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10/04/07

Cultura & Mídia

Em época de estaduais, imprensa limita olhar

O Corinthians está em crise. Todo mundo sabe quais os motivos e as perspectivas do clube para o resto da temporada. O Fluminense está em crise. Todo mundo sabe quais os motivos e as perspectivas do clube para o resto da temporada. Internacional e Grêmio sofrem de queda nítida de rendimento em relação ao ano passado. Atlético-MG tenta ganhar ritmo para voltar forte à elite nacional. O Cruzeiro tem o técnico que muito pediram para a sucessão de Parreira na Seleção. E aí, alguém que não seja de Minas Gerais ou Rio Grande do Sul sabe como estão esses clubes?

Pode-se dizer que essa ignorância em relação a questões importantes que envolvem Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG (a relação pode crescer para Sport, Náutico, Atlético-PR, Paraná...) se deve a um eventual bairrismo da imprensa paulista e carioca. Bobagem. A imprensa de todo o país só olha para o próprio umbigo e ignora o que ocorre a mais de 200 km de distância de sua sede.

O problema aí é a imprensa nacional. Uma coisa é um jornal, uma emissora de rádio ou noticiários regionais da TV, que têm muito definido seu raio de alcance. Nesses casos, é aceitável que se dê prioridade à cobertura de clubes de uma determinada cidade ou região. O que não se pode confundir são esses veículos com os de alcance nacional, que supostamente têm de atender o Brasil inteiro. É o caso de programas de TV transmitidos em todo o país.

Poucos veículos percebem essa diferença e quase todos, por terem sede em São Paulo e/ou Rio de Janeiro, falam apenas de clubes desses Estados. Como se fossem noticiários de alcance regional, o que não são. Daí, todos sabem o que ocorre com Corinthians e Fluminense, enquanto que Internacional e Cruzeiro são mistérios.

Essa diferença muda um pouco durante o Campeonato Brasileiro, pois o próprio formato da competição induz a cobertura a se nacionalizar. Além disso, fica mais fácil os jornalistas e torcedores acompanharem os clubes de outros Estados.

Aí, percebe-se como também há um erro de enfoque. Durante os campeonatos estaduais, a imprensa de todo o Brasil se preocupa apenas em cobrir o torneio de sua região, ignorando completamente o resto. Ela não pensa que já seria momento de olhar para todo o país, identificando fenômenos – positivos ou negativos – regionais que inevitavelmente aparecem. Mantendo o maior peso em seu Estado, claro, mas sempre com um pé no resto do Brasil. O acesso a partidas de outros Estados é limitado (algo indesculpável e que deveria mudar), mas é possível.

No modo como o noticiário é pautado, a visão do torcedor continua restrita. Reduzir o problema a bairrismo é simplista e equivocado. É um problema de enfoque e de falta de consciência de que, desde o início do ano, o torcedor quer saber detalhadamente o que ocorre com grandes clubes de outras regiões do Brasil.

Ubiratan Leal

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