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16/11/06

Cultura & Mídia

Muito bate-papo, pouca diversidade

Há três semanas, a ESPN Brasil lançou o “Pontapé Inicial”, programa matutino com bate-papo e variedades de esportes. A idéia clara é confrontar o Redação Sportv, que tem formato ligeiramente parecido, apesar de ter um caráter um pouco mais noticioso. Assim, os dois principais canais esportivos do Brasil têm três programas diários de bate-papo informal (“Pontapé Inicial” e “Bate-Bola 1 e 2” na ESPN Brasil, “Redação Sportv, “Arena Sportv” e “Tá na Área” na Sportv), todos em horários parecidos. Bom para preencher a programação, mas fica faltando mais diversidade.

Claro que é melhor ter bate-papos do que ver reprises de programas do dia anterior ou de jogos de três dias antes que já se sabe o resultado. Além disso, é uma solução barata para a emissora, pois exige apenas um estúdio, um apresentador e dois ou três comentaristas prontos para opinar sobre o que vier pela frente.

Em um primeiro momento, o público gosta. É como assistir a uma eterna conversa sobre futebol, o que atende à idéia de que a televisão pode ser chiclete para os olhos. O tom descontraído ajuda a aproximar o telespectador, o que é reforçado com a razoável interatividade que a produção proporciona, com enquetes pela internet e envio de perguntas e opiniões. Tudo ótimo. Mas por um tempo.

É muita gente comentando os mesmos assuntos o tempo todo. Por mais que haja um rodízio entre os participantes de cada programa, é inevitável que o conteúdo se torne parecido. Após dias assistindo à seqüência de três debates de cada canal, percebe-se como as reportagens são as mesmas e as opiniões também.

Em médio prazo, há o risco de o modelo se esgotar. Em bom português, o telespectador ficaria “enjoado”. Assim, não seria uma má idéia se os canais investissem em dar uma cara mais definida para cada um de seus programas de bate-papo. São várias as possibilidades: puramente interativo, de entrevistas com convidados, mais noticioso, trabalhar assuntos mais “frios” (o que gostam de chamar de “revista eletrônica”, termo que o Balípodo não gosta), apenas futebol internacional...

No final das contas, quem se aproxima levemente disso é o terceiro canal de esportes do país: a Band Sports. No caso, não há tantos bate-papo de futebol, e até falta um pouco disso (o Beting & Beting é muito curto). Mas a emissora da Rede Bandeirantes sabe trabalhar debates específicos de outros esportes, como automobilismo, vôlei e basquete. Também é uma possibilidade.

Ubiratan Leal

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