É difícil deixar passar a oportunidade de faturar. Mais ou menos isso tem ocorrido com a cobertura da imprensa na busca de Romário por seu milésimo gol. Parte da torcida brasileira, principalmente os vascaínos, estão eufóricos e isso representa um potencial de audiência ou venda de publicações muito grande. Assim, muita gente vai na onda e deixa de lado o que defendia há dois meses.
A questão não é se Romário está ou não fazendo seu milésimo gol, se os gols no infantil do Olaria ou em jogos beneficentes contam ou não. É um critério polêmico, mas que o jogador tem o direito de usar. Afinal, a função dele é valorizar seu trabalho. O papel da imprensa, porém, é informar adequadamente e com isenção.
Se um veículo considera que o critério estabelecido por Romário é válido, tudo bem. É um direito. O problema é que não é isso o que ocorre. Desde que o jogador começou a falar em milésimo gol, há dois anos, o tratamento que ele recebia era de descrédito e sobravam pessoas que tentavam “desmascarar” o Baixinho. O discurso corrente era se ele deveria abandonar a carreira.
De repente, muitos desses se voltaram a favor de Romário, muitas vezes ignorando o que eles próprios diziam. Aí está o erro, pois essa mudança de direção desorienta o torcedor, que fica sem saber quais os critérios que estão valendo ou não para a conta dos gols de Romário. Nem que fosse para concordar com o atacante e mostrar que Pelé também considerou gols em jogo não-oficiais, como os da seleção brasileira militar.
Hoje, percebe-se que a imprensa brasileira passou a se mobilizar em torno do vascaíno sem explicar direito os detalhes que envolvem essa questão do milésimo gol ou ao menos justificar a nova postura. Como sempre, a preferência é em fazer oba-oba para ganhar audiência ou vender exemplares nas bancas. Paciência.
Ubiratan Leal