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5/02/07

Brazil

Primeiras impressões da temporada

O futebol brasileiro é tão instável que não se deve tirar conclusões sobre uma temporada com base no primeiro mês. Ainda assim, já existe a possibilidade de verificar alguns sinais positivos ou negativos de organização ou de filosofia de trabalho. Nada que não possa mudar, mas, se os dirigentes e técnicos falam tanto em planejamento, isso deveria se expor desde já.

Por isso, o Balípodo dá um pequeno resumo de como cada um dos principais clubes do país agiu nesse início de temporada. Se eles levam tão a sério seu planejamento como dizem, muita coisa já estaria posta em prática.

Atlético-MG
O time é campeão da Série B, mas não dá pinta que repetirá a campanha do Grêmio, que veio da Segundona para disputar uma vaga pela Libertadores. O Galo manteve a base de 2006, que era tecnicamente fraca para o padrão da elite nacional. Coelho é um bom reforço, como Lúcio, mas não o suficiente para o Atlético subir na relação de forças do futebol nacional. O ataque deve ser o ponto forte, com Marinho e Vanderlei, com Danilinho, Tchô e Marcinho ajudando do meio-campo, mas ficar no meio da tabela do Brasileirão é a possibilidade mais realista.

Atlético-PR
O Furacão tem mania de montar times competitivos e se desfazer deles rapidamente. Por isso, o rendimento de uma temporada muda tanto em relação à seguinte. Pois, dessa vez, o ano parece que será dos bons para o torcedor rubro-negro. O clube da Baixada tem base sólida e jogadores bastante úteis, como Cléber, Alan Bahia, Ferreira e até Denis Marques. O técnico Osvaldo Alvarez conhece bem o clube e tem crédito com a torcida. Se não vender todo mundo, é um grupo capaz de proporcionar bons momentos no Brasileirão.

Bahia
Os desafios do Bahia em 2007 nem são dos mais complicados. O Campeonato Baiano e a Série C são fracas tecnicamente. Por isso, o Tricolor até pode se dar bem no ano, mas não significa que tenha feito muito por isso. A diretoria contratou diversos jogadores, porém, sem haver um planejamento por trás disso. Maricá, Paulo Musse e Preto Casagrande são nomes conhecidos, mas os demais são apostas. Nada além disso. Seria muito mais produtivo aproveitar uma base vinda dos juniores. A tendência é que a torcida tricolor sinta vontade de organizar novas passeatas contra sua diretoria.

Botafogo
Com austeridade e discrição, o Botafogo vai se reconstruindo. A política para 2007 é semelhante à dos anos anteriores, quando o Alvinegro fez campanhas dignas no Brasileirão. O time não tem nenhum craque, mas jogadores como Túlio, Lúcio Flávio, Dodô e Zé Roberto, se estiverem em boa fase, podem deixar o Botafogo mais uma vez entre os dez melhores do Brasileirão.

Corinthians
Marcelo; Eduardo Ratinho, Marinho, Betão e Wellington; Marcelo Mattos, Magrão, Rosinei e Roger; Amoroso e Nilmar. À exceção da lateral esquerda, o time ideal do Corinthians é forte e teria condições de pensar alto na temporada (Copa do Brasil e Brasileirão). O grande problema é a desorganização interna, que faz com que jogadores deixem o Parque São Jorge no meio da temporada e que cheguem atacantes aos borbotões (além dos titulares e do recém-saído Christian, o clube ainda tem Jean, Wilson, Arce, Jaílson e Daniel Grando), mas não supre carências em outros setores, como a armação e a lateral esquerda. Assim, não se pode ter a menor idéia de como o Corinthians estará no mês seguinte, quanto mais até o final do ano. Isso porque a MSI não tem mais atuado no clube, mas a parceria oficialmente ainda existe e a “empresa” tem direito a gerenciar o futebol corintiano.

Coritiba
O Coritiba começa a temporada louco para entrar em crise. A diretoria não tem sustentação e a confiança da torcida se esvaiu com a melancólica campanha da Série B. O clube contratou jogadores desconhecidos como Daniel (ex-Pogon-POL), Marcos Mendes (Santa Clara-POR) e Juninho (Gama). A esperança vem das categorias de base, sobretudo com Keirrison, Pedro Ken, Marlos e Henrique, que se destacaram na Copa São Paulo de 2006 e agora já aparecem no time principal. Se essa base jovem der certo, o Coritiba pode pensar em voltar à elite nacional em 2008. Caso contrário, haverá nova crise no Alto da Glória.

