Gonzalo Higuaín nasceu na França há 18 anos, pois seu pai era jogador do Brest. Seis meses depois, a família Higuaín decidiu voltar à Argentina, mas, por questões burocráticas, o garoto foi registrado na França, como cidadão francês. Isso não seria um problema se Gonzalo não fosse uma das principais promessas do River Plate e do futebol argentino, os corintianos que o digam.

O técnico francês Raymond Domenech, que gosta de criar confusão em suas convocações, chamou o atacante para um amistoso contra a Grécia. Certamente ele não conhece o jogador tão bem a ponto de considerá-lo já um integrante da seleção francesa. Mas, claro, com isso ele garantiria a nacionalidade de Higuaín, que não poderia defender mais a Argentina.
Higuaín não aceitou a convocação e a imprensa brasileira já disse que ele preferiu ser argentino. Mas isso não é verdade. O atacante disse que não quer tomar a decisão neste momento e, por isso, não defenderá seleção alguma. Ele prefere, antes, se transferir para o futebol europeu (boatos o colocam em Milan e Real Madrid) e, apenas depois disso, anunciará que seleção poderá contar com seu futebol.
A escolha do jogador é inteligente, apesar de pouco romântica ou patriótica. Em teoria, jogar pela França é melhor do ponto de vista econômico, pois o jogador se torna destaque de uma grande seleção européia. Onde o mercado é maior, a projeção do jogador, também e o mercado publicitário o veria com melhores olhos. Vide o caso Trezeguet, também um franco-argentino.
No entanto, uma eventual falta de adaptação no Velho Continente queimaria suas possibilidades no futebol europeu. Como ocorreu com Saviola, por exemplo. Assim, ele não defenderia mais os bleus e, como teria um amistoso contra a Grécia no currículo, perderia também a possibilidade de reconquistar espaço na Argentina.
O fato de Higuaín dizer que prefere esperar antes de decidir é um sinal de que a França ainda tem boas chances de contar com o atacante no futuro. Bastaria ele confirmar seu potencial na Europa. Uma atitude inteligente e esperta, algo raro no precipitado e apressado mundo do futebol. É só uma pena que, mais uma vez, o romantismo de escolher a seleção pela paixão pessoal fica de lado.
Ubiratan Leal
Imagem: Rio Negro