Abril de 1997. Insatisfeitas com uma suposta proteção da FFERJ ao Vasco, as diretorias de Fluminense, Flamengo e Botafogo se reuniram para criar uma liga de futebol que organizaria um campeonato paralelo no Rio de Janeiro. O trio tomava como base a Lei Pelé, que permitia a formação desse tipo de entidade sem precisar necessariamente da ligação com uma federação. O Fluminense foi assediado pelos defensores da federação para enfraquecer o movimento, mas não adiantou e a Liga de Futebol do Rio de Janeiro realmente surgiu.
O Campeonato Estadual do Rio de 1997 não teve mudanças e o Botafogo foi campeão, com dança da bundinha do Edmundo e tudo. Mas a cisão já se fez sentir no Brasileirão daquele ano. Sem o apoio da FFERJ e de seu presidente Eduardo “Caixa d’Água” Viana, o Fluminense não conseguiu apoio para reverter seu rebaixamento no ano anterior e teve de disputar a Série B nacional.
A queda do Fluminense significou também o rebaixamento do Bragantino e, da Série B para a C, de Central, Sergipe e Goiatuba. A Segundona ficou com 24 clubes, divididos em quatro grupos regionais de seis equipes. O Fluminense ficou com Americano, América-MG, Botafogo-SP, Desportiva-ES e Ponte Preta. Quatro passavam para a segunda fase e o último era rebaixado para a Terceirona.
Com um time bastante fraco, o Tricolor Carioca teve muitas dificuldades em um chave bastante equilibrada. Mesmo a Desportiva, favorita ao rebaixamento, mostrou um bom futebol e brigou pelas primeiras posições da chave. Na última rodada, o Fluminense tinha um jogo decisivo contra a Ponte Preta em Campinas. Com uma vitória, teria chances matemáticas de classificação. Se perdesse, teria de torcer pelo Botafogo-SP contra a Desportiva em Cariacica para não ser o lanterna do grupo.
A partida foi bastante nervosa. A torcida ponte-pretana lotou o Moisés Lucarelli e fez muita pressão sobre os cariocas. Com muita marcação, as duas equipes não conseguiam criar oportunidades. Até que, aos 27 minutos do segundo tempo, Grizzo cruzou, a defesa tricolor não conseguiu afastar e Marcelo Borges aproveitou a sobra para fazer o gol da vitória campinense. No outro jogo da rodada, a Desportiva venceu o Botafogo-SP por 1 x 0 e rebaixou o Fluminense.
Como o Vasco foi campeão do Brasileirão de 1997, o campeonato da Liga Carioca de 1998 ficou ainda mais esvaziado. Flamengo, Botafogo e Fluminense conseguiram apenas a adesão de outras equipes do Grande Rio, como América, Portuguesa e São Cristóvão, e Goytacaz e Rio Branco, dois times de Campos que se viam prejudicados pela ligação de Eduardo Viana com o Americano.
A Globo aproveitou a divisão do futebol fluminense para cutucar a CBF, com quem não vivia um grande momento. Assim, comprou os direitos do torneio da liga e teve grandes audiências com os jogos envolvendo o Flamengo. Diante de dois adversários enfraquecidos, o Rubro-negro não teve dificuldades e foi campeão com facilidade, vencendo os dois turnos. A média de público do torneio foi bem alta, cerca de 8 mil, o dobro do Campeonato Estadual da federação, em que o Vasco venceu com constrangedora facilidade.
Aparentemente, o torneio da liga foi um sucesso. Mas não foi bem assim. Por maior que tenha sido a alegria da torcida flamenguista, o fato de o Vasco estar com um dos melhores times do Brasil e ter levado a Copa Libertadores naquele semestre deu a sensação de que o clube da Gávea conquistara algo sem valor técnico.
No Brasileirão, os três cariocas fizeram uma campanha apenas regular na Série A, até porque o favorito Vasco estava mais preocupado em se preparar para a disputa do Mundial contra o Real Madrid. Na Série C, o Fluminense passou com facilidade na primeira fase, em um grupo com Rio Branco-MG, Atlético Sorocaba, Nacional-SP, Madureira e CFZ. Nos mata-mata, a torcida lotou o Maracanã e foi fácil passar diante de clubes menos experientes, como 15 de Campo Bom-RS e Rio Branco-SP.
Nas quartas-de-final, que definiriam os quatro integrantes do quadrangular decisivo, o Fluminense pegou o São Caetano. No jogo de ida, no Anacleto Campanella, o Tricolor segurou um empate suado em 3 x 3. No Maracanã, um empate bastava. Mas Adhemar fez um gol de falta e o nervosismo de abateu sobre o time carioca. A torcida se silenciou depois do intervalo e o time não encontrou forças para reagir. Ficaria mais uma temporada na terceira divisão.
Em 1999, o Vasco mais uma vez foi campeão pela federação com muita facilidade. No torneio da liga, o Flamengo foi bicampeão, também com sobras, pois Botafogo e Fluminense afundavam em grave crise técnica. Por isso, o segundo torneio da liga não tivera tanta adesão do público e a Rede Globo viu sua audiência cair bastante.
No segundo semestre, finalmente o Fluminense conseguiu sair da Série C. Houve muita dificuldade na primeira fase, mas o time engrenou e, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, teve a tranqüilidade e organização necessária para superar os adversários. Na Série A, mais problemas. Com uma campanha fraca, o Botafogo acabou rebaixado – junto com Botafogo-SP, Paraná e Juventude – pela média de pontos dos dois últimos anos.
Em janeiro, Botafogo, Fluminense e Flamengo anunciaram um acordo de paz com a FFERJ e o Rio de Janeiro voltaria a ter apenas um campeonato estadual. No dia seguinte, a imprensa CBF informou que o atacante são-paulino Sandro Hiroshi tinha registro com base em documentos falsos, em que sua idade estava adulterada. O STJD decidiu que o Campeonato Brasileiro de 1999 estava manchado e ninguém seria rebaixado.
A CBF alegou que não teria como controlar a documentação de tantos clubes naquele ano. Ricardo Teixeira disse que a entidade ficaria um ano sem organizar o Brasileirão para informatizar seu setor de registros e passou o torneio para o Clube dos 13, que decidiu fazer a Copa João Havelange. Com Botafogo e Fluminense na elite. Os clubes negaram acusações de que teriam trocado o fim da liga pela vaga no Campeonato Brasileiro
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Pauta sugerida por Denis Lúcio.
Ubiratan Leal