http://www.gardenal.org/balipodo/balipodo_logo_2005.gif

Busca


Últimas atualizações

Chutômetro
Chutômetro 6

Chutômetro
Soluções do Chutômetro 5

Quem é vivo...
Ruy Ramos

Com que roupa...
Atlético de Madrid

Histórias
O Manchester que assustou United e City

Cultura & Mídia
La Pasión Laica

E se...
E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Cultura & Mídia
Sociedade não precisa saber da vida de Casão

Arquivos

Procure nos alfarrábios por assunto

Contato

ubiraleal@gmail.com

RSS

Clique aqui e veja o Balípodo em RSS

Powered by

Gardenal.org

Considerações legais

Clique aqui


« Novidades de Corinthians, Cruzeiro e São Paulo | Página inicial | Campeonato Paulista – Guia Oficial 2007 »

19/01/07

Histórias

A França já ganhou a LC, mas quase não levou

Hoje, a Ligue 1 já está consolidada como uma das principais ligas da Europa. Não tem tanto dinheiro e prestígio quanto as de Itália, Inglaterra e Espanha, mas rivaliza com a Alemanha pelo posto de quarta mais importante do continente. No entanto, os franceses têm grande dificuldade de produzir campeões em torneios internacionais. Na Liga dos Campeões, o Lyon carrega a responsabilidade de acabar com isso. Um tabu que nem existe na teoria, mas que se mantém em espírito.

Na primeira edição da Liga dos Campeões com o atual nome, em 1992-93, cada país europeu tinha apenas um representante (além do campeão do ano anterior). Com isso, o equilíbrio entre as diversas nações era maior e havia uma grande diversidade mesmo nas fases decisivas. Por isso, o Olympique Marseille era um dos favoritos.

Olympique_Tapie.jpg

O clube marselhês já ficara com o vice-campeonato em 1990-91, quando perdeu a decisão nos pênaltis para os iugoslavos do Crvena Zvezda (conhecido no Brasil como Estrela Vermelha). Ainda assim, mantinham a base tetracampeã nacional e o alto investimento em grandes jogadores. Tudo com a ajuda de Bernard Tapie (foto), ministro das Cidades da França e empresário conhecido por investir e recuperar grandes empresas em dificuldade (na época, era dono da Adidas).

Aquela edição da LC não foi muito boa para os representantes dos países mais tradicionais. O sorteio marcou o encontro de Stuttgart (campeão alemão) com Leeds United (campeão inglês) logo na primeira fase. E deu confusão. Os schwaben venceram por 3 x 0 na Alemanha e perderam de 4 x 1 na Inglaterra. Eles teriam se classificado pelo gol fora de casa, mas escalaram um jogador irregular em Leeds e a Uefa deu a vitória por 3 x 0 para os ingleses. No jogo-extra, em Barcelona, os britânicos venceram por 2 x 1.

Ainda assim, outras equipes fortes sobreviveram para a segunda fase (equivalente a oitavas-de-final). Casos de Milan, Porto, Barcelona, CSKA Moscou, Rangers e PSV. O Olympique passou com facilidade pelo Glentoran, da Irlanda do Norte.

A segunda fase teve mais algumas surpresas. Rangers e Leeds United tiveram de se enfrentar. Os escoceses surpreenderam e venceram as duas partidas por 2 x 1. Maior espanto ainda foi a eliminação do Barcelona (campeão do ano anterior que contava com Stoichkov, Ronald Koeman e Michael Laudrup no elenco), que empatou em 1 x 1 com o CSKA em Moscou, mas perdeu em casa por 3 x 2.

Assim, a Liga dos Campeões 1992-93 chegou à fase de grupos (equivalente à semifinal) sem representantes de Inglaterra, Alemanha e Espanha. No Grupo A, ficaram Olympique, Rangers, CSKA Moscou e Brugge. No B, Milan, PSV, Göteborg e Porto. Sem o Barcelona pelo caminho, o favoritismo era claro do Milan, campeão italiano na temporada anterior sem nenhuma derrota e que tinha 100% de aproveitamento na LC. O PSV de Romário era considerado o único adversário à altura.

No Grupo B, o favoritismo do Milan se confirmou. Os italianos venceram todas as partidas e sofreram apenas um gol. A surpresa foi o péssimo desempenho do PSV, que estreou na etapa com um empate em 2 x 2 com o Porto no estádio das Antes e perdeu todas as outras partidas. Assim, o Göteborg acabou como segundo colocado na chave.

O Grupo A foi muito mais equilibrado. Após o primeiro turno, Rangers e OM dividiam a liderança com quatro pontos, um a mais que o Brugge. O CSKA estava com um e tinha poucas chances de recuperação. Na primeira rodada do returno, os franceses fizeram 6 x 0 nos russos e se consolidaram como candidato à vaga na final. Os escoceses passaram pelos belgas e continuaram escoltando os marselheses.

