Palmeiras, Botafogo, Grêmio e Atlético-MG. Mesmo considerando que a promoção dos mineiros ainda depende de confirmação matemática, pode-se dizer que os últimos quatro grandes clubes brasileiros – pensando na divisão tradicional que conta apenas as forças de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul – que visitaram a Série B voltaram em uma temporada. Isso pode dar a falsa sensação de que o acesso é uma quase certeza, o que não é verdade. Já houve casos de equipes que tiveram problemas na Segundona.
Houve três casos emblemáticos. Cada um acabou tendo um desenrolar próprio no ano seguinte, mas foram exemplos de grandes que tropeçaram na segunda divisão. A relação desconsidera paranaenses, pernambucanos e baianos porque, em seus maus momentos, não era incomum ver esses times na Segundona.
Palmeiras 1982
No início da década de 1980, a classificação para o Campeonato Brasileiro era feita de duas maneiras: os melhores dos campeonatos estaduais tinham vagas automáticas para a Taça de Ouro (nome da primeira divisão na época). Os que não conseguissem disputavam a Taça de Prata, que classificava algumas equipes para a elite no mesmo ano. E nem com essas duas oportunidades de classificação o Palmeiras conseguiu participar do Brasileirão de 1982.
Em 1981, o Alviverde já havia passado pela Segundona. Foi 16º no Paulistão de 1980 e não obteve vaga direta na Taça de Ouro. Mas se impôs na Segundona. Passou por Comercial-MS, Internacional de Santa Maria-RS, São Paulo-RS, Ferroviária, Criciúma, Novo Hamburgo, América-SP e Guarani para disputar a primeira divisão.
O susto não foi suficiente para o clube se ajeitar. No segundo semestre de 1981, a equipe ficou em 10º no Campeonato Paulista e caiu novamente na Taça de Prata do ano seguinte. O clube ficou no Grupo D, com Anápolis, Juventus-SP, Operário-MT, Vila Nova-GO e Volta Redonda. Mesmo vivendo problemas financeiros e tendo uma de suas equipes mais fracas, o Palmeiras reunia condições de superar os adversários. A base era: Gilmar; Benazzi, Luís Pereira, Édson e Jaime Boni; Suca, Célio e Aragonés; Jorginho, Almir e Esquerdinha.
Na estréia, o Palmeiras ficou no 2 x 2 com o Juventus no Parque Antarctica. Na segunda rodada, o Alviverde empatou novamente em casa: 1 x 1 com o Volta Redonda. Em seguida, outro empate: 0 x 0 com o Anápolis em Goiás.
A essa altura, a situação do time era crítica, pois apenas os dois primeiros da chave se classificavam. O Vila Nova tinha 6 pontos, um a mais que o Volta Redonda. Uma vitória sobre o Tigre em Goiânia era fundamental. Mas os palmeirenses perderam por 2 x 1 e, com a vitória do Volta Redonda sobre o Anápolis, estavam desclassificados com uma rodada de antecipação.
A campanha terminou com uma melancólica vitória por 1 x 0 sobre o Operário-MT no Parque Antarctica. Era 6 de fevereiro. O clube só disputou outra partida oficial em 18 de julho, quando estreou no Paulistão contra o Marília. Nesse meio tempo, o Palmeiras viveu de amistosos e do Torneio dos Campeões, competição também amistosa.
Foi justamente o Campeonato Paulista de 1982 que garantiu o retorno do Palmeiras à elite nacional. Com uma boa campanha, o time foi terceiro colocado e ganhou uma vaga automática para o Brasileirão de 1983.
Grêmio 1992
Em 1991, o Grêmio entrou no Campeonato Brasileiro como uma das forças da competição. Meses antes (o Brasileirão de 1990 foi no segundo semestre e o de 1991, no primeiro), o Tricolor gaúcho terminara a primeira fase com a melhor campanha do torneio e só caiu nas semifinais contra o São Paulo. Sem mudar muito o time, não haveria motivos para esperar uma queda acentuada dos gremistas. O que acabou ocorrendo.
O Grêmio venceu apenas 3 partidas – Goiás, Sport e Vasco – em 18 rodadas e chegou na última rodada na antepenúltima posição. Com a derrota para o Botafogo e a vitória do Sport sobre o Flamengo, os gremistas caíram para a penúltima posição e foram rebaixados.
