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2/01/07

Cultura & Mídia

Para Sempre Real Madrid

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Se alguém ainda tinha dúvidas a respeito de como o Real Madrid dá importância a mercados fora da Espanha – notadamente Extremo Oriente –, é só ver o filme “Para Sempre Real Madrid” para se convencer. A produção da Real Madrid Televisión – em parceria com Huckleberry Films e Pendelton – foi idealizada para mostrar os bastidores, a história, os símbolos e os torcedores do clube, porém, não esconde que os olhos da diretoria está muito longe do Santiago Bernabéu. E também que os merengues estão à deriva nessa busca por uma identidade globalizada.

Como em todo filme institucional, feito para promover uma marca, não se pode esperar isenção editorial ou realismo extremo. Qualquer espectador minimamente informado sabe que “Para Sempre Real Madrid” tentará vender uma imagem positiva e apaixonante do clube espanhol. E assim acontece.

A produção se divide em cinco histórias independentes, mas sempre mostrando como o Real Madrid é grande, global e entra na vida das pessoas. São os casos da adolescente japonesa que briga com o namorado porque gosta do Beckham, da garota norte-americana que joga soccer no colégio, do menino venezuelano que começa a gostar de futebol e tem no Real Madrid o elo de ligação com o avô, do garoto senegalês que entra na escolinha do clube na África e do professor que acabou de chegar à capital espanhola e vê a paixão de seus alunos pelo clube.

Só pela escolha das histórias já se vê que o clube atira para lados diversos. E, não por acidente, se esquece do básico, de sua raiz. Falta um conto que retrate a paixão do torcedor de estádio, de um dos 70 mil que vão ao Santiago Bernabéu toda partida. Ou, ao menos, do garoto que se lança na cantera (categorias de base) madridistas sonhando em vestir a camisa blanca e alguns anos.

A história do professor é a que tenta mais se aproximar disso. Mas o faz de maneira bisonha. O protagonista chega à Madri para trabalhar em uma escola infantil e, coincidentemente, vai morar em um apartamento a dois quarteirões do Santiago Bernabéu. No entanto, ele não conhece o Real Madrid, mas, ao ver a mobilização dos torcedores em dias de jogo e a reação de seus alunos quando o time perde, percebe que aquele clube de futebol é algo importante.

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Assim, o professor se dedica a estudar o clube. Conversa com torcedores, escreve uma carta a Di Stéfano, visita a loja oficial (foto) e até vai ao estádio ver um jogo ao vivo. Tudo de maneira estereotipada e inverossímil, em que o docente até leva um caderninho para anotar o que vê. Claro que, no final, ele se convence que o Real Madrid é grandioso e importante. Mas a frieza da direção é marcante. Nada do que os espanhóis chamam de madridismo (sentimento de torcer pelo Real Madrid) é transmitido. Pior, ainda fica a pergunta: mesmo entre quem odeie futebol, que professor espanhol não sabe o que é o Real Madrid?

As outras histórias vão na mesma linha. Enredos previsíveis e pouco envolventes, com pouco sentimento e estereótipos que apenas os blockbusters mais escancarados de Hollywood seriam capaz de produzir. Os “contos” que se passam em Venezuela e Senegal são um pouco melhor que os outros, mas ainda assim decepcionam pela obviedade. No final das contas, “Para Sempre Real Madrid” é um retrato de um clube que esqueceu suas raízes em busca do marketing fácil e de torcedores sem real compromisso com o clube.

Entre as poucas coisas interessantes da produção estão as cenas de bastidores que pipocam entre os “contos”. Não se tratam imagens reveladoras, mas representam a oportunidade de ver os treinos do time e os jogadores em momentos de alguma descontração. Fica mais interessante ainda porque o filme foi gravado em 2004, quando o técnico era Vanderlei Luxemburgo. Assim, o treinador tem bastante destaque e esparrama todo seu “espanhol” para o público.

Como um todo, é um filme dispensável, que mesmo o torcedor do Real Madrid tem a ganhar se alugar ou assistir na televisão antes de comprar o DVD. Os extras, com resumo de partidas históricas, visita ao museu do clube e grandes gols da história podem salvar. Ainda assim, é recomendável conferir antes.

Mais informações
“Para Sempre Real Madrid” (“Real, La Película” em espanhol ou “Forever Real Madrid”, em inglês) foi dirigido por Borja Manso, tem 60 minutos (sem contar os extras) e já está à venda no Brasil

Ubiratan Leal

Imagens: Americanas.com e Real, La Película

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