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24/03/07

Curtas

O trânsito está ruim? Pergunte ao Zamorano

Em 2006, o governo chileno anunciou a criação de um novo sistema de transporte coletivo na capital do país: o Transantiago. Mal comparando, lembra um pouco o Ligeirinho de Curitiba, com ônibus que passam por corredores exclusivos, têm estações próprias e servem para ligar distâncias maiores que o ônibus convencional. É uma forma de auxiliar o sistema de metrô da cidade, que conta com apenas quatro linhas para 6 milhões de habitantes (é mais que São Paulo e Rio de Janeiro, mas isso não é façanha alguma).

Para divulgar a novidade, o governo escolheu Iván ‘Bam-Bam’ Zamorano como garoto-propaganda. E assim foi. Durante meses, os chilenos viram o ex-atacante contando como funcionaria o revolucionário Transantiago, convidando a população a conhecer o novo sistema de transporte e que o governo estava fazendo tudo para ajudar a população santiaguina. Aquela ladainha que todos já imaginam.

O problema é que o sistema tem sido um fracasso desde que foi inaugurado, em 10 de fevereiro. Não há informação adequada sobre as novas linhas, algumas delas andam muito vazias e outras sequer existem. E Zamorano se transformou no símbolo da confusão. Nas ruas da capital chilena, quando alguém pergunta algo sobre o Transantiago, a resposta mais freqüente é “pergunte ao Zamorano”.

Na última semana, o espanhol Alejandro Sanz fez um grande show em Santiago. Para os países latino-americanos, se trata de um evento dos mais importantes no calendário musical do ano. O estádio Nacional estava lotado. Em uma determinada hora da apresentação, o cantor dedicou uma música ao amigo Zamorano, que estava na primeira fila da platéia. As 50 mil pessoas vaiaram o ex-jogador durante dois minutos. Sanz não entendeu nada, mas Bam-Bam, sim.

Dois dias depois, Zamorano convocou uma entrevista coletiva. Disse que também estava insatisfeito com o Transantiago por saber como é difícil se locomover pela cidade em transporte público, que não tem culpa do que está ocorrendo e que se sente enganado pelos responsáveis pelo sistema, que são poupados das críticas em detrimento do ex-atacante. Bam-Bam ainda afirmou que só fez a propaganda porque acreditou no projeto quando o viu no papel e negou que tenha recebido CLP 200 milhões, em torno de US$ 400 mil, pela campanha.

Obs.: trecho da coluna Latinoamérica, assinada pelo Balípodo, publicada esta semana na Trivela

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