Na Segundona de 1992, os 32 participantes se dividiram em quatro grupos de oito equipes. Os três melhores de cada chave passavam à segunda etapa, onde formariam mata-mata. O vencedor desses grupos fariam a final e subiriam para a elite. No entanto, o regulamento foi modificado pouco antes do início da competição. Os 12 times que passassem para a segunda fase teriam acesso, o que facilitou o trabalho gremista.
O time era fraco, apesar de ter alguns jogadores conhecidos, como Alcindo, Caio (meia que também jogou na Portuguesa), Cuca, Lira e Jandir. Os gaúchos disputaram o Grupo 4, com América-MG, Londrina, Operário-MT, Operário-MS, Paraná, Ponte Preta e São José. A campanha foi instável. Depois de bons resultados nas primeiras rodadas (2 x 2 contra o Operário-MS e 2 x 0 no Operário-MT, as duas partidas fora de Porto Alegre), o time começou a tropeçar (0 x 3 com o São José e 0 x 1, em casa, contra o América-MG).
Em nenhum momento o Grêmio passou confiança a seus torcedores. Nem o fato de os três primeiros se classificarem dava tranqüilidade ao time, que só conseguiu uma seqüência de duas vitórias em toda a primeira fase. Na última rodada, os tricolores estavam empatados com o São José na terceira posição, com os paulistas tendo vantagem no saldo de gols. Na última chance de avançar, o Grêmio venceu o Operário-MT por 7 x 1. Mesmo assim, os joseenses passariam com uma vitória simples sobre o América-MG (líder do grupo) no Independência. O empate sem gols classificou o Grêmio.
Teoricamente, os gaúchos conseguiram voltar à primeira divisão. Mas é inegável que não estavam agüentando o ritmo da Segundona. Na segunda fase, que também teve o regulamento modificado, o Grêmio caiu no Grupo 3. Os gaúchos começaram perdendo para o Paraná no Olímpico e o Criciúma no Heriberto Hülse. A equipe conseguiu duas vitórias contra o Coritiba e reagiu conseguindo a oitava vaga nos quadrangulares semifinais. Mas, alegando problemas financeiros, os gremistas desistiram da vaga e terminaram a trajetória na Segundona sem conseguir as primeiras posições.
Fluminense 1998
O Fluminense teve de ficar duas vezes na rabeira do Brasileirão para cair. Em 1997, o Tricolor carioca salvou-se com a mudança das regras de rebaixamento depois do caso Ivens Mendes. No ano seguinte, não teve jeito e o clube das Laranjeiras estava na Segundona nacional.
O regulamento era esquisito. Os 24 participantes se dividiram em quatro grupo de seis times. Os quatro primeiros de cada chave se classificavam para a segunda fase, enquanto os últimos e os dois piores penúltimos eram rebaixados para a Série C. Ou seja, apenas duas equipes ficariam de fora da segunda fase e também da Terceirona.
No Grupo D com ABC, CRB, Joinville, Juventus e Paysandu, o Fluminense fez um primeiro turno terrível. Perdeu na estréia para o ABC no Maracanã (2 x 3) e para o Juventus na partida seguinte (0 x 1 em Osasco). Depois, os cariocas empataram com Paysandu (1 x 1 no Maracanã), CRB (2 x 2 em Maceió) e Joinville (2 x 2 no Rio de Janeiro).
O time era lanterna da chave, atrás até do Juventus. No returno, o Tricolor melhorou um pouco. Venceu Joinville e Juventus, mas empatou em casa com o CRB e perdeu do Paysandu. Na última rodada, o time tinha 10 pontos, contra 14 de Joinville, ABC e Paysandu e 13 do CRB. Jogando em Natal contra o ABC, o Flu tinha chances remotas de classificação. Precisariam vencer e contar com uma derrota do CRB na rua Javari.
O problema não era apenas para passar de fase. Nas outras chaves, os penúltimos eram Atlético-GO (8 pontos), Criciúma (12) e Bahia (10). Como segundo pior quinto colocado, o Fluminense estaria rebaixado e apenas uma vitória, somada a um tropeço de Criciúma, Bahia ou Sampaio Correa (quarto do Grupo B e que poderia ser ultrapassado pelos Criciúma), salvaria o clube das Laranjeiras.
O Fluminense não fez nem sua parte. Em um jogo bastante nervoso, o Tricolor não passou de um empate em 1 x 1 com o ABC. Assim, não apenas os cariocas estavam fora da segunda fase, como caíam para a Terceira Divisão, feito até então inédito para um clube que já foi campeão brasileiro.
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Pauta sugerida por Ulisses Álvares.
Ubiratan Leal
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