Depois de um chutão para frente, Luís Adriano desviou de cabeça e encontrou Iarley. O atacante estava marcado por dois defensores do Barcelona e o contra-ataque colorado poderia morrer ali. Mas o brasileiro cortou para o meio com um drible no meio das pernas de Puyol. Foi o instante decisivo, pois essa finta deu espaço para a jogada respirar. Luis Adriano e Adriano abriram e Iarley teve tempo de avançar sem marcação (pois Belletti e Puyol já tinham de marcar os dois Adrianos) e lançar Adriano Gabiru que, livre, fez o gol.
A descrição do gol mostra bem a diferença entre Internacional e Barcelona na partida. O que fez que os gaúchos vencessem um jogo em que o favoritismo absoluto era do oponente. Por exemplo, quando tocou para Iarley, Luís Adriano subiu junto com Iniesta. No entanto, o espanhol não seguiu na jogada imediatamente e, só depois de perceber o perigo do contra-ataque, tentou recompor a marcação. Tarde demais.
Não foi só Iniesta que falhou. Até porque ficar de primeiro volante não é a função para a qual tem mais talento. A defesa como um todo não estava mobilizada. Van Bronckhorst não estava fechando a lateral esquerda. Rafa Márquez estava fora de posição e não havia nenhum volante na cobertura.
Isso não significa que o Inter só tenha vencido por um erro do Barcelona. Absolutamente. Erro de posicionamento defensivo é natural e ocorre em quase todo o jogo. Ocorreu com o Barcelona e o Colorado estava pronto para aproveitá-lo. Mas o oposto não ocorreu e aí há um grande mérito dos gaúchos. Não é fácil se defender tanto tempo com tanta solidez e segurança como o Internacional fez neste domingo em Yokohama.
O Barcelona tomou a iniciativa, mas em nenhum momento colocou o gol de Clemer em risco tão forte quanto, só para comparação, o Liverpool em cima do São Paulo em 2005. Sinal de que, mesmo diante de um adversário ofensivamente poderoso, os gaúchos foram perfeitos. Inferior tecnicamente, o Internacional jogou a partida de sua vida, enquanto que o Barcelona, por mais a sério que tenha levado o encontro, não pareceu preocupado em buscar formas de quebrar o esquema colorado. Talvez achando que seu jogo naturalmente seria suficiente para vencer.

A dupla de zaga esteve concentrada nos 90 minutos e os laterais se preocuparam mais em marcar do que em defender e Edinho, Wellington Monteiro e Alex ficaram mais atrás, fechando o meio-campo e tirando os espaços de Deco e Iniesta. Ronaldinho acabou confinado à ponta esquerda e não conseguiu brilhar (apesar de não ter feito uma má partida). Fernandão, mesmo apagado tecnicamente, dava personalidade ao time. Lutava e tentava acionar Iarley e Alexandre Pato (que caíam mais pelas pontas que o normal, aproveitando as costas dos laterais barcelonistas).
Essa formação praticamente anulou as armas do Barcelona, que entrou na área trocando passes – característica do time – apenas uma vez, com um voleio de Xavi defendido por Clemer. Não por coincidência, era o momento em que Índio estava fora do campo estancando um sangramento em seu nariz. Realmente, não havia como o Barcelona passar pela barreira montada por Abel Braga.
Em campo, o Internacional foi perfeito. Fez o possível dentro de suas possibilidades para bater o time que talvez seja o melhor do mundo. Até porque o Colorado não foi ao Japão para ser o melhor, mas para ser campeão. Se, tradicionalmente, o futebol brasileiro não tem esse costume, o futebol gaúcho tem. E o Inter, jogando como se faz no Rio Grande do Sul, se entregou em campo, não deixou o adversário respirar e conquistou o planeta.
Ubiratan Leal
Imagens: Jefferson Bernardes / VipComm
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