Na penúltima rodada, Olympique e Rangers empataram em 1 x 1 em Marselha, deixando a decisão para a última partida. Os gers bobearam e não saíram do 0 x 0 com o lanterna CSKA, enquanto que uma vitória magra por 1 x 0 sobre o Brugge (que ainda tinha possibilidades matemáticas de classificação) fora de casa deu a vaga na decisão aos franceses.

A luta com Rangers e Brugge na Liga dos Campeões foi desgastante. No Campeonato Francês, os marselheses lideravam, mas eram perseguidos de perto por Paris Saint-Germain, Monaco e, um pouco mais atrás, Bordeaux. Se o técnico belga Raymond Goethals poupasse seus jogadores na Ligue 1, o clube corria o sério risco de perder o domínio doméstico.

Em 22 de maio de 1993, vésperas de Olympique Marseille x Valenciennes, porém, estourou o escândalo que os franceses chamam de Affair VA-OM (de Valenciennes-Anzin e Olympique Marseille). O defensor Jacques Glassmann contou ao técnico athénien, Boro Primorac, que fora procurado por um dirigente marselhês. O motivo da conversa era acertar o resultado da partida, em que o OM pretendia usar o time reserva para se poupar para a decisão da LC. Jorge Burruchaga – campeão mundial pela Argentina em 1986 – e Christoph Robert também haviam sido contatados.

Olympique%20x%20Milan.jpg

O processo foi longo e não impediu que o calendário do Olympique naquele final de temporada fosse cumprido. O clube venceu o Valenciennes por 1 x 0 e seguiu a caminhada rumo ao pentacampeonato francês. Na Liga dos Campeões, o OM acabou com a série de dez vitórias consecutivas do Milan e venceram por 1 x 0, gol do zagueiro Basile Boli (foto) no último minuto do primeiro tempo.

Apenas em setembro saíram as primeiras decisões. Burruchaga e Robert foram suspensos por dois anos (depois reduzido para um e meio). Esportivamente, o Olympique teve o título francês de 1992-93 retirado (o título ficou vago) e foi rebaixado na temporada seguinte, mas continuou como campeão da Liga dos Campeões porque a Uefa julgou que o escândalo ocorrera em outro campeonato.

Ainda assim, a entidade continental tirou os direitos de campeão europeu que os marselheses teriam. O Milan representou o campeão da LC na Supercopa Européia (contra o Parma) e no Mundial Interclubes (contra o São Paulo). Houve quem pensasse que o Olympique também perdera seu título na LC, o que não é verdade.

*

Veja a ficha técnica do único título francês da LC:

Olympique%20x%20Milan%20b.jpg

Olympique Marseille 1 x 0 Milan
Final da Liga dos Campeões da Europa 1992-93
Data:
26 de maio de 1993
Local: estádio Olímpico (Munique-ALE)
Público: 64.400 pagantes
Árbitro: Kurt Röthlisberger (Suíça)
Olympique Marseille: Barthez; Angloma (Durand), Di Meco, Boli e Sauzée; Desailly, Deschamps e Eydelie; Boksic, Völler (Thomas) e Abedi Pele. T: Raymond Goethals
Milan: Rossi; Tassotti, Costacurta, Baresi e Maldini; Albertini, Rijkaard, Donadoni (Papin) e Lentini; Van Basten (Eranio) e Massaro. T: Fabio Capello
Gol: Boli (44/1º)

*

Veja as vezes em que os franceses chegaram à final em copas européias: Copa/Liga dos Campeões: 1955-56 – Stade Reims, 1958-59 – Stade Reims, 1975-76 – Saint-Étienne, 1990-91 – Olympique Marseille, 1992-93 – Olympique Marseille e 2003-04 – Monaco; Recopa: 1991-92 – Monaco, 1995-96 – Paris Saint-Germain e 1996-97 – Paris Saint-Germain; e Copa das Feiras/Uefa: 1977-78 – Bastia, 1995-96 – Bordeaux, 1998-99 – Olympique Marseille e 2003-04 – Olympique Marseille. Apenas o OM na Liga dos Campeões de 1993 e o PSG na Recopa de 1996 venceram a decisão.

*

Países com mais títulos em copas européias que a França: Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Portugal, Escócia, Bélgica e União Soviética. A Suécia está empatada.

Ubiratan Leal

Textos relacionados
A aposta francesa na Europa
Será a vez dos clubes franceses?
Glórias nos porões do futebol francês
O futebol parisiense ainda precisa crescer

Deixe sua opinião (3)

Nedstat Basic - Free web site statistics