Na Europa, qualquer clube com um mínimo de tradição tem seu museu ou memorial. É um local em que seus torcedores podem conhecer a história do clube, ver de perto troféus e relíquias, alimentar sua paixão e, claro, consumir um pouco produtos oficiais. No Brasil, vários clubes já fizeram os seus, mas o fenômeno é particularmente forte em São Paulo. Além de a própria prefeitura ter um projeto de fazer um no estádio do Pacaembu, São Paulo, Santos e Corinthians investiram pesado para terem os seus. Só o Palmeiras, entre os grandes, está para trás e tem apenas uma sala de troféus.
Antes que reclamem a exclusão de outros museus importantes, como os de Grêmio, Maracanã e Maceió, o Balípodo avisa que só resenha o que vê/lê/ouve de verdade, sem se basear em “ouvi falar”. Isso posto, veja os pontos comparativos entre os museus de grandes clubes paulistas.
CORINTHIANS
Aberto em 2006, O “Memorial Corinthians” foi feito com um cuidado e organização que destoam bastante da maneira como o clube é gerido. De qualquer forma, tem conceitos interessantes e até já foi incluído em alguns guias turísticos da cidade de São Paulo.
Pontos positivos
Muitos recursos multimídia, que permitem interação do visitante com o museu e pesquisa em arquivos digitais. Os painéis dos grandes jogadores da história do clube são uma solução barata, mas eficiente. O vídeo com os títulos recentes é bem feito, sem exageros, bem como o cinema 360º que tenta passar a sensação de estar dentro do campo em um estádio lotado de corintianos. É o museu mais moderno e bem acabado dos grandes de São Paulo, apesar dos pontos negativos abaixo.
Pontos negativos
Pouco espaço para troféus (piadas óbvias à parte, mesmo os Campeonatos Paulistas do clube ficaram de lado) e artefatos históricos. A história do clube também não é muito bem explicada, bem como o sucesso em esportes amadores (sobretudo remo e basquete). Falta também espaço para homenagear a torcida fanática, algo que o museu do Boca Juniors, por exemplo, dá aula de como fazer. Por fim, o preço poderia ser menos salgado.
Mais informações
De terça à sexta, o museu funciona das 10h às 18h. A entrada é R$ 10, com sócios, estudantes e crianças de seis a 14 anos pagando meia. Em sábados, domingos e feriados, o local funciona das 10h às 17h e a entrada é R$ 15. Sócios, estudantes e crianças entre seis e 14 anos pagam R$ 7. Crianças até cinco anos e pessoas com mais de 65 anos não pagam em nenhum dia da semana.

SANTOS
O “Memorial das Conquistas Milton Teixeira” foi inaugurado com bastante pompa e ganhou notoriedade rapidamente. A possibilidade de ver os troféus da época de Pelé é o principal apelo e logo transformou o local em um dos pontos turísticos mais visitados da Baixada Santista. Só falta unir com o Museu Pelé (eternamente em projeto) para fechar o pacote.
Pontos positivos
A parte de troféus e artigos históricos se concentra demais na Era Pelé, mas é preciosa. O material está muito em disposto e dá para sentir muito bem o que representava aquele time no cenário internacional. Outra grande vantagem é ter um pacote em que o torcedor possa visitar também a Vila Belmiro. No mais, o museu é feito com muito cuidado ns detalhes e belos painéis com fotos históricas e funciona também em dia de jogos, permitindo ao torcedor emendar a visita ao museu com a ida ao jogo.
Pontos negativos
O vídeo com os bastidores do título brasileiro de 2004 é oficialesco demais. A Vila Belmiro merecia mais espaço, assim como os esportes amadores e a história do clube entre sua fundação e a primeira metade da década de 1950. Falta também espaço para falar da torcida do clube (um defeito crônico dos museus de futebol no Brasil) e transmitir um pouco de emoção. Como um todo, o museu poderia ser um pouco maior. Ah, e, com todo o respeito ao pai de Marcelo Teixeira e ex-presidente do Santos, o clube tem personalidades mais importantes para batizar o museu.
Mais informações
O museu do Santos abre todos os dias das 9h às 19h (exceto segunda, quando abre às 13h). No dia de jogos noturnos, o funcionamento é estendido até a hora do início da partida. O ingresso ao museu custa R$ 4, mas há pacotes especiais de R$ 7 (museu, campo, vestiário e sala de imprensa da Vila Belmiro), R$ 10 (CT e hotel onde jogadores se concentram) R$ 15 (museu, campo, vestiário e sala de imprensa da Vila Belmiro, CT e hotel). Crianças até seis anos, escolas públicas e entidades assistenciais não pagam. Estudantes, sócios e pessoas com mais de 60 anos pagam meia entrada. Agências de turismo têm 20% de desconto para grupos.

SÃO PAULO
O “Memorial Luiz Cássio dos Santos Werneck” foi inaugurado em 1994 e, na época, era um símbolo das glórias e organização são-paulinas, pois os clubes paulistas não tinham tanto cuidado com sua história. Hoje, o museu está defasado em relação aos demais, pois parece uma bela sala de troféus melhorada. Nada além disso.
Pontos positivos
O museu começa com uma vitrine com os troféus mais recentes (Brasileirão 2006 e Mundial e Libertadores 2005), dando impacto imediato ao visitante. Além disso, há um espaço decente (poderia ser melhor) à história do Morumbi e mostra muitos troféus. Há uma estátua para homenagear Leônidas da Silva (nem tem tanto destaque quanto parece, mas é interessante) e espaço para Éder Jofre e Adhemar Ferreira da Silva. O “preço” da entrada é muito bom.
Pontos negativos
Por ser mais antigo que os dos rivais, percebe-se que ainda é “imaturo” e tem um conceito pouco desenvolvido. Os troféus não estão organizados e, sem hierarquia de importância (as Libertadores e Mundiais de 1992 e 93 e os Brasileirões de 1977, 86 e 91 estão escondidos), fica difícil encontrar um ou outro em particular. Falta recursos mais modernos, como vídeo, multimídia e artigos históricos. A loja de souvenires é mal colocada (o torcedor pode ver quase todo o museu e nem perceber sua existência) e pobre em variedade.
Mais informações
A entrada é gratuita, basta aparecer no Portão 17 do Morumbi (na avenida Giovanni Gronchi) entre 9h e 16h30 (dias úteis) ou 12h e 16h30 (fins-de-semana e feriados). O museu não abre em dias de jogos no Morumbi.

Ubiratan Leal
Imagens: Ubiratan Leal
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