O reconhecimento da Copa Rio como o primeiro Mundial de Clubes por parte da Fifa levantou muita poeira nos arquivos da imprensa brasileira. Muita gente verificou se o torneio era ou não tão importante, até que ponto Fluminense e Vasco também podem requerer o título mundial. No entanto, a verdadeira pauta não era essa. Afinal, até vale discutir um pouco a decisão da Fifa, mas, depois de tomada, não há mito o que se fazer além de aceitar. O problema é como que se deu esse processo.
Quem revelou o esquema foi o repórter Paulo Galdieri, da Folha de São Paulo. O Palmeiras preparou um dossiê e o enviou a Fifa em 2004, mas não obtinha resposta da entidade. O clube decidiu pressionar e os suíços repassaram a tarefa para a CBF. A confederação poderia simplesmente ter advogado em favor de seu filiado e pedido pelo reconhecimento da Copa Rio, mas não o fez. Pelo menos, não imediatamente.
Assim, o Palmeiras se viu obrigado a lançar mão de suas principais peças para uma pressão definitiva. Além de dirigentes palmeirenses, influentes torcedores do clube também se participaram do lobby. Entre eles, José Serra, governador de São Paulo, Aldo Rebello, deputado federal pelo PC do B-SP, ex-presidente da Câmara e ex-ministro da coordenação política do governo Lula, e Marco Polo Del Nero, presidente da federação paulista. Com personagens tão ilustres precisando de um favor, Ricardo Teixeira não foi tolo e usou a Copa Rio como objeto de negociação.
Um exemplo claro disso é que a CBF demorou 20 dias para informar o Palmeiras que a Fifa havia oficializado o torneio. Por que a demora? Não seria mais prático e rápido informar o clube imediatamente? Curiosamente, a confirmação por parte da CBF ocorreu depois de uma reunião de Teixeira com Serra para conversar sobre a possibilidade de São Paulo receber a Copa do Mundo de 2014.
Aldo Rebelo nem tanto, mas José Serra não é ingênuo. O governador paulista sabe muito bem que a CBF usou a Copa Rio como forma de ganhar força política. Por isso, não se imagina que Serra tenha prometido algo muito valioso em troca de uma mera oficialização de campeonato. Por mais importante que isso possa ser para o governador. O problema é que, de qualquer maneira, Ricardo Teixeira ficou ainda mais próximo de pessoas influentes e importantes no meio político. E todas lhes deve um favor a mais.

Acima, cópias dos fax da Fifa e da CBF que confirmam o reconhecimento da Copa Rio de 1951. O primeiro data de 9 de março. O segundo, de 29 do mesmo mês. Por que a demora?
Ubiratan Leal
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