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23/03/07

O mundo não é uma bola...

A segunda divisão melhor que a primeira

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O rebaixamento da Juventus colocou a Serie B da Itália em um novo nível de exposição. Notícias do torneio voltaram a aparecer nos noticiários estrangeiros e até a TV brasileira está transmitindo a competição. No entanto, a presença da Vecchia Signora não é o único atrativo da Segundona italiana. Com a promoção do Napoli da terceira divisão, há vários clubes tradicionais na Serie B italiana, que tem bom público (média de quase 9 mil, muito considerando a crise de credibilidade por que passa o calcio) e empolga muito mais que a modorrenta primeira divisão, com a Internazionale isolada na frente.

A maior prova disso é que o número de títulos italianos é quase igual nas duas competições. A Série A tem 47 scudetti – Milan (17), Internazionale (14), Torino (7), Roma (3), Fiorentina (2), Lazio (2), Sampdoria (1) e Cagliari (1) –, um a mais que a B – Juventus (27), Genoa (9), Bologna (7), Napoli (2) e Verona (1). Aliás, o número só não é mais favorável à Segundona porque o título do Spezia em 1944 não é oficial e porque a Juventus teve dois campeonatos retirados pela Justiça (sendo que um foi repassado à Internazionale).

Com a reta final da Serie B chegando, alguns grandes devem subir e a segunda divisão italiana deve voltar ao seu tamanho natural. Por isso, veja um quem é quem resumido, antes que isso acabe (as médias de público se referem até fevereiro, quando a Justiça italiana limitou o uso dos estádios italianos por falta de infra-estrutura e segurança).

AlbinoLeffe_logo.jpg

ALBINOLEFFE
Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Atleti Azzurri d’Italia (26.638 lugares)
Média de público: 3.401 pagantes
Temporadas na Serie A: 0
É um dos menores times da Serie B italiana. Foi fundado em 1998 com a fusão do Albinese com o Leffe – onde começaram a carreira Signori e Filippo Inzaghi – e, desde então, é mais conhecido por ser o vizinho menor da Atalanta. Mesmo assim, a AlbinoLeffe tem feito campanhas dignas desde que chegou à Segundona, há duas temporadas.

Arezzo_logo.jpg

AREZZO
Cidade: Arezzo (Toscana)
Estádio: Comunale di Arezzo (13.128 lugares)
Média de público: 4.101 pagantes
Temporadas na Serie A: 0
Clube de segundo nível da Toscana, tem aparições periódicas na Segundona. O clube chegou a falir em 1993 e foi refundado em seguida. Não tem jogadores conhecidos e, como perdeu pontos na Justiça, e forte candidato ao rebaixamento.

Bari_logo.jpg

BARI
Cidade: Bari (Puglia)
Estádio: San Nicola (58.270 lugares)
Média de público: 8.300 pagantes
Temporadas na Serie A: 28
Conhecido como “elevador” por sempre subir e descer de divisão (seria, no Brasil, o clube ioiô). Esteve na primeira divisão nos momentos áureos do calcio e, por isos, teve em seus elencos diversos jogadores importantes, como Boban, João Paulo, Platt, Jarni, Kennet Andersson, Doll, Raducioiu, Platt, Di Vaio, Protti, Zambrotta e Perrotta. Recentemente, revelou Cassano, vendido por cerca de € 30 milhões à Roma. Faz uma campanha regular na Serie B atual, tendo de tomar cuidado com a zona de rebaixamento.

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BOLOGNA
Cidade: Bolonha (Emília Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (39.444 lugares)
Média de público: 12.875 pagantes
Temporadas na Serie A: 62
Trata-se de um dos clubes mais tradicionais da Itália, com sete títulos, uma enorme lista de grandes jogadores do passado e o primeiro rebaixamento apenas na década de 1980. No momento, é uma das forças da Serie B. O elenco tem jogadores experientes como o goleiro Antonioli, o zagueiro Manfredini, o meia Zauli e os atacantes Belucci e Danilevicius.

Brescia_logo.jpg

BRESCIA
Cidade: Brescia (Lombardia)
Estádio: Mario Rigamonti (26.865 lugares)
Média de público: 3.708 pagantes
Temporadas na Serie A: 21
Outro especialista em subir e descer de categoria na Itália, mesmo com uma torcida pouco presente nos estádios. O principal destaque hoje é o atacante Serafini, mas o clube já contou com craques como Roberto Baggio, Pirlo (revelado no Brescia), Appiah, Hagi e Altobelli.

Cesena_logo.jpg

CESENA
Cidade: Cesena (Emília Romanha)
Estádio: Dino Manuzzi (23.860 lugares)
Média de público: 8.360 pagantes
Temporadas na Serie A: 10
Coadjuvante da elite italiana na década de 1980, o Cesena tem uma torcida razoavelmente fiel apesar de ser um clube pequeno e sem muita história. Hoje, o destaque é o atacante senegalês Papa Waigo, um dos artilheiros da Serie B, junto com o experiente goleiro Turci e o meia Salvetti. Entre as estrelas do passado, destaque para o austríaco Schachner o brasileiro Silas e o iugoslavo (atualmente bósnio) Jozic.

