Cruzeiro e São Paulo empatam em 1 x 1 no Mineirão pelo jogo de volta da final da Copa do Brasil de 2000. O placar dá o título da competição aos paulistas, pois as equipes haviam ficado no 0 x 0 no Morumbi dias antes. No último minuto, os mineiros têm uma falta na entrada da área. O meia Giovanni corre e bate rasteiro, a barreira pula, a bola desvia no pé de um zagueiro e... vai tranqüilamente para as mãos de Rogério Ceni. Foi a oportunidade final dos cruzeirenses, que viam o adversário comemorar pela primeira vez o título da Copa do Brasil.

A conquista levou a torcida do São Paulo ao êxtase. Durante todo o segundo semestre de 2000, só se pensava em Libertadores, em montar o time para a Libertadores, em se planejar para a Libertadores, em se reforçar para a Libertadores... A derrota para o Palmeiras nas oitavas-de-final da Copa João Havelange nem foi sentida pelos são-paulinos.
Em 2001, o time que buscaria o terceiro título sul-americano já estava definido: Rogério Ceni; Belletti, Wilson, Rogério Pinheiro e Gustavo Nery; Fábio Simplício, Júlio Baptista, Cacá e Carlos Miguel; França e Luís Fabiano. No banco, Levir Culpi era mantido mesmo com o insucesso no Brasileirão de 2000.
O sorteio foi camarada e o Tricolor Paulista não teve dificuldades na primeira fase da Libertadores diante de Emelec, Olímpia e Sporting Cristal. A facilidade do grupo ajudou a amadurecer o conjunto, com Luís Fabiano e França se entrosando melhor e o novato Cacá se transformando em Kaká e ganhando mais experiência no time principal.
Nas oitavas-de-final, dois jogos tranqüilos contra o fraco El Nacional, do Equador. Assim, sem grandes esforços, o São Paulo já estava entre os oito melhores da Libertadores e a torcida já via a volta de uma suposta mística do clube na competição. A má campanha no Paulistão não atrapalhava o ânimo no Morumbi.
O problema é que, nas quartas-de-final, o adversário era o Palmeiras, algoz tricolor na Copa João Havelange. O Alviverde tinha bons jogadores, como Alex, Lopes, Arce e Marcos. Mas, no todo, era um time apenas esforçado que tinha como principal atacante Fábio Júnior e como líder em campo o volante Galeano.
No jogo de ida, disputado no Parque Antarctica, Lopes fez uma partida espetacular e marcou três gols. Mas a defesa palmeirense mostrou sua insegurança e permitiu que o São Paulo também marcasse uma trinca de gols, com Alexandre e Luís Fabiano (2).
No Morumbi, o Palmeiras tinha a esperança de levar a decisão para os pênaltis, como já ocorrera várias vezes nas campanhas de 1999 e 2000. E os alviverdes tinham sucesso. Carlos Miguel abriu o marcador, Arce empatou, França recolocou o São Paulo na frente, mas Alexandre voltou a igualar o placar a dez minutos do final. Nos descontos, quando parecia que Marcos e Rogério Ceni é que decidiriam a eliminatória, o reserva Ilan deu a vitória aos são-paulinos.
Toda a euforia tricolor foi por terra na semifinal contra o Boca Juniors. Por mais que o time estivesse embalado e desse sinais de crescimento, não era suficiente para encarar a equipe de Carlos Bianchi, Óscar Córdoba, Riquelme, Serna, Bermúdez e Delgado. O São Paulo ainda mostrou determinação e conseguiu empatar as duas partidas em 2 x 2, mas perdeu nos pênaltis para os argentinos.
A forma honrosa da derrota ajudou a consolidar a certeza no Morumbi de que o clube já reencontrara o caminho das glórias internacionais. Assim, o presidente Paulo Amaral superou a crise com Rogério Ceni (que apresentou uma proposta do Arsenal que não se confirmou), conseguiu amarrar as alianças políticas no clube e foi reeleito no início de 2002. O problema é que o time acabou caindo diante do Atlético-PR nas quartas-de-final do Brasileirão e ficou sem vaga na Libertadores.
A diretoria contratou Osvaldo Alvarez para conduzir a equipe. O técnico não deu um padrão de jogo ao time, que sentia a instabilidade política do clube se perdeu na temporada. Luís Fabiano não conseguia controlar seu temperamento, Kaká começou a ficar com pecha de “amarelão” e o time acabou em uma melancólica 13ª posição no Campeonato Brasileiro.
No ano seguinte, tudo mudou. Nelsinho Baptista assumiu o comando com a instrução de promover uma grande renovação. Kaká e Luís Fabiano foram vendidos para a Europa. Era a vez de Adriano, Rico e Souza, contratados da Portuguesa Santista, Jean, Júlio Santos, Kleber e Gabriel.
Com muitos jovens, o Tricolor teve uma temporada muito instável, variando grandes partidas (como uma contundente vitória por 3 x 0 sobre o Cruzeiro de Luxemburgo) com derrotas incompreensíveis (1 x 3 contra a Ponte Preta no Morumbi). O único ponto positivo foi a dupla de zaga Jean e Júlio Santos, que se consolidou como uma das mais seguras do Brasil e passou a ser cogitada para a seleção brasileira que disputaria as Eliminatórias da Copa.
A propalado planejamento são-paulino já se tornara passado. Sem apoio nenhum, a chapa de Paulo Amaral foi derrotada em 2004, entrando em seu lugar Marcelo Portugal Gouveia. O novo presidente tricolor trouxe Oswaldo de Oliveira e manteve Rogério Ceni – fortemente contestado pela torcida – no elenco. Sua gestão ficaria marcada pela contratação de Ricardinho, que se tornara o maior campeão da história do Corinthians nos cinco anos que passou no clube.
Foi um grande erro estratégico. O meia não conseguiu arcar com a resposnabilidade de reerguer o time e não tinha bons coadjuvantes, a não ser Júlio Santos (Jean fora vendido para o Bayer Leverkusen). Rogério Ceni não tinha mais força interna para fazer o papel de líder e já negociava sua ida para o Galatasaray. Aos tropeções, o São Paulo terminou na sétima posição no Brasileirão.
Em 2005, Cuca chegou com a missão de, mais uma vez, reformular o elenco são-paulino. O meia Marquinhos veio do Coritiba, junto com Danilo e Grafite do Goiás e Cicinho do Atlético-MG. Sem brilho, o São Paulo teve um futebol consistente e simples. Na Copa do Brasil, perdeu do Fluminense na semifinal. Cuca caiu, Leão chegou e ajudou o time a alcançar a terceira posição no Brasileirão, atrás apenas de Corinthians e Internacional.
O retorno à Libertadores não foi muito positivo. No entanto, o São Paulo já não apresentava a mesma confiança para a competição continental. Depois de passar pelo Palmeiras nas oitavas-de-final, o time sucumbiu diante do Estudiantes na etapa seguinte. Bosco fez grande partida e evitou uma goleada em Quilmes, mas o Tricolor jogou mal em casa, venceu apenas por 1 x 0 e perdeu nos pênaltis. E a Libertadores, que pareceu tão próxima após o título da Copa do Brasil de 2000, continuaria sendo uma recordação do passado são-paulino.
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Pauta sugerida por Olavo Soares
Ubiratan Leal