Final da Copa dos Campeões de 1999, o jogo estava no final, 44 minutos do segundo tempo e o Bayern vencia o Manchester United por 1 a 0 no Camp Nou. A torcida bávara já comemorava o título, o próprio presidente do clube, Franz Beckembauer já demonstrava a certeza da vitória descendo por dentro do estádio para a entrega da taça ao seu time. Porém aos 45 minutos do segundo tempo um escanteio para os ingleses. Confusão na área e Teddy Sheringham finaliza...
...mas Markus Babbel salva em cima da linha. A bola sobra para outro zagueiro, Link, que em um chutão pra frente liga o contra ataque do Bayern. Salihamidzic corre a linha de fundo e lá fica, tocando a bola com Matthäus e Effenberg até o final da partida.
Depois de 23 anos, o Bayern de Munique voltava a conquistar o título da Liga dos Campeões. Foi um momento de festa para o futebol alemão, que conquistava seu segundo título europeu de clubes em três anos. Esse feito não passou despercebido pelos grandes clubes do continente e os jogadores alemães entraram na pauta de contratação de equipes espanhóis, inglesas e italianas.
Scholl e Zickler se transferiram para a Juventus. Jancker foi para o lugar de Yorke no Manchester United. Babbel, um dos heróis da conquista, contraria a tendência e decide renovar por mais cinco anos com o Bayern. Os bávaros se reforçam para compensar a perda de alguns craques. Os jovens promissores do Kaiserslautern, Ballack e Klose, vieram imediatamente para o time.
Esse bom momento acabou refletindo positivamente na seleção alemã, que se encheu de confiança para a disputa da Eurocopa. No torneio disputado em Bélgica e Holanda, os alemães, empataram com Romênia e Portugal e venceram a Inglaterra, ficando com a segunda posição do grupo A. Nas quartas-de-final, fizeram um jogo bastante equilibrado com a Itália, mas a sina de derrota para a Azzurra prevaleceu.
De qualquer maneira, o bom desempenho reforçou a posição de Erich Ribbeck no cargo de técnico do nationalelf. A torcida reconheceu o esforço de um time em renovação e bancou a manutenção daquela geração. Klose, Ballack e o jovem canadense Hargreaves, que optou pela cidadania alemã, comandavam e equipe em busca de mais um título na Copa do Mundo.
A equipe passou de fase sem dificuldades, batendo Arábia Saudita e Camarões e empatando com a Irlanda. Depois, seu futebol começou a empolgar e os germânicos passaram sem problemas por Paraguai e Estados Unidos.
Nesse momento, já crescia a expectativa para ver quem era melhor: o Brasil reconstruído de Felipão ou a Alemanha renovada de Ribbeck, Ronaldo ou Klose. As comparações incomodavam os brasileiros, que temiam o jogo pragmático e eficiente dos alemães. Na semifinal contra a Turquia, Ronaldo exagerou na busca por seu segundo gol na partida e, na trombada com Alpay, acabou sentindo uma lesão muscular e ficou de fora da decisão.
A final começou muito equilibrada, com ligeiro domínio brasileiro. No início do segundo tempo, Roberto Carlos acertou um forte chute da intermediária, que Kahn desviou levemente antes de a bola se chocar contra a trave. Galvão Bueno quase teve um enfarte na cabine de transmissão, mas o placar seguia em 0 x 0.
No meio do segundo tempo, em um período de calmaria da partida, Scholl recebeu na entrada da área e bateu. A bola não foi forte, mas Marcos, com a mão contundida de uma dividida minutos antes, acabou soltando nos pés de Ballack, que abriu o marcador. Minutos depois, Scholl lançou Klose, que fez corta-luz para Ballack, de novo, fazer gol para os alemães.
Era a coroação de um grande trabalho que começou anos antes no Bayern de Munique. Ballack foi contratado pelo Real Madrid como mais um galáctico, Klose acertou com o Barcelona e Erich Ribbeck, depois de meio ano de férias, foi treinar a seleção portuguesa com a missão de recolocar os Tugas entre os melhores do mundo.
Maurício Aires (colaboração especial)