Crotone_logo.jpg

CROTONE
Cidade: Crotone (Calábria)
Estádio: Ezio Scida (9.631 lugares)
Média de público: 5.975 pagantes
Temporadas na Serie A: 0
Caçula na Serie B, entrou com o objetivo de não voltar. Faz uma campanha fraca, mas não poderia se esperar muito mais de um dos menores clubes da competição. Curiosamente, o clube tenta investir em jogadores latino-americanos, com o atacante paraguaio Dante López (ex-Olimpia), o meia argentino Ricardo Verón (irmão de Juan Sebastián) e o zagueiro dominicano (!!!) Espinal.

Frosinone_logo.jpg

FROSINONE
Cidade: Frosinone (Lácio)
Estádio: Matusa (9.690 lugares)
Média de público: 4.839 pagantes
Temporadas na Serie A: 0
Começou bem o campeonato, mas foi caindo aos poucos e começa a ter de se preocupar com o rebaixamento. Se escapar da Serie C1, já vai estar bom, até porque montou um elenco barato, cheio de jogadores cedido por empréstimo de clubes maiores.

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GENOA
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (41.917 lugares)
Média de público: 19.808 pagantes
Temporadas na Serie A: 40
É o clube mais antigo e o primeiro campeão da Itália. Apesar de ter perdido espaço no cenário nacional e ter sido superado pela Sampdoria como clube genovês de maior sucesso nas últimas décadas, ainda merece respeito. Tem uma torcida fanática e bom poder de mercado para a Serie B (na verdade, até para a Serie A). Os destaques são os atacantes Di Vaio, Lucho Figueroa e Adaílton (artilheiro do Mundial Sub-20 pelo Brasil em 1997). Outro nome conhecido dos brasileiros é o goleiro reserva Rubinho, ex-Corinthians. Há dois anos, o clube conseguiu a promoção para a elite, mas seu presidente foi acusado de subornar o Venezia para ganhar uma partida e o time foi rebaixado pela Justiça para a terceira divisão.

Juventus_logo.jpg

JUVENTUS
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico di Torino (27.128 lugares)
Média de público: 17.567 pagantes
Temporadas na Serie A: 74
Maior campeã da Itália, tem dois títulos europeus e mundiais no currículo. Com esse currículo, é claro que se tornaria a grande novidade da Segundona no momento em que a Justiça determinou seu rebaixamento pela participação no Calciocaos. Mesmo começando a competição com 9 pontos a menos, já tirou o atraso e assumiu a liderança. Com a queda no dinheiro da televisão, teve de ceder Ibrahimovic, Emerson, Cannavaro, Thuram e Zambrotta, mas manteve nomes importantes, como Nedved, Buffon, Camoranesi, Trezeguet e Del Piero.

Lecce_logo.jpg

LECCE
Cidade: Lecce (Puglia)
Estádio: Via del Mare (40.800 lugares)
Média de público: 6.745 pagantes
Temporadas na Serie A: 12
Freqüentador assíduo da Serie A, faz campanha fraca na Segundona desta temporada. O elenco é fraco e, mesmo com a torcida normalmente barulhenta apoiando, tem de priorizar a fuga do rebaixamento. Para os brasileiros, o destaque é o lateral-direito Ângelo, ex-Corinthians e São Caetano.

Mantova_logo.jpg

MANTOVA
Cidade: Mântua (Lombardia)
Estádio: Danilo Martelli (14.884 lugares)
Média de público: 9.129 pagantes
Temporadas na Serie A: 7
É um caso raro de clube italiano que tem tradição por primar pelo futebol insinuante e ofensivo (fama criada na década de 1960). Na Serie B, faz uma campanha surpreendente, encarando os concorrentes mais tradicionais e lutando pela promoção com um time de jogares desconhecidos. Foi o responsável por quebrar a invencibilidade da Juventus no torneio. O principal nome é o veterano atacante Godeas.

Modena_logo.jpg

MODENA
Cidade: Módena (Emília Romanha)
Estádio: Alberto Braglia (21.000 lugares)
Média de público: 7.797 pagantes
Temporadas na Serie A: 13
Para quem estava na Serie A há duas temporadas, faz uma campanha horrível. Tem lutado contra o rebaixamento e, a não ser que reverta a tendência das 31 rodadas já disputadas, cai para a C1. Muito pouco para um clube de relativa tradição que está acostumado às dificuldades da Segundona italiana.

