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7/12/06

E se...

E se o Náutico vencesse o Grêmio em 2005?

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No estádio dos Aflitos, Náutico e Grêmio empatavam em 0 x 0 em jogo decisivo da Série B 2005. Até que, aos 35 minutos do segundo tempo, Djalma Beltrami marca pênalti de Nunes por colocar o braço na bola. Os gremistas reclamam e quatro são expulsos. Após uma longa interrupção, o alvirrubro Ademir cobra mal o pênalti, a bola esbarra na perna do goleiro Galatto... e entra. Náutico 1 x 0.

Foi como uma bomba para o Grêmio. Precisando empatar a partida com sete jogadores em campo, os gaúchos sequer tinham forças para se impulsionar ao ataque. Limitavam suas ações ofensivas a cruzamentos desesperados da intermediária. Nada que ameaçasse o time pernambucano, que se preocupava apenas em tocar a bola pacientemente até o final da partida.

A vitória do Timbu deu início a uma grande festa em Pernambuco. Santa Cruz e Náutico retornavam à primeira divisão. Enquanto isso, em Porto Alegre, o lado colorado vibrava, pois o Internacional ainda lutava pelo título nacional e via o rival Grêmio passar mais uma temporada na Segundona.

A derrota provocou uma grande crise no Olímpico. Apesar de ter alguns méritos reconhecidos, Mano Menezes foi demitido. No time, poucos foram poupados. Considerados culpados pela derrota, Nunes, Patrício e Domingos foram negociados com equipes do interior gaúcho. Escalona, o outro jogador expulso, voltou ao Chile. Ânderson foi para o Porto em desgraça com a torcida, pois ficou com a pecha de responsável por conflitos no elenco.

Em 2006, o Grêmio faria um novo processo de renovação. Mas, dessa vez, a diretoria resolveu apostar em jogadores de nome. Os principais foram Hugo e Tcheco, sem espaço em Santos e Corinthians. Também vieram Maricá, Muñoz e o angolano Johnson. Cláudio Duarte era o técnico.

A torcida já não tinha mais paciência com o time e o Grêmio fez uma campanha fraca no estadual. Depois de passar pela primeira fase, foi desclassificado pelo Juventude nas semifinais. A pressão sobre os jogadores crescia cada vez mais, mas a diretoria manteve o planejamento para a Série B nacional.

Na Segundona, o Grêmio conseguiu alguns bons resultados em casa e permaneceu na metade de cima da tabela. No entanto, não conseguia acompanhar o ritmo de Sport (que se reestruturou completamente depois de ver os dois rivais de Recife subirem), Avaí e Coritiba. Para piorar, o Atlético-MG, o outro grande que estava na Série B e cuja má campanha era usada como álibi pelos gremistas, começou a reagir e passou a ocupar as primeiras posições.

O Tricolor Gaúcho entrou em crise e caiu para o meio da tabela. A direção gremista trocou de técnico, contratando Paulo Bonamigo, que estava em desgraça no Coritiba. O Grêmio se recuperou depois de algumas rodadas, mas não teve tempo de alcançar América-RN e Paulista, que ficaram com as duas últimas vagas na Série A (as outras foram de Sport e Atlético-MG).

O insucesso foi uma bomba no Olímpico. A situação financeira do clube se tornou insustentável, a Alma Castelhana não tinha mais ânimo para apoiar 100% do tempo e o Internacional era campeão da Libertadores. Sem alternativa, a diretoria gremista desfez todo o elenco e a comissão técnica e, para 2007, já anunciava um time montado apenas com garotos das categorias de base e revelações do Campeonato Gaúcho.

Enquanto isso, na primeira divisão, o Náutico surpreendia. A vitória sobre o Grêmio em 2005 deu confiança para os pernambucanos encararem os grandes. Com um futebol ofensivo e os gols de Kuki e Felipe, o Alvirrubro se tornou a revelação do campeonato, brigando com Vasco e Paraná pela quinta vaga brasileira na Libertadores.

Na última rodada, o Náutico enfrentou o Flamengo em casa. Uma vitória classificaria o Timbu para a competição continental pela segunda vez na história. Os pernambucanos começaram melhor e pressionavam. Os cariocas, sem interesse na partida, apenas faziam o tempo passar preguiçosamente.

No primeiro tempo, Felipe perdeu um pênalti, aumentando a agonia da torcida alvirrubra que lotava os Aflitos. No segundo tempo, a pressão continuava. O árbitro, coincidentemente Djalma Beltrami, deixou de marcar um pênalti claro para os pernambucanos. No final da partida, em um lance duvidoso, Beltrami deu toque de mão de Fernando dentro da área. Kuki, artilheiro da Série A com 20 gols, bateu para a defesa de Bruno. O Náutico ficou no 0 x 0 e deu a vaga ao Paraná, em um dos momentos mais traumáticos da história recente do Timbu.

*

Texto sugerido por Fellyph Dangellys

Ubiratan Leal

Obs.: Esse “artigo” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levado a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.

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