Era praticamente impossível o título da Copa Libertadores 2002 escapar do São Caetano. O Pacaembu estava lotado para apoiar o Azulão, o time do ABC já vencera o Olimpia por 1 x 0 em Assunção e confirmava essa superioridade com nova vitória por 1 x 0 em São Paulo. No início do segundo tempo, os paraguaios empataram com gol de Córdoba após tabela com Orteman. Minutos depois, Báez teve grande oportunidade. O atacante cabeceou para o alto, a bola encobriu Sílvio Luiz, que correu desesperadamente e conseguiu, em cima da linha, impedir a virada. Era a derradeira chance dos alvinegros. O São Caetano era campeão da Libertadores.

De uma só vez, caíam vários tabus. Jair Picerni não era mais chamado de pé-frio, mas de gênio capaz de levar um desconhecido time de São Caetano do Sul ao Mundial Interclubes. O próprio clube são-caetanense deixou de ser chamado de eterno vice, pois conquistava seu primeiro título na elite em grande estilo. O tratamento ao Azulão era outro agora: jogos contra Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos ganhavam o status de clássico e a imprensa já projetava o confronto contra o Real Madrid em Yokohama.
A diretoria do São Caetano decidiu manter a mesmíssima base: Sílvio Luiz; Russo, Daniel, Dininho e Rubens Cardoso; Marcos Senna, Adãozinho, Aílton e Robert; Anaílson e Somália. Em teoria, era um time muito fraco para enfrentar o Real Madrid de Ronaldo, Zidane, Figo, Raúl e Casillas. No entanto, o esquema tático dos brasileiros era sólido, com defesa forte e jogadores rápidos no ataque.
A equipe deixou o Brasileirão daquele ano de lado e nem passou para a segunda fase, que acabou consagrando o Santos de Diego e Robinho. Do lado espanhol, havia crise. O Real Madrid não deslanchava no Campeonato Espanhol e perdera pontos tolos no final de 2002, com empates contra Betis, Valladolid, Villarreal e Deportivo de La Coruña e derrota para o Racing de Santander. Os galácticos não levavam a campo as expectativas criadas pelos seus nomes.
Isso se confirmou no Japão. Adãozinho anulou Zidane e a dupla Daniel-Dininho não deixou espaços para Ronaldo e Raúl. Na frente, Anaílson se movimentava constantemente, confundindo Helguera e permitindo que Robert e Aílton armassem as jogadas diante de um isolado Makélélé. Após um cruzamento de Rubens Cardoso, Somália abriu o marcador de cabeça. Aílton fez o segundo gol são-caetanense em um contra-ataque a dez minutos do final do jogo.
O São Caetano estava definitivamente consagrado. A conquista era tão grande que nem a diretoria sabia o que fazer. Dininho foi contratado pelo Real Madrid como mais um galáctico. Anaílson e Marcos Senna foram para o Barcelona, Russo ganhou uma oportunidade no Lyon e Sílvio Luiz foi para o Milan, que desistiu de tentar a sorte com Dida e Abbiati. Ricardo Teixeira cumpriu a promessa de contratar para técnico da Seleção quem tivesse melhor desempenho em 2002. Assim, Jair Picerni era o substituto de Felipão.
Não demorou um ano para ficar provado que o sistema do São Caetano era frágil. A prefeitura deixou de financiar o clube achando que poderia obter retorno financeiro com a venda de jogadores. Como não havia uma categoria de base estruturada, não houve a revelação de atletas e o time caiu rapidamente de rendimento. Picerni se irritou com as críticas da imprensa após maus resultados na Copa das Confederações de 2003 e agrediu dois jornalistas. Acabou demitido.
Entre os jogadores, Anaílson e Marcos Senna não deram certo no Barcelona, que vivia má fase na época, e voltaram ao Brasil. Sílvio Luiz se transformou em reserva de Abbiati, acusado de não ter reflexo, e foi parar no Empoli após duas temporadas. O único bem sucedido é Dininho, ponto de equilíbrio da defesa do Real Madrid, considerada uma das melhores da Europa. Naturalizado espanhol, o zagueiro defendeu a Fúria na Copa de 2006 e anulou Shevchenko no jogo contra a Ucrânia. Para muitos, o fato de estar contundido nas oitavas-de-final foi considerado a causa da derrota para a França. Com ele em campo, Zidane não teria conseguido jogar.
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Pauta sugerida por Olavo Soares
Ubiratan Leal
Obs.: Esse “artigo” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levado a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.