Para muitos, a desistência da Colômbia na concorrência à Copa do Mundo de 2014 foi vista como a confirmação de que o Brasil receberá o evento. De fato, agora é muito difícil que o país deixe escapar essa oportunidade, até porque parece que, politicamente, a CBF tem se mexido relativamente bem. Sem concorrência, o caminho ficou aberto, mas não apenas para o que Brasil avance sozinho nesta corrida.
A candidatura colombiana sempre se mostrou um factóide, com todo o respeito aos esforços do povo colombiano de reconstruir o país. Realmente, os índices sociais – sobretudo na área de segurança – melhoraram sensivelmente nos últimos anos. Assim, o governo de Álvaro Uribe achou que era um bom momento para tentar algo mais ousado, como organizar a Copa do Mundo que a Colômbia renunciou em 1986 (o país havia sido escolhido, mas desistiu dois anos antes do evento alegando falta de condições financeiras).
Joseph Blatter mesmo disse que a candidatura colombiana tinha como único objetivo fazer que o nome do país divulgado pelo planeta de modo positivo (e não vinculado a tráfico de drogas, guerrilha e violência urbana). Na época, o governo não gostou e Álvaro Uribe chegou a dar pesadas declarações contra o presidente da Fifa, dizendo que ele deveria se preocupar mais com a corrupção de sua entidade do que com as intenções da Colômbia.
A bem da verdade, o governo colombiano continuou firme na candidatura e deu aval para a FCF (federação colombiana) continuar o projeto. O pessoal que cuida do futebol cafetero é que não pareceu fazer muita questão de brigar com o Brasil. Tanto que, ao anunciar a retirada da candidatura, imediatamente mostrou apoio à pretensão da CBF.
Teoricamente, não há mais nada que impeça que o Brasil organize a Copa do Mundo de 2014. Mas não é bem assim. Joseph Blatter não cansa de demonstrar seu descontentamento com a falta de concorrentes no processo para a escolha da sede do Mundial de 2014. A falta de concorrentes pode deixar muito poder nas mãos de uma entidade – no caso, a CBF de Ricardo Teixeira, homem visto por Blatter como potencial adversário político à presidência da Fifa no futuro – e baixar o nível do projeto.
Por isso, o suíço já disse várias vezes que pode colocar um candidato-surpresa na parada. Países como Canadá e Estados Unidos já demonstraram interesse em receber a Copa e o fato de serem países das Américas pode ser – segundo palavras do próprio Blatter – um modo de incluí-los sem interferir no rodízio de continentes. A desistência da Colômbia pode ser um pretexto para fazer isso, argumentando que não se pode deixar um candidato único para um evento tão importante.
Desse modo, a saída da Colômbia pode abrir caminho. Não apenas para o Brasil, mas para que outro país surja nesse processo. Cabe ao Brasil (na verdade, à CBF, que infelizmente é a única entidade que está cuidando da candidatura brasileira) se garantir politicamente e fazer um projeto sério para evitar a aparição de brechas.
Ubiratan Leal