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27/02/07

O mundo não é uma bola...

Planejamento inteligente impulsiona o Sevilla

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Logo nas 12 primeiras rodadas do Campeonato Espanhol, o Sevilla conseguiu nove vitórias e se colocou como principal perseguidor do líder e atual bicampeão Barcelona. A reação imediata foi considerar tudo uma boa fase momentânea, que passaria assim que a competição começasse a exigir fôlego dos times que quisessem lutar pelo título. Já se passaram mais 12 rodadas e o Sevilla continua emparelhado com o Barça. Sinal que os bons resultados do clube de Nervión são mais que um lance de sorte.

O que se passa no Sánchez Pizjuan é resultado de um projeto iniciado há sete anos. Quando caiu para a segunda divisão, em 1999-2000, o Sevilla estava com graves problemas financeiros. Por isso, Roberto Alés assumiu a presidência do clube em julho de 2000 com a idéia de montar um elenco competitivo com pouco dinheiro. O lema era “homens, e não nomes”. Os jogadores com melhor mercado foram vendidos, como Jesuli, Marchena e Tsartas.

Para liderar a renovação, Alés chamou Ramón “Monchi” Rodríguez Verdejo, ex-goleiro reserva da equipe, para diretor esportivo e Joaquín Caparrós para treinador. Ambos se inspiraram no modelo francês, com mistura de uma rede de olheiros afiada com trabalho cuidadoso nas categorias de base. Desse modo, seria possível ter jogadores jovens a baixo custo e, nos anos seguintes, lucrar com a venda deles.

Logo na primeira temporada, o Sevilla consegue retornar à elite espanhola. Depois, foi crescendo pouco a pouco. Em 2001-02, foi nono colocado e passou a ter novo comando, com o vice-presidente José María del Nido substituindo Alés. Em 2002-03, o time ficou em 10º lugar, mas, na temporada seguinte, terminou em sexto e voltava a obter uma vaga em competições européias.

Melhor que os resultados foi ver que a aposta em jovens estava gerando frutos. Entre os jogadores criados em Nervión, Reyes e Sergio Ramos foram vendidos por mais de € 50 milhões juntos. Júlio Baptista, comprado por € 3,5 milhões, saiu da Andaluzia por € 20 milhões. O lucro dessas transações sanou os problemas econômicos do clube e confirmaram o acerto na aposta em jovens.

Ao final da temporada 2004-05, Caparrós trocou o Sevilla pelo Deportivo de La Coruña e foi substituído por Juan de la Cruz Ramos, ou Juande Ramos. O time se tornou mais agressivo com o novo comandante, deixando de lado a aposta principal em contra-ataques, mas a filosofia de trabalho idealizada por Monchi Rodríguez permanecia a mesma. Tanto que as descobertas sevillistas continuaram. Da cantera saiu Jesús Navas e da rede de olheiros apareceram Javi Navarro, do pequeno Elche, Kanouté, do Tottenham, Daniel Alves, do Bahia, Escudé, do Ajax, Adriano, do Coritiba, e Kepa, do júnior do Marbella.

No momento, o Sevilla consegue manter sua base sem desequilibrar as contas, desde que venda um ou dois jogadores ao final de cada temporada. Os resultados em campo correspondem a essa crescente estruturação. O título da Copa da Uefa em maio deu mais confiança ao grupo ainda jovem para pensar em conquistas de primeiro nível.

É com esse espírito que os sevillistas entraram no atual Campeonato Espanhol. Em casa, o time deixou de vencer apenas duas partidas (1 x 2 contra o Mallorca e 0 x 0 contra a Real Sociedad). Além disso, tem mostrado fôlego para continuar como principal adversário do Barcelona na luta pelo título. A equipe ainda é instável e pouco confiável fora do Sánchez Pizjuan e pode pagar caro por isso. De qualquer maneira, o bom trabalho do clube continua e não seria surpreendente se o clube andaluz se tornar freqüentador assíduo da Liga dos Campeões nos próximos anos.

Ubiratan Leal

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