O Milan está em crise técnica. O time não se encontra no Campeonato Italiano e venceu apenas um dos últimos oito jogos. E foi contra o Chievo, time de pior campanha até agora (não é último pelas punições antes da competição). Considerando que os lombardos perderam oito pontos, estão com apenas sete, a duas posições da zona de rebaixamento. É evidente que os rossoneri reagirão, mas já foi suficiente para se falar em uma nova queda para a Serie B. O que, em campo, só ocorreu uma vez.
Na temporada 1981-82, o Milan apareceu na inédita condição de caçula. Dois anos antes, o clube terminou o Campeonato Italiano na terceira posição, mas foi rebaixado pela participação no escândalo do Totonero (veja textos relacionados).

Os rossoneri voltaram após uma temporada na Segundona. Ainda assim, via-se que o Milan estava abalado. A participação na Serie B foi mais sofrida do que o esperado, com a classificação assegurada apenas na penúltima rodada, com uma magra vitória de 1 x 0 sobre o Monza no San Siro. No final, os milanistas terminaram a competição com 50 pontos, contra 48 de Cesena e Genoa e 46 da Lazio.
O problema principal era financeiro. O rebaixamento enfraqueceu as economias do clube, que teve de se desfazer de algumas de suas principais figuras e, ainda assim, continuava com o caixa vazio. O empresário Giuseppe “Giussy” Farina, então proprietário do Vicenza (que acabara de cair para a Serie C1), comprou o Milan com a promessa de iniciar uma nova fase na história rossonera.
Vendo hoje, o time era razoável: Piotti; Tassotti, Battistini, Baresi e Colovatti; Buriani, Maldera, Romano e Novellino; Jordan e Antonelli. Baresi e Tassotti ainda eram garotos que ganhavam espaço, mas Novellino (Walter Novellino, hoje técnico), Maldera, Buriani e Colovatti estavam no time campeão italiano em 1979 e, no caso dos dois últimos, chegaram a defender a Azzurra (Colovatti foi campeão em 1982). O técnico era Luigi “Gigi” Radice.
Nem com essa base, o Milan conseguiu vencer sua desorganização interna. No início do campeonato, três resultados interessantes (0 x 0 com a Udinese em Údine, 0 x 0 com a Fiorentina em Milão e 1 x 0 sobre o Napoli em Nápoles) colocaram os rossoneri na vice-liderança. Mas a derrota em casa para a Juventus na quarta rodada iniciou uma série de resultados negativos da equipe.
Os milanistas ficaram nove rodadas sem vitória. Pior, caíram no clássico contra a Internazionale e tomaram de 3 x 0 do Catanzaro. Na 12ª rodada, o Milan já despencara para a 14º (antepenúltimo), com uma produção ofensiva vexatória: apenas três gols feitos. Duas vitórias (contra Cagliari e Cesena) deram um respiro aos rossoneri, que terminaram o primeiro turno com 12 pontos, na 13ª posição ao lado do Bologna. Ainda assim, o sonho de voltar a Serie A como grande, já lutando pelas primeiras posições, estava distante. A Fiorentina liderava com 22 pontos, contra 21 de Juventus e 20 de Internazionale e Roma (a vitória valia dois pontos).
O segundo turno começou muito mal para o Milan. O time perdeu em casa da Udinese, foi derrotado pela líder Fiorentina na Toscana e caiu para a penúltima posição. Nesse momento, a possibilidade de ser rebaixado – e, dessa vez, por mau desempenho no campo – se tornava mais real. Tanto que Farina decidiu demitir Radice e contratou Italo Galbiati.

A mudança de treinador fez, ao menos, o ataque voltar a funcionar. Nas primeiras quatro partidas, os rossoneri fizeram seis gols, mesmo número das 17 anteriores. A defesa, porém, caiu de rendimento na mesma proporção e a pontuação continuou ruim. Até porque, nos jogos contra Juventus e Internazionale, os milanistas voltaram a perder.
A derrota no dérbi da Lombardia iniciou uma nova fase negra da equipe. O Milan perdeu em casa para Catanzaro e Roma e para o lanterna Como. Duas vitórias em série, contra Genoa e Avellino, deram novo fôlego aos milanistas. A três rodadas do final, a disputa pela salvezza tinha Bologna e Cagliari com 21 pontos, Milan e Genoa com 20 e Como, já rebaixado, com 13. Os três últimos caíam para a Segundona.
Na 28ª rodada, o Milan empatou o confronto direto com o Cagliari e perdeu a oportunidade de sair da zona de rebaixamento. Coisa que o Genoa fez ao vencer o Bologna. O dia decisivo foi 9 de maio, dia da penúltima rodada. O Milan não passou do 0 x 0 em casa contra o Torino e foi para 22 pontos. Cagliari e Genoa venceram e foram para 24, praticamente escapando. O Bologna também mostrou força ao bater a Internazionale. O Milan já não dependia mais de si mesmo. Precisava venceu o Cesena fora de casa e torcer para uma derrota de dois entre Cagliari, Genoa e Bologna.
No intervalo, o Bologna vencia o Ascoli, o Cagliari segurava o 0 x 0 contra a Fiorentina (que lutava pelo título) e o Genoa vencia para o Napoli por 1 x 0. Para piorar, o Milan perdia para o Cesena. A situação milanista ficou ainda pior no início do segundo tempo, quando tomou 2 x 0. Menos mal que o Ascoli havia empatado e o Napoli virara em cima do Genoa.
Na última meia hora de jogo, os rossoneri mostraram incrível poder de reação – o que não ocorrera em todo o campeonato – e viraram o jogo. Por alguns instantes, o Milan estava livre da Serie B pelos confrontos diretos com Bologna e Genoa. Mas, aos 40 minutos do segundo tempo em Nápoles, Faccenda aproveitou uma cobrança de escanteio para fazer o segundo gol do Genoa. O Milan estava rebaixado.
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Veja a classificação final do Campeonato Italiano 19801-82: 1 – Juventus, 46 pontos; 2 – Fiorentina, 45; 3 – Roma, 38; 4 – Internazionale e Napoli, 35; 6 – Ascoli, 32; 7 – Catanzaro, 28; 8 – Avellino, Cesena e Torino, 27; 11 – Udinese, 26; 12 – Cagliari e Genoa, 25; 14 – Milan, 24; 15 – Bologna, 23; 16 – Como, 17.
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A campanha do Milan foi patética. O time venceu sete jogos, empatou dez e perdeu 13. Fez apenas 21 gols (o segundo pior ataque) e sofreu 31.
Ubiratan Leal
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