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4/12/06

Brazil

Paraná encontrou seu (arriscado) modelo

Parana%20x%20Palmeiras%202006.jpg

Desde que foi implementado o sistema de pontos corridos no Campeonato Brasileiro, apenas uma vez, em 2004, o Paraná esteve ameaçado de rebaixamento. Mais que isso: somando todos os pontos dessas edições, os paranistas estão à frente dos quatro grandes do Rio e a 16 pontos do rival Atlético-PR (vice em 2004), além de terminar a edição 2006 com a inédita vaga na Libertadores. Um desempenho consistente e acima do esperado para um clube que costuma ser visto como candidato ao rebaixamento. Mostra de que o Tricolor paranaense descobriu seu caminho.

O curioso – e perigoso – é que o clube criou um sistema de montagem de equipes sem precisar, necessariamente, manter uma base por vários anos. Em 2005, o time foi sétimo colocado no Brasileirão com Flávio; Daniel Marques, Aderaldo e Marcos; Neto, Rafael Mussamba, Beto, Tiago Neves e Vicente; Borges e André Dias. O técnico era Lori Sandri. Em 2006, o time-base de Caio Júnior foi Flávio; Peter, Gustavo, Edmílson e Eltinho; Pierre, Batista, Beto e Maicossuel; Leonardo e Cristiano. Dos 11 jogadores que conseguiram a vaga na Libertadores, apenas Flávio e Beto eram titulares em 2005.

É compreensível que um clube com menos recursos financeiros que os concorrentes e que investia na reforma de seu estádio acabe vendendo seus jogadores quando possível. É a lógica do futebol brasileiro e o Paraná não pode ser colocado de fora dela, até porque tem a influência de empresários de jogadores na contratação de jogadores. O que é interessante de se observar é que, mesmo nesse monta-desmonta, os paranistas conseguem manter um desempenho constante.

O segredo do Paraná é ter uma rede de contatos razoável para identificar bons valores no interior – notadamente paulista e paranaense – para ter um time “bom e barato”. Parece pouco, mas é valido como estratégia se bem estruturado, até porque, no Brasil, o que mais falta é projeto. Independentemente de qual. Isso o Tricolor paranaense tem.

Parana%20x%20Fluminense%202006.jpg

Sem alardeios, o Tricolor tem muito mais consistência que grandes clubes que, sem projeto, até podem ter boas equipes em algum ano, mas caem no seguinte vítimas da própria desorganização. Casos evidentes de Corinthians, Palmeiras, Fluminense e até do Atlético-PR em 2006 e de Santos e Cruzeiro em 2005.

O que diretoria e torcida paranistas não podem perder de vista é que esse modelo, por melhores que sejam os resultados, deve ser considerado provisório. Não é possível sobreviver por muitos anos dessa forma pelos riscos inerentes à estratégia, ainda mais depois que o Coritiba contratou o olheiro principal do Paraná. Assim, não se pode achar que todo ano o clube encontrará e contratará oito ou nove bons jogadores a preço baixo. Um dia isso não ocorre e o time despenca.

Outro problema dessa política dificulta planos que vão além de um ano. A situação em 2007 é perfeita para avaliar isso. Para o Brasileirão, é possível montar um time novo porque há tempo para acertá-lo. O próprio estadual ajuda nisso. Para a Libertadores, é preciso estar com a equipe ajeitada desde o início do ano e as especulações de que jogadores como Maicossuel já estão de saída são sinais mais que perigosos.

De qualquer maneira, o que o Paraná conquistou em 2006 (estadual e vaga na Libertadores) é louvável. Muito time que se considera maior ficaria feliz com esse retrospecto no final do ano. Basta saber o momento de mudar de política para se consolidar mais.

Ubiratan Leal

Imagens: Paraná e Hedeson Silva/Fotocom.net

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