http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Trombetas de 5 de março | Página inicial | Madureira »

6/03/07

O mundo não é uma bola...

Paraguaios mostram que clubes têm poder

Paraguai_Napout.jpg

Nesta semana, Juan Ángel Napout assumiu a presidência da APF (federação paraguaia). Um fato corriqueiro e que não mereceria tanto destaque se não fosse um símbolo da força dos grandes clubes do Paraguai diante das autoridades. Um sinal de que, se unidas, as equipes são muito mais importantes que instituições a quem, muitas vezes, têm de se dobrar para aceitar certas situações.

O início deste ano marcava o final do mandato de Óscar Harrison, empresário que comanda a APF desde a década de 1980. Pelas regras da entidade, o próprio presidente deveria marcar a data exata da eleição. Harrison definiu que o pleito seria realizado em março. E aí a briga começou.

A manobra do dirigente era inteligente, pois ele estaria no comando da entidade até o início do Apertura (previsto para 4 de fevereiro), fazendo que o torneio seguisse as definições que sua equipe tomasse. O que Harrison não contava era com a capacidade de mobilização dos principais clubes. Exigindo eleições em fevereiro, antes do início do Campeonato Paraguaio, Olímpia, Cerro Porteño, Libertad, Guaraní, 3 de Febrero e Sol de América anunciaram a criação da Equipo País, espécie de liga que organizaria o Torneo Liberación, um campeonato paralelo ao Apertura (que teria apenas as equipes que apoiavam a diretoria da APF: Tacuary, Sportivo Luqueño, Nacional, 12 de Octubre e 2 de Mayo).

Claro que a ação dos clubes tinha segundas intenções. Eles alegam que Harrison trata a APF como um feudo, em que ele é o responsável por fazer tudo como quer. Com isso, os clubes perderiam poder e a chance de organizar o futebol paraguaio de forma que ganhassem mais. Assim, passaram a apoiar o nome de Juan Ángel Napout (vice de Harrison por anos e que, cansado de esperar uma chance de ser “promovido”, decidiu ir para a oposição) para a presidência da APF.

Avaliando apenas pelos clubes, Napout tinha um apoio muito mais forte que Harrison nessa briga. Por mais que o Tacuary tenha um bom desempenho nas últimas temporadas e Sportivo Luqueño e Nacional gozem de alguma tradição, os quatro clubes mais populares do Paraguai estavam na oposição. No entanto, a APF tinha aliados de peso vindos de cima: a Fifa ameaçava punir qualquer ato de rebeldia institucional com suspensão em competições internacionais.

Contando com o medo dos grandes clubes de brigarem com a Fifa, Harrison convocou uma reunião para definir os últimos detalhes a respeito do Apertura. Um fiasco. Os integrantes da Equipo País não compareceram e, por falta de quorum, o encontro foi cancelado. O grupo de oposição disse que não haveria motivos para ir a uma reunião para definir detalhes sobre uma competição da qual não participarão.

Olimpia%20x%20Cerro%20Porteno%202006.jpg

A atitude diplomaticamente agressiva foi seguida de declaração de Óscar Scavone, presidente do Olímpia, de que os clubes rebeldes estão dispostos a sofrer eventuais sanções. Mas cutucaram, dizendo que não é possível se organizar um campeonato importante no Paraguai sem os seis membros do Equipo País. A balança pendia cada vez mais para os clubes e, devido a erros primários, a federação paraguaia viu enfraquecer a sustentação de sua base aliada.

Em 31 de janeiro, foi encerrado o prazo para transações internacionais em todo o mundo. O Tacuary – um dos apoiadores incondicionais de Harrison – pretendia vender o atacante Huth para o Liverpool, mas a APF demorou para enviar a documentação do jogador para a Inglaterra e a transação não se concretizou. Com isso, o Tacuary perdeu US$ 750 mil e viu sua relação com a diretoria da APF estremecer.

O presidente de fato do clube alvinegro, Jorge Cáceres, disse que ainda estava do lado da federação. No entanto, Francisco Ocampo, que é quem manda de verdade no Tacuary, se disse decepcionado com a entidade e anunciou que não daria mais apoio irrestrito a Harrison. De acordo com Ocampo, o clube se absteria em uma eventual eleição para a presidência da entidade. Esse novo fato deu mais força para os insurgentes da Equipo País.

Com o impasse cada vez mais solidificado, o governo decidiu intervir. Federico Frutos, ministro dos esportes do Paraguai, enviou uma nota a Harrison propondo o adiamento do Apertura em mais uma semana. O Comitê Executivo da APF fez uma reunião de emergência e decidiu acatar a sugestão de Frutos, que nem no Paraguai estava, pois passava férias em São Paulo.

O ministro dos esportes voltou a Assunção e fez uma reunião de conciliação entre Harrison e Napout. Para reforçar sua posição, o ex-presidente da APF chamou um aliado de fortíssimo: Nicolás Leoz, presidente da Conmebol e figura de enorme influência no futebol paraguaio. Tudo indicava que os clubes seriam obrigados a se dobrar diante dos pedidos por um consenso.

Isso não ocorreu. Os clubes mantiveram-se firmes em suas exigências. Sem alternativa, Frutos adiou em mais uma semana o inicio do Apertura, agora remarcado para 16 de fevereiro. Diante da solidez do grupo formado pelos clubes, Óscar Harrison acabou renunciando à presidência da APF depois de 13 anos no comando da entidade. Seu vice, Juan Ángel Napout, assumiu provisoriamente até a eleição.

Como candidato único, Napout assumiu em 6 de março. E os clubes paraguaios mostraram como, unidos, podem vencer o poder institucional. Resta torcer para que seus dirigentes tenham como interesse prioritário reforçar o caixa dos clubes e atender aos desejos do torcedores e não promover uma nova onda de desmandos (em que só mudariam os agentes em relação ao sistema anterior). De qualquer maneira, é uma lição para os clubes brasileiros que pensam em mudar, mas temem as instituições.

Ubiratan Leal

Deixe sua opinião (7)

Nedstat Basic - Free web site statistics