O Mundial de Clubes é o ápice da temporada para os clubes brasileiros. Até para os torcedores, pois a maioria prefere ver seu time ganhar o mundo à seleção fazer o mesmo. Por isso, há uma colisão quando se confronta essa forma de ver o torneio com a européia, que trata com certo desdém a competição. Para os brasileiros, tal comportamento é sinal de prepotência e antecipação da desculpa para uma eventual derrota. De qualquer maneira, fica a dúvida: até onde vai o tal “menosprezo” do Velho Continente ao Mundial de Clubes?
A primeira coisa a se considerar é que há diferenças no modo de cada país ver o torneio. No sul da Europa (Portugal, Espanha e Itália, basicamente) ele tem mais valor do que no norte (Alemanha e Inglaterra). Ainda assim, há aspectos em comum a todos. Por exemplo, é fato consumado que, para os europeus, a Liga dos Campeões vale mais. E vale muito mais.
Os motivos para preferir a competição continental são claros. Primeiro, dá mais dinheiro e é jogado diante de sua torcida. Depois, há um consenso no Velho Continente que os melhores clubes do mundo são ingleses, espanhóis, italianos, alemães e franceses. Por mais que um jogo no Mundial possa dizer o contrário, o fato de os melhores jogadores e a melhor estrutura estarem lá é argumento mais forte.
Assim, ao contrário do que ocorre aqui, os europeus não consideram que seu campeão coloca em jogo a condição de melhor do mundo. Isso foi conquistado em junho na final da Liga dos Campeões. Para o europeu, o título mundial (troféu) se decide no Japão. Mas isso é dissociado do fato de ser efetivamente o melhor.
O que não significa que sempre haja desdém total à competição. Os ingleses são os que menos se importam com o Mundial. Até hoje ainda há resquícios da soberba do país que se negou a disputar Copas do Mundo e ainda acha que sua liga nacional é a melhor, mais equilibrada, mais fascinante, mais rica, mais organizada e mais bem jogada do mundo. E, mesmo com essa visão, o Liverpool não se conformou com a derrota para o São Paulo em 2005. Claro, encararam a derrota com o ar blasé e a imprensa tergiversou. Mas é inegável que houve algum impacto no time e seus torcedores.
No caso da Espanha (exemplo escolhido obviamente por causa do Barcelona), o Mundial de Clubes é importante. Menos que a Liga dos Campeões e o Campeonato Espanhol, mas mais que a Copa do Rei. Para os barcelonistas, a necessidade de legitimizar o domínio intercontinental com um título é maior porque Real Madrid e Atlético de Madrid já têm esse troféu. Além disso, faz parte do orgulho catalão alimentar seu orgulho mostrando ao mundo a força de seus ideais regionais.
Assim, quem cruzar com o Barcelona no Japão encontrará um time dedicado à vitória. Não tratará como questão de sobrevivência (como ocorre com a Liga dos Campeões), mas só jogará em ritmo mais lento se for por soberba e arrogância. Jamais por considerar o Mundial um torneio secundário
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Veja a apresentação as chances que o Balípodo vê de cada um ser campeão no Mundial de Clubes 2006:
Al Ahly (EGI) – 3%
América (MEX) – 17%
Auckland (NZE) – 1% (seria menos, mas fica em 1% para não usar casa decimal)
Barcelona (ESP) – 50%
Internacional (BRA) – 27%
Jeonbuk (CSU) – 2%
Ubiratan Leal
Imagem: Fifa