Cruzeiro
O Cruzeiro adora montar elencos fortíssimos e pintar como favorito ao título apenas para se desfazê-lo dele no meio da temporada. Em 2006 foi assim. Este ano, o clube contratou muito bem, trazendo o volante Ricardinho, bom na marcação e identificado com a torcida, o meia Marcinho, que soçobrou com o Palmeiras em 2006, mas mostrou talento em 2004 e 2005, e o atacante Rômulo, um dos artilheiros do Grêmio na última temporada. Se considerar que Wagner, Fábio, Gladstone, Gabriel e Araújo permaneceram na Toca da Raposa, é uma base fortíssima. E que ainda tem suporte de jovens de talento como Fellype Gabriel e Maicosuel. É só a diretoria não vender todo mundo em julho e agosto.

Flamengo
A presença na Copa Libertadores dá a tentação de sair no mercado contratando jogadores de nome para fingir para a torcida que o clube pensa no título. Para sorte fos rubro-negros, a diretoria do Flamengo não agiu assim até o momento. O time é muito parecido com o de 2006 e dificilmente chegará entre os semifinalistas da competição sul-americana, mas é o melhor que o clube da Gávea pode fazer sem comprometer seu plano de recuperação financeira. Souza e Roni são bons reforços para o ataque, setor mais carente do time.

Fluminense
Depois do insucesso de 2006, quando o time quase foi rebaixado, a diretoria da Unimed (que, aparentemente, é quem manda no futebol tricolor) deixou de lado a política de contratar jogadores apenas pelo nome. Dessa vez, trouxe nomes que podem compor um elenco mais homogêneo, como Cícero e Soares. O problema é que não perdeu completamente o vício e também contratou Rafael Moura e Carlos Alberto, inflacionando o elenco de atacantes e meias ofensivos. Pode ter resultados melhores que no ano passado, mas o problema do Fluminense não era apenas de elenco, mas também de direção. Resta saber se os dirigentes aprenderam com os erros e mudarão de atitude.

Grêmio
É um time bastante interessante. A base de 2006 era sólida e foi mantida, mesmo com a saída de Hugo. Com as chegadas de Saja, Tuta e Schiavi, o grupo fica um pouco mais forte, ganha segurança defensiva e, principalmente, se torna muito mais experiente. Se reconhecer suas fraquezas e mantiver seu foco na Libertadores, pode surpreender. Mesmo não sendo favorito ao título.

Internacional
O Colorado é campeão mundial, mas não pode perder de vista que, tecnicamente, perdeu força com a saída de alguns jogadores em 2006. Para este ano, o clube fica mais dependente de seus jogadores mais experientes: Fernandão, Clemer, Índio e Iarley. Se Alexandre Pato realmente explodir e Ceará mostrar o mesmo futebol da temporada passada, o Internacional continuará como candidato ao título de tudo o que disputar em 2007.

Náutico
Para quem fez uma boa campanha na Série B, seria recomendável contratar apenas os jogadores necessários para reforçar a base já existente. Mas o Náutico preferiu montar um time completamente novo. Kuki continua nos Aflitos, mas o resto do time é muito diferente. Os reforços até são interessantes, como Gléguer (ex-Vila Nova e Portuguesa), Beto (ex-Fluminense) e Escalona (ex-Grêmio), mas a filosofia de trabalho não é das mais prudentes. Deve lutar para não cair no Brasileirão.

Palmeiras
Caio Júnior trouxe ao Parque Antarctica o que há tempos não existia: um trabalho que segue uma linha de raciocínio. O ex-técnico do Paraná promoveu uma limpeza no elenco, que tinha muitas figuras caras e ineficientes, e contratou jogadores baratos em que confia. Se souber aproveitar os talentos que já estavam no clube – Paulo Baier, Marcos, Edmundo, Valdivia, Dininho e Wendel – e dar conjunto ao time, pode ser uma equipe competitiva. Não para pensar em títulos, mas para iniciar uma recuperação para os próximos anos. Outro fato positivo para os alviverdes veio da política: com a saída do grupo de Mustafá Contursi da diretoria, o projeto atual terá muito mais apoio da torcida.