Napoli_logo.jpg

NAPOLI
Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (78.210 lugares)
Média de público: 30.498 pagantes
Temporadas na Serie A: 61
A Juventus chama a atenção, mas o Napoli tem sido um animador da Serie B quase tão importante quanto os piemonteses. Depois de falir, os partenopei foram refundados e, sob a direção de Aurelio de Laurentiis (produtor cinematográfico e sobrinho de Dino de Laurentiis), o clube renasceu. Logo na primeira temporada de volta à Serie B (ficou dois anos na C1), o time já luta pela promoção e tem, com folga, a melhor média de público da Segundona. Os principais jogadores são os atacantes Calaiò e o argentino Sosa. O zagueiro Paolo Cannavaro, irmão do madridista Fabio, também chama a atenção.

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PESCARA
Cidade: Pescara (Abruzos)
Estádio: Adriatico (19.500 lugares)
Média de público: 3.115 pagantes
Temporadas na Serie A: 5
Como o Arezzo, está praticamente rebaixado. O time é muito fraco e nem lembra o que freqüentou a elite na década de 1980, com jogadores como Júnior, Tita e Dunga.

Piacenza_logo.jpg

PIACENZA
Cidade: Piacenza (Emília Romanha)
Estádio: Leonardo Garilli (21.608 lugares)
Média de público: 6.319 pagantes
Temporadas na Serie A: 8
Durante muitos anos, o clube era famoso por ter apenas jogadores italianos no elenco. A política foi abandonada e o Piacenza se consolidou como mais um time ioiô da Itália. Nesta temporada, com um time econômico, os piacentini surpreendem com um futebol competitivo e luta em igualdade com Bologna, Napoli e Genoa pela promoção.

Rimini_logo.jpg

RIMINI
Cidade: Rimini (Emília Romanha)
Estádio: Romeo Neri (10.000 lugares)
Média de público: 6.834 pagantes
Temporadas na Serie A: 0
O pequeno time da cidade de Federico Fellini surpreendeu ao, logo na primeira rodada, empatar com a Juventus. Depois, manteve o bom desempenho e, mesmo sem chamar muita atenção, corre por fora na disputa pelas primeiras posições. Os destaques são o goleiro esloveno Handanovic e o zagueiro Baccin. Para os brasileiros, chama a atenção o zagueiro Digão, irmão de Kaká.

Spezia_logo.jpg

SPEZIA
Cidade: La Spezia (Ligúria)
Estádio: Alberto Picco (10.000 lugares)
Média de público: 7.553 pagantes
Temporadas na Serie A: 0
Começou bem a temporada, com um desempenho consistente o suficiente para não passar sustos em sua estréia na Serie B. No entanto, foi caindo de rendimento ao longo da competição e, agora, começa a sentir a aproximação do pelotão de trás. Se não se recuperar, pode cair.

Treviso_logo.jpg

TREVISO
Cidade: Treviso (Vêneto)
Estádio: Omobono Tenni (9.996 lugares)
Média de público: 4.045 pagantes
Temporadas na Serie A: 1
O clube sabe que não foi uma boa jogar a Serie A na temporada passada. A promoção, determinada pela Justiça semanas antes do início do campeonato, acelerou o processo de evolução do pequeno clube vêneto, que não estava preparado para o salto e caiu. De volta à Segundona, a expectativa é manter o plano de estruturação lenta. A campanha é discreta, mas a boa defesa (liderada pelo goleiro sérvio Avramov e o zagueiro Viali) mantém a equipe longe das últimas posições.

Triestina_logo.jpg

TRIESTINA
Cidade: Trieste (Friuli-Venezia Giulia)
Estádio: Nereo Rocco (31.350 lugares)
Média de público: 8.161 pagantes
Temporadas na Serie A: 26
É um tradicional integrante da segunda divisão italiana. Por isso, tem experiência na competição e sabe como se livrar das armadilhas pelo caminho. Nesta temporada, tem um ataque muito fraco, mas a defesa compensa e o desempenho geral é regular. Não briga para subir, mas dificilmente vai ter problemas com o rebaixamento.

Verona_logo.jpg

VERONA
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marc’Antonio Bentegodi (44.758 lugares)
Média de público: 9.158 pagantes
Temporadas na Serie A: 24
É, ao lado do Brescia, o clube com mais temporadas disputadas na Serie B. Apesar disso, tem relativa tradição no cenário nacional e aparece periodicamente na elite italiana. Nesta temporada, o clube sofreu com a falta de investimentos durante o processo de troca de direção e luta contra o rebaixamento. Empurrado pela fanática torcida – a quinta melhor média de público do torneio – e contando com o seguro goleiro Pegolo atrás, tem se recuperado gradualmente e pode escapar das últimas posições em breve.

Vicenza_logo.jpg

VICENZA
Cidade: Vicenza
Estádio: Romeo Menti (17.163 lugares)
Média de público: 5.872 pagantes
Temporadas na Serie A: 30
Começou muito mal o campeonato e dava a sensação de que, mais uma vez, lutaria para não ser rebaixado. A partir da metade do primeiro turno, a equipe vicentina reagiu e escalou rapidamente a tabela, se estabilizando no pelotão intermediário. Os melhores jogadores do time são o atacante Schwoch, quase um símbolo do Vicenza, e o zagueiro grego Nastos.

Ubiratan Leal

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