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27/03/07

Brazil

Demorou para Dunga se render ao óbvio

Depois de quase uma dezena de jogos no comando da Seleção, finalmente Dunga percebeu que é possível colocar Kaká, Ronaldinho e Robinho como titulares. Uma coisa tão óbvia quanto necessária para o time ter um mínimo de brilhantismo técnico no ataque. Bastaria ter um pouco mais de boa vontade e observar um pouco o que ocorreu na Copa do Mundo. Não na desorganizada (dentro e fora do campo) equipe de Carlos Alberto Parreira, mas nos outros times.

Itália, França e Portugal, com variações, jogaram com apenas um atacante fixo (pela ordem, Toni, Henry e Pauleta) e chegaram às semifinais. Para não deixar seus times em retrancas absolutas, os treinadores dessas equipes lançaram mão de meio-campistas versáteis, com capacidade de armar o jogo e também de se aproximar dos atacantes para concluir. Justamente o que fazem Ronaldinho, Kaká e Robinho.

Contra o Chile, Dunga finalmente teve coragem de tentar essa formação. Kaká ficou pelo meio, Ronaldinho pela esquerda e Robinho pela direita (ou, em alguns momentos, como segundo atacante). Como era de se esperar, o ataque foi muito mais insinuante, até porque Robinho é mais ofensivo que Elano. Na frente, ficaria a dúvida de quem seria o centroavante mais adequado, mas é algo a se testar com o tempo.

O importante é que, pela primeira vez, o Brasil pareceu ter um esboço do que pode ser seu time na Copa América. Se for efetivado, esse 4-5-1 seria um esquema desenvolvido depois da Copa que pode render frutos por alguns anos. No entanto, ainda é algo incipiente e sem a consolidação necessária. Um processo que poderia estar muito mais evoluído se o treinador abandonasse um pouco seus dogmas.

Por exemplo, justamente quando precisa entrar na reta final da preparação para a competição continental, de importância estratégica para moldar o time que jogará as Eliminatórias da Copa, Dunga perde a oportunidade de testar jogadores para convocar garotos que supostamente seriam da seleção olímpica. Considerando que as Eliminatórias começam no final do ano, que a Copa América é em julho e que nem se sabe ainda quem será o técnico nos Jogos Olímpicos de julho de 2007, claramente Dunga troca as prioridades.

O treinador foi contratado com a missão de renovar a Seleção e criar um novo grupo. Ele tem exagerado na primeira parte e deixado um pouco de lado a segunda e o trabalho anda mais devagar do que deveria. Menos mal que ele já começa a se render ao óbvio. Esperemos apenas que, em nome de parecer durão, ele não volte atrás sem ao menos testar mais o esquema com os três meias ofensivos.

Ubiratan Leal

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