Paraná
A estréia na Libertadores foi melhor que a expectativa, vencendo o Cobreloa por 2 x 0 na altitude e secura de Calama. Mas ainda é cedo para dar um prognóstico mais certeiro sobre a preparação paranista para a temporada. O clube vendeu suas principais figuras e ainda perdeu o técnico. A diretoria teve a presença de espírito de remontar a sólida defesa de 2005, com Aderaldo e Daniel Marques, mas o time como um todo é muito diferente e, como nas temporadas anteriores, depende muito de sorte para os reforços se adaptarem rápido ao esquema do técnico Zetti. Dificilmente repetirá a boa campanha do ano passado.

Santa Cruz
Para quem caiu para a segunda divisão, até que o Santa Cruz está otimista para a temporada. A nova diretoria soube agir no mercado de verão e trouxe figuras interessantes como Givanildo de Oliveira e Cleisson, ambos com sucessos recentes no futebol pernambucano. Se tiver paciência, é candidato ao retorno à elite nacional. No estadual, ainda está abaixo do Sport.

Santos
Em 2006, o Santos gostou de fazer pose de “primo pobre” do futebol paulista. Mas um clube que gastou tanto nos últimos anos não tem desculpa para ficar no segundo escalão. E, de fato, o Peixe não está assim. O Alvinegro Praiano tem Zé Roberto, Cléber Santana (que está com a cabeça no lugar), Fábio Costa, Maldonado, Vanderlei Luxemburgo e Kléber, além de promessas como Adaílton, Marcos Aurélio e Dênis. Em suma, o Santos é candidato ao título da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, por mais que apresente um futebol pouco convincente desde o ano passado e use isso para justificar insucessos.

São Paulo
Toda a ladainha de quando se fala de São Paulo é válida para o momento: “é um clube que tem estrutura, dá condição de trabalho para o técnico, pensa em longo prazo, mantém a base, sabe contratar, tem confiança para os momentos de decisão, é favorito a tudo o que disputar no ano etc etc etc”. Tanto que, à base de 2006, acrescentaram bons nomes como Hugo, Jadílson, Borges e Reasco (agora vai jogar, né?). Isso posto, algumas considerações são necessárias: o clube pareceu não acreditar que Mineiro realmente sairia e ainda não tem um bom volante para fazer companhia a Josué. Além disso, a diretoria povoa demais o elenco ao contratar jogadores claramente desnecessários. Nada que impeça o clube de lutar pelos títulos, mas podia ser ainda melhor.

Sport
Depois de quase cair para a Série C em 2005, o Sport parece ter encontrado seu rumo. Ganhou o estadual e a promoção à Série A em 2006. Agora, monta um time interessante para 2007. Além de manter a base vice-campeã da Segundona nacional, incluindo Fumagalli, que se deu muito bem na Ilha do Retiro, ainda trouxe Rosembrik e Carlinhos Bala. É verdade que ambos fracassaram em Palmeiras e Cruzeiro, mas são referências em Pernambuco e podem se soltar melhor em um ambiente favorável. Claro que, no Brasileirão, uma classificação para a Copa Sul-Americana já estaria de ótimo tamanho.

Vasco
O Vasco tem um bom potencial para a temporada. A base de jovens deslanchou em 2006, com vários jogadores mostrando talento e levando o desacreditado time à luta por uma vaga à Libertadores. Além disso, trouxe o bom argentino Conca, que, caso se encaixe com Morais, formará um setor de armação rápido e insinuante. Mas Eurico Miranda deve favores – e dinheiro – a Romário e esse início de temporada pode ter a presença do Baixinho. Por mais que ele deixe o elenco assim que fizer seu milésimo gol, sua entrada pode tirar o foco do elenco e perder tudo o que foi construído em 2006.

Vitória
O Vitória joga sob pressão, pois a crise do Bahia torna o Campeonato baiano uma obrigação do Rubro-negro e o retorno à Série A nacional vai na mesma esteira. Para um clube desse nível, tão importante quanto montar um time com cuidado é ter paciência. Em tese, o Vitória tem bons nomes, como o meia Cléber (ex-Portuguesa) e o atacante Joãozinho. Nada espetacular. Assim, o clube não tem condições ainda de se considerar favorito à promoção para a Série A nacional.

Ubiratan Leal

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