Situação hipotética com nomes fictícios: o Atlético-RJ está em um mau momento. Um ano depois de fazer uma boa campanha, não mantém o mesmo desempenho e sua torcida reclama. Não demora muito e já aparecem na imprensa notícias de que o técnico Zé Francisco não aceitaria um eventual convite para substituir Carlos Antônio. Mas quem disse que o Zé Francisco estaria cotado para treinar o Atlético Carioca?
Esse é mais um momento em que a imprensa peca pelo suposto dever de noticiar tudo que aparecer pela frente, sem ter critérios para escolher o que merece ou não espaço. Sempre que um clube grande como o Atlético-RJ está em má fase, pipocam na caixa de entrada de várias redações e-mails de assessorias de imprensa de técnico com “notícias” como “Zé Francisco nega que tenha recebido convite do Atlético-RJ”. Para negar, é preciso alguém ter feito uma afirmação antes, certo? Ninguém a fez. A assessoria de Zé Francisco simplesmente negou o que não foi afirmado.
Muitos veículos, sedentos por notícias e boatos, nem sempre checam as informações. Simplesmente as reproduzem depois de as pegarem em uma agência de notícias, site estrangeiro ou assessoria de imprensa. Claro que o fato de chegar um press release dando conta que Zé Francisco foi convidado pelo Atlético-RJ pode ter alguma verdade. Mas, aí, é obrigação do repórter ligar para a diretoria atleticana ou para Zé Francisco para esclarecer o assunto. Não acreditar simplesmente no que chega por e-mail e publicar.
Essa é uma tática bastante simples de colocar o nome de Zé Francisco entre os cotados ao lugar de Carlos Antônio no Atlético-RJ. Porque o fato de sair uma notícia ligando um técnico a um clube serve para atiçar a torcida, que pode cobrar pela contratação desse treinador. Do mesmo modo que pode lembrar os dirigentes do Atlético carioca que Zé Francisco está no mercado ou então pode ser usado pelo técnico para pedir um aumento para seu atual clube. Não é nada ilegal. Zé Francisco apenas estaria defendendo seus interesses e, por isso, cautela é necessária.
Simplesmente reproduzindo informações no piloto automático, sem refletir, os veículos alimentam os boatos. Depois, não podem reclamar quando perdem respeito diante do público. Ou quando os concorrentes que tomam atitudes mais cuidadosas e prudentes têm mais credibilidade.
Ubiratan Leal