A Copa São Paulo não pode mais ser chamada de “júnior”. Para usar a antiga definição das categorias de base, o mais correto seria usar o termo “juvenil”, pois a competição agora só permite jogadores até 18 anos. A medida visa evitar que a Copinha seja tanto alvo de empresários e tenha concorrência do futebol profissional (que já usa largamente jogadores de 19 e 20 anos). Beleza, mas ainda não é assim que o problema será resolvido.
O torneio está desfigurado pela ação de agentes, pela presença de “gatos” (atletas com idade adulterada) e pela cada vez maior irrelevância técnica. E a mudança do limite de idade traz pequenas melhoras, mas não age sobre a origem do problema: a politicagem da federação paulista. É ela que resolveu inchar a Copinha, convidando equipes sem garantia de critérios técnicos e de que os times representem realmente seus clubes, e não algum empresário.
Com mais de 60 clubes (e, em 2007, são 88), a Copa São Paulo já perde seu propósito. Não é possível observar jogadores, fica difícil controlar a origem dos atletas, inevitavelmente equipes sem qualificação entrem na disputa e o papel de “Campeonato Brasileiro de Juniores” some.
A simples atitude de enxugar a competição e criar critérios técnicos para a classificação dos times (por exemplo, o uso dos estaduais da categoria) ajudaria a diminuir o caso de “equipes de aluguel”, formadas apenas para a Copinha. Afinal, quem dela participar deve ter um time sub-20 (ou sub-18) desde 2006.
Daí, é só criar mecanismos obrigando os clubes a usarem um determinado número de jogadores que já estavam por lá no ano anterior. Com esse vínculo mais forte entre jogadores e os clubes, a federação ainda induz a uma redução do número de gatos. Claro que ainda haveria diversos problemas. Mas eles já diminuiriam.
Da forma como ficou, com times sub-18, os únicos benefícios são preservar a aura de “mostrar jogadores desconhecidos” e evitar a concorrência do futebol profissional e do Sul-Americano Sub-20 (que coincide com a Copa São Paulo nos anos ímpares). Pode-se ainda dizer que, de novo, a Copinha representa bem o cenário nacional de uma categoria de base. Mas não se deve esquecer que o nível técnico da competição cai e qualquer gato que aparecer terá um desempenho muito mais destacado (a diferença técnica e física entre um jogadores de 23 para um de 20 anos é menor que entre um de 21 e um de 18).
Ubiratan Leal
Imagem: Santos
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