Técnico adora fazer pose. Não apenas pelo ar que mistura professor com general, mas também pelo discurso metido a teórico. E sempre com uma dose de hipocrisia, escondendo o que realmente pensa ou gostaria de fazer para parecer que realmente pensa em todos em seus comandados e no torcedor antes de fazer algo. Por isso, Raymond Domenech é um cara que merece crédito.

O francês é maluco, isso é claro. Mas não é hipócrita. Se acredita que não pode haver mais de um jogador de escorpião no seu time, ele não põe. Mesmo sabendo que o argumento é esdrúxulo e todos tirarão uma da sua cara. Por isso (e também por uma suposta desavença interna no elenco francês), ele praticamente não colocou Trezeguet em campo na Copa do Mundo. Não enquanto Zidane estivesse no gramado. A imprensa fez piada, mas a França foi vice-campeã mundial e jogou melhor que a Itália na decisão.
Quando parecia que as esquisitices de Domenech haviam parado por aí, ele resolveu contrariar seus jogadores. Thuram e Makélélé anunciaram suas aposentadorias dos bleus. Mas o técnico achou que ainda precisava deles e os convocou para as eliminatórias da Eurocopa. Legalmente, eles são obrigados a aceitar. E estão defendendo a França.
Raciocínio parecido com o do caso de Gonzalo Higuaín. Quando descobriu que o atacante era cidadão francês, Domenech o chamou. O jogador recusou e o treinador fez o que todo colega seu gostaria de fazer: reclamou publicamente, pois o jogador do Real Madrid (na época, do River Plate) era obrigado a se apresentar.
Seus métodos podem ser estranhos, mas, no mínimo, é um cara autêntico que faz o que pensa. Sem dar uma de intelectual para as câmeras.
Ubiratan Leal
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