Empate em 1 x 1 com o Santa Cruz em casa. Derrota por 3 x 0 para o Vélez Sársfield, por 2 x 0 para a Ulbra (em casa) e 3 x 1 para o Nacional de Montevidéu. Isso sem contar o desempenho apenas mediano do time B no Gauchão. Essa não parece em nada com a campanha de um time campeão mundial em cima do festejado Barcelona, campeão da Libertadores vencendo o São Paulo no Morumbi e vice brasileiro. Mas é. É o Internacional 2007, um time que logo no começo do ano já conhece a depressão após um ano de bonança.
A queda de rendimento é natural e esperada, ainda que surpreenda o tamanho dessa queda. O Internacional está sofrendo as conseqüências de ter desfeito o time sem perceber. Isso vem desde o título da Libertadores, quando saíram, de uma vez, Rafael Sóbis, Tinga, Jorge Wágner e Bolívar. No entanto, Abel foi habilíssimo em manter o ritmo do time na segunda metade de 2006 e, liderados pela experiência de Fernandão e Iarley, o Colorado ainda conseguiu o título mundial.
Para 2007, o elenco ainda perdeu Fabiano Eller, referência defensiva do clube. Mas, pior que isso, a equipe perdeu a linha de raciocínio. Com a preparação tardia (algo natural para quem teve duas semanas a mais de temporada por causa do Mundial), o Colorado não está no mesmo ritmo dos adversários. Não apenas no aspecto físico, mas também no entrosamento dos jogadores e na consolidação tática.
O jogo contra o Vélez foi um exemplo disso. Abel colocou Iarley e Fernandão como dupla de ataque, com Adriano Gabiru como principal armador da equipe e Alexandre Pato no banco de reservas. Os colorados não tinham saída de bola e acabaram atraindo o bem montado time argentino nos contra-ataques. Em jogadas assim, o Fortín fez 2 x 0 em 21 minutos de jogo.
No intervalo, Abel tentou reorganizar o Internacional. Alexandre Pato e Christian entraram para formar a nova dupla de ataque, com Fernandão recuando para armar o jogo. O novo esquema era mais equilibrado e lembrava mais o que fez sucesso no final do ano passado, mas os gaúchos já não tinham forças para a reação e acabaram sofrendo o terceiro gol no final.
Outros problemas também se evidenciam. Há uma certa soberba em todo o clube após tantos sucessos e a dificuldade de concentração se mostra maior que a recomendável. Pior, só com as derrotas para Ulbra e Vélez é que torcedores e jogadores parecem ter se tocado que é preciso o time recuperar a linha de raciocínio rapidamente.
Além disso, nesta temporada, a falta de um lateral-esquerdo e de um volante eficiente tem sido mais sensível. Abel ainda não achou o “tom” certo para esse time, que parece mais diferente da equipe de 2006 do que se imaginava. Ao contrário do Internacional campeão do mundo, esse está desbalanceado, não consegue compactar-se no gramado e comunicar seus diversos setores com eficiência.
Ainda há muito tempo para o time se ajeitar. Pelo menos pensando na temporada nacional. Na Libertadores, o Colorado já está no limite de sua capacidade de perder pontos. E o vexame de cair prematuramente na competição seria uma punição muito dura para essa equipe.
Ubiratan Leal
Imagem: Marcelo Cmapos/VipComm