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11/04/07

O mundo não é uma bola...

Finalmente o Manchester United explodiu

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Bicampeão inglês, o Chelsea tem uma equipe milionária, bancada pelo extravagante empresário Roman Abramovich, e entrou como favorito ao terceiro título seguido. De fato, os blues fazem uma campanha assombrosa, com apenas seis empates e três derrotas em mais de três dezenas de partidas. O problema é que Abramovich & the Mourinho’s Boys não contavam que alguém conseguisse ir ainda melhor. Pois é o que tem feito esse Manchester United.

Para quem acompanha os red devils há algum tempo, a explosão nesta temporada não é de todo surpreendente. Tudo isso faz parte de um projeto elaborado há três temporadas pelo técnico e gerente do clube, Alex Ferguson. O objetivo era fazer uma transição para ter uma equipe vencedora internacionalmente após o fim da geração campeão mundial em 1999.

O Manchester United foi o clube que melhor entendeu o que representava, administrativa e financeiramente, a criação da Premier League em 1993. Profissionalizando o marketing e transformando tudo em oportunidade de negócio, o clube cresceu e se tornou um dos mais ricos – talvez o mais rico – do mundo ainda na mesma década.

Em campo, o time era sólido. Alex Ferguson teve olho clínico para pescar grandes jogadores a preços mais ou menos acessíveis, além de identificar talentos nas categorias de base do clube. Assim, o Manchester United viu surgir o time com Schmeichel, Giggs, Cantona, Scholes, Gary e Phillip Neville, Beckham, Stam, Roy Keane e Andy Cole, entre outros. Aos poucos, essa base se consolidou, o time dominou o cenário inglês e conquistou a Liga dos Campeões em 1999.

Claro que não seria possível manter essa equipe eternamente. Aos poucos, os jogadores foram deixando Old Trafford. Era preciso renovar. Em um primeiro momento, a direção tomou a atitude mais simplista e imediatista, trazendo grandes nomes por dezenas de milhões de euros. Casos de Barthez, Van Nistelrooy, Verón, Forlán e Rio Ferdinand. À exceção de Van Nistelrooy e Rio Ferdinand, as demais contratações não deram certo. Os recursos foram desperdiçados e ficou evidente que o melhor era mudar a política.

Novamente, o Manchester United ia apostar em revelações. Houve alguns exageros nessa fase, sobretudo nos primeiros anos, com as contratações precipitadas de Saha, Kléberson e Djemba-Djemba e Howard, por exemplo. Mas, na média, o clube foi bem sucedido.

Em 2003, chegou Cristiano Ronaldo, revelação do Sporting. No ano seguinte, o clube concentrou sua verba para tirar Wayne Rooney do Everton, mas ainda trouxe o zagueiro Heinze do Paris Saint-Germain e o atacante Allan Smith do Leeds United. Em 2005, foi a vez de aportarem Park Ji-Sung, Van der Sar, Vidic e Evra. Os valores gastos eram altos, mas ficava evidente que o clube não pretendia concorrer com Real Madrid, Milan e Chelsea pelas estrelas do mundo do futebol (salvo o caso de Rooney). A estratégia era desenvolver o talento dos jogadores para tirar proveito no futuro.

Analisando as contratações, vê-se que o Manchester United foi inteligente. Depois da saída de Schmeichel, o time nunca mais encontrara um goleiro realmente seguro. E não foi por falta de tentativas, pois houve oportunidades para Barthez, Bosnich, Van der Gouw, Ricardo, Taibi, Carroll e Howard. Van der Sar corrigiu isso. Park Ji-Sung e Cristiano Ronaldo deram nova vida nos ataques pelas laterais e Rooney tem o ímpeto e a técnica para dar potência ao ataque.

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Daí, foi só ter paciência para esse time ganhar experiência e, como aquele da década passada, atingir sua capacidade máxima. Basta ver como o time cresceu pouco a pouco a cada ano. Em 2003-04, os red devils foram terceiros no Campeonato Inglês (75 pontos) e caíram nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões (perderam para o Porto). Em 2004-05, novamente a terceira colocação na Premiership (77 pontos) e queda nas oitavas da LC (perdeu do Milan). Em 2005-06, vice-campeonato inglês (83 pontos) e um tropeço fora dos planos na Liga dos Campeões (caiu na fase de grupos para Villarreal e Benfica).

Para a temporada 2006-07, houve dois pontos fundamentais. Primeiro, o clube trouxe o volante Carrick. Em princípio, todos se assustaram com o alto valor pago ao Tottenham (€ 27,2 milhões). Discretamente, o jogador ganhou seu espaço e, com marcação incansável, equilibrou o meio-campo dos red devils.

O outro fator importante foi a saída de Van Nistelrooy. O holandês já estava desmotivado em Old Trafford e claramente precisava de novos ares. Com sua saída, Rooney ficou como atacante de referência, mas Cristiano Ronaldo pôde se aproximar mais do inglês e ficar com um meio-termo entre meia aberto, ponta e segundo atacante.

Com mais liberdade para se movimentar e criar, o português atingiu um novo nível. Seu futebol, que já era habilidoso, ficou particularmente mais maduro, inteligente e incisivo. Quando Rooney e Ronaldo avançam em velocidade, é difícil imaginar quem possa parar a dupla, que mostra constância e confiança acima da média.

Com esse time, que finalmente viu seu potencial explodir, o Manchester United voltou a figurar entre os melhores times do mundo. No momento, já parte como favorito na Liga dos Campeões e no Campeonato Inglês. Mesmo sem fazer o barulho do Chelsea.

Ubiratan Leal

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