Taça Guanabara, que teve de mudar de caráter para manter viva sua pequena tradição. Assim, o troféu e o status de campeão da Taça Guanabara passou a ser dado ao vencedor do primeiro turno do Campeonato Carioca. Naquele ano, o segundo turno foi a Taça Fadel e o terceiro, a Taça José de Albuquerque.

A Taça Guanabara continuou a ser disputada como o primeiro turno do Campeonato Carioca e, a partir de 1976, do Campeonato Estadual do Rio (a exceção foi em 1980, quando foi novamente um torneio independente). As demais fases tinham nomes provisórios, como Francisco Laport, Pedro Novaes e José Ferreira Agostinho (1973), Oscar Wright da Silva e Pedro Magalhães Correa (1974), Augusto Pereira da Motta e Danilo Leal Carneiro (1975), José Wander Rodrigues Mendes, Josadibe Jappour, Amadeu Rodrigues Sequeira e Jayme de Carvalho (1976) e Manoel do Nascimento Vargas Netto (1977).

Essa série de homenagens foi interrompida em 1978, quando a Ferj instituiu a Taça Rio de Janeiro para o segundo turno. Nos três anos seguintes, ainda houve seqüência nos troféus com nome de personalidades: Innocêncio Pereira Leal e Orlando Leal Carneiro (1979), João Coelho Netto “Preguinho” e Gustavo de Carvalho (1980) e Ney Cidade Palmeiro e Sylvio Corrêa Pacheco (1981).

A partir de 1982, a federação fluminense decidiu recolocar a Taça Rio em jogo, sempre como segundo turno do estadual. O primeiro, já era tradição, valia a Taça Guanabara. Isso só mudou em 1994 e 95, quando não houve dois turnos e os campeões dos grupos da primeira fase fizeram um jogo extra para decidir a Taça Guanabara e não houve Taça Rio.

Para os cariocas, a origem da Taça Guanabara como um torneio próprio deu ao troféu um status muito maior que apenas um título de turno. Por ser mais recente, a Taça Rio sempre ficou em segundo plano, mas também tem peso de um título. Na prática, não muda nada e são títulos apenas de turnos. Mas, para o torcedor carioca, que valoriza tanto o simbolismo, não dá para negar que a taça Guanabara e a Taça Rio são mais que meras etapas do estadual.

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Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. Nenhum grande deixa de comemorar um título de turno no Rio de Janeiro

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O “Flamengo dos Sonhos”, de 1995, não conquistou nenhum título com Sávio, Romário e Edmundo no ataque? Não é bem assim. Com uma vitória por 3 x 2 sobre o Botafogo, o Rubro-Negro conquistou a Taça Guanabara no ano de seu centenário.

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Apesar do nome, a Taça Guanabara já foi conquistada por equipes de fora da cidade do Rio de Janeiro. Americano (2002) e Volta Redonda (2005) levaram o troféu para o interior.

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Veja os campeões da Taça Guanabara: 1965 – Vasco; 1966 – Fluminense; 1967 e 68 – Botafogo; 1969 – Fluminense; 1970 – Flamengo; 1971 – Fluminense; 1972 e 73 – Flamengo; 1974 – América; 1975 – Fluminense; 1976 e 77 – Vasco; 1978 a 82 – Flamengo; 1983 – Fluminense; 1984 – Flamengo; 1985 – Fluminense; 1986 e 87 – Vasco; 1988 e 89 – Flamengo; 1990 – Vasco; 1991 – Fluminense; 1992 – Vasco; 1993 – Fluminense; 1994 – Vasco; 1995 e 96 – Flamengo; 1997 – Botafogo; 1998 – Vasco; 1999 – Flamengo; 2000 – Vasco; 2001 – Flamengo; 2002 – Americano; 2003 – Vasco; 2004 – Flamengo; 2005 – Volta Redonda; 2006 – Botafogo; e 2007 – Flamengo.

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Veja os campeões da Taça Rio: 1978 – Flamengo; 1982 – América; 1983 – Flamengo; 1984 – Vasco; 1985 e 86 – Flamengo; 1987 – Bangu; 1988 – Vasco; 1989 – Botafogo; 1990 – Fluminense; 1991 – Flamengo; 1992 e 93 – Vasco; 1996 – Flamengo; 1997 – Botafogo; 1998 e 99 – Vasco; 2000 – Flamengo; 2001 – Vasco; 2002 – Americano; 2003 e 04 – Vasco; 2005 – Fluminense; 2006 – Madureira; e 2007 – Botafogo.

Ubiratan Leal

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