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« Chutômetro 55 (médio) | Página inicial | Trombetas de 29 de janeiro »

29/01/07

Brazil

Seleção de base não pode ficar largada

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No Sul-Americano Sub-20 do Paraguai, o Brasil não tinha time-base, não tinha padrão de jogo e não tinha alma. Mesmo assim, foi campeão, simplesmente porque tecnicamente era superior aos adversários e teve um pouco de sorte. A culpa não é dos jogadores, pois eles nada mais fizeram do que refletir o modo desleixado como a CBF trata suas equipes de jovens. E também da falta de aparecer alguém que realmente banque um projeto para as seleções brasileiras nas categorias de base.

O ponto mais delicado é o comando do time. As seleções de jovens (sub-17, sub-20 ou olímpica/sub-23) contam – óbvio – com jogadores inexperientes, que começam naquele momento a sentir o que é defender o Brasil. Por mais que alguns já sejam titulares em seus clubes, é diferente o tipo de pressão que têm de enfrentar, ainda mais quando há medalha de ouro olímpica em jogo de alguma maneira. Como nesse Sul-Americano Sub-20. Por isso, é importante que o elenco tenha algum suporte, sobretudo da comissão técnica.

Justamente isso que tem faltado. A ida de Dunga e Jorginho à concentração brasileira no Paraguai (na verdade, em Ponte Porã), foi sintomática. Ambos visitaram a seleção sub-20, conversaram com os jogadores e voltaram para casa dois dias depois dizendo que estavam impressionados com a união e determinação do grupo. Como se apenas isso bastasse.

A situação de “abandono” ficou evidente no hexagonal final. Após dois empates, sendo que o segundo deles foi traumático pela forma como ocorreu, havia a clara sensação que o Brasil estava com sua vaga olímpica em risco. Naquele momento, faltou uma referência. Faltou Dunga chegar na concentração – mesmo que fosse apenas um supervisor, deixando outra pessoa como técnico de campo – e estimular os garotos, passar tranqüilidade e mostrar a todos que ele está no mesmo barco, na vitória ou na derrota.

Ocorre exatamente o contrário. Quase ninguém quer assumir as seleções de base nesses momentos críticos. Dunga não pode ser crucificado sozinho. Em 2004, Carlos Alberto Parreira fez a mesma coisa. Após o Brasil sub-23 de Ricardo Gomes perder a vaga olímpica para o Paraguai, o técnico da seleção principal criticou acintosamente o comando que a equipe teve. Como se ele também não tivesse culpa por omissão. Afinal, jogadores como Diego, Robinho, Kaká (que só jogou em alguns amistosos de preparação, mas ficou de fora do Pré-Olímpico) já orbitavam a seleção “adulta”.

Depois dos insucessos olímpicos em 1996 e 2000, a política da direção da CBF é largar a seleção “sub qualquer coisa” a desconhecidos e deixá-los com uma responsabilidade à qual eles não têm preparo para lidar. É como se, além de jogadores, o técnico – no caso, Nélson Rodrigues (que não é “aquele”) – também é júnior. Sem experiência e sem suporte adequado, ele também está lá aprendendo. O problema é que, se jogadores e comissão técnica estão aprendendo, quem está ensinando?

Na Argentina, José Pekerman comandou as categorias de base durante vários anos. Tinha a experiência de quem comandou os times de jovens do Argentinos Juniors e, mais que isso, a AFA (federação argentina) dava importância àquelas equipes, participando ativamente do projeto. Não é à toa que os argentinos têm mais títulos em Mundial Sub-20 e Jogos Olímpicos que o Brasil.

Bem, Dunga já disse que quer comandar a Seleção nos Jogos de Pequim. Claro, agora é fácil, pois a possibilidade de glória (o título inédito) compensa o risco (nova derrocada). Não é assim que se faz um projeto sólido. Menos mal que, de novo, os jogadores tinham talento e souberam encontrar, dentro de si, a força para reagir. Mesmo sem comando, sem padrão de jogo e sem alma.

Ubiratan Leal

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