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7/03/07

Cultura & Mídia

Há mais cuidado, mas preconceito continua vivo

Cobreloa, Blooming, Cerro Porteño, Cúcuta, Real Potosí, Unión Maracaibo, Nacional, Emelec, Audax Italiano, Alianza Lima, Defensor Sporting e Deportivo Pasto. Em 2007, todas essas equipes já enfrentaram um clube brasileiro na Copa Libertadores 2007. Nenhum desses times – ou, com boa vontade, apenas Nacional e Cerro Porteño – é minimamente conhecido do público brasileiro. Por isso, é fundamental que os jornalistas que cobrem partidas da competição se informem corretamente sobre os participantes estrangeiros para que o torcedor saiba com quem seu clube está jogando.

A bem da verdade, o nível do noticiário melhorou muito em relação à década passada. Antes dos jogos, por exemplo, vê-se que se fala em eventuais desfalques do adversário e em que condições os jogadores chegam à partida. A internet tem um papel fundamental nisso, pois o acesso à informação é muito mais fácil e rápido. Mesmo assim, não se pode desmerecer o processo de evolução da imprensa brasileira nesse quesito.

No entanto, ainda há problemas profundos. Como o do preconceito. As informações são disponibilizadas para o torcedor, mas a análise delas ainda é cheia de estereótipos e verdades prontas. E isso muitas vezes invalida boa parte do trabalho de apuração.

Um dos casos mais claros é de considerar de antemão que apenas times argentinos e mexicanos podem ter o mesmo nível de um brasileiro. Em geral, é assim. O determinismo, porém, impede que se identifiquem alguns fenômenos isolados, como o Once Caldas na Libertadores de 2004, a Universidad Católica na Sul-Americana de 2005, o Libertad na Libertadores de 2006 e o Colo-Colo na Sul-Americana de 2006. Os colocolinos não enfrentaram equipes brasileiras, mas o Once Caldas eliminou Santos e São Paulo, a Universidad Católica tirou o Fluminense e o Libertad deu muito trabalho ao Internacional.

Outro fator que deve ser aprofundado é o melhor conhecimento histórico a respeito das equipes. Muitas vezes, vêem-se acertos em relação à formação do time, coisa que uma lida no noticiário do país ou uma conversa com um jornalista estrangeiro resolve. No entanto, informações de contextualização – como o tamanho da torcida de um clube, eventuais rivalidades, história em competições internacionais e até o estilo de jogo tradicional – são falhas.

Nesses detalhes, a cobertura da Libertadores ainda tem a melhorar. Por se tratarem adversários de clubes brasileiros, as equipes estrangeiras merecem atenção como uma européia, que muitas vezes é estudada a fundo para uma audiência muito menor.

Ubiratan Leal

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