Infelizmente, o público dificilmente terá acesso ao guia oficial do Paulistão 2007 produzido pela Federação Paulista de Futebol. Não a publicação – distribuída entre a imprensa esportiva de São Paulo e que, ao que tudo indica, não será vendida em bancas ou livrarias –valha o investimento de alguns reais. Mas seria a oportunidade de ver uma obra que reflete muito bem a realidade da entidade e do campeonato que ela organiza, escondendo a falta de conteúdo com floreios e formatos supostamente inovadores e profissional.
O livro de 112 páginas é bem impresso, tem capa dura e visual colorido de qualidade aceitável. De conteúdo, há o regulamento e a tabela dos três torneios da primeira divisão (a FPF jura que as Séries A2 e A3 fazem parte da primeira divisão), com páginas apresentando cada clube participante. Inclusive os da Terceirona, ops, Série A3. Para dar um espaço à Topper – fornecedora de material esportivo oficial da entidade –, há duas páginas mostrando a tecnologia da bola do campeonato.
Claro, não falta o lado institucional. Há os editoriais/cartas ao leitor de Marco Pólo del Nero, presidente da FPF, e Reinaldo Carneiro Bastos, vice da entidade, e de Naief Saad Neto, presidente do TJD-SP. Além disso, na apresentação dos clubes, há as fotos – algumas 3x4 – de todos os presidentes de clubes das Séries A1, A2 e A3.
Considerando que ninguém imagina que um guia oficial de uma federação ficasse livre de páginas institucionais para o oba-oba da cartolagem, até fica uma sensação de que o resto pode ser interessante e útil. Até porque a apresentação bem feita dos clubes poderia ser usada como material de referência para os jornalistas (essa é a função do guia, afinal).
Nada disso. Além da ficha técnica básica do clube (nome, endereço, presidente, telefone, site oficial, estádio, fundação e títulos), sobra muito pouca coisa. O texto que acompanha cada equipe apenas conta – sem nenhuma profundidade – a história do clube. Nos últimos parágrafos (e isso apenas para a Série A1), há um resumo rápido de como a equipe se preparou para a temporada 2007.
Até dá para entender que um guia de entidade não terá isenção jornalística. Mas poderia perfeitamente fugir disso abusando das informações de referência, como estatísticas. Por exemplo, oferecendo a ficha técnica dos principais jogadores (o ideal seria de todos os inscritos, mas o prazo de contratações se encerra durante o campeonato) e posição do clube em todas as edições do Paulistão. Não seria perfeito, mas teria informações diferentes das que todos já conhecem e não haveria risco de uma gafe política para a entidade. O material de imprensa que a Conmebol preparou para a Libertadores 2006 se salvava por isso, mesmo sendo tosco graficamente.
Enquanto dados úteis são esquecidos, a FPF insiste em dar importância desproporcional aos mascotes (dos clubes e dela mesma, pois agora há a “Família Torcedor Paulista”, que parece “Os Incríveis” e substitui o esquilo Serelepe). Aliás, esse é um vício da federação, que empurra para o torcedor a imagem de mascotes na tentativa de imitar um pouco o modelo norte-americano. Mas a entidade parece ignorar que, em muitos clubes, são desconhecidos ou criados artificialmente (sem a legitimação de seus próprios simpatizantes).
Como um todo, o guia do Paulistão da FPF é como o campeonato. Alguma pretensão e tentativa de dar um formato moderno e profissional. Mas, no fundo, é a mesma coisa viciada, decadente e impregnada pela politicagem de sempre.

Serelepe (à esquerda) foi substituído pela Família Torcedor Paulista. Não parecem os Incríveis vestindo roupa de árbitro?
Mais informações
O “Campeonato Paulista – Guia Oficial 2007” foi elaborado pela BPS Promoções e publicado pela Federação Paulista de Futebol. Tem 112 páginas e é distribuído gratuitamente para a imprensa esportiva.
Ubiratan Leal