O empate em 0 x 0 com o Figueirense é encarado como uma vitória corintiana. Não pelo ponto conquistado em Florianópolis, mas por ser o segundo empate dos paulistas depois de ficar com nove jogadores ainda no primeiro tempo. Mas a boa notícia é outra. Com a vitória, o Corinthians iria a 50 pontos, passaria de uma só vez Goiás, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo e Figueirense e entraria na briga por uma vaga na Libertadores. Afinal, o Vasco estaria a quatro pontos e o Paraná, a três. O empate deixou o Corinthians a seis pontos do Vasco e a cinco do Paraná, com quatro clubes pela frente ainda. Tirar a diferença é algo bastante improvável a três rodadas do final do campeonato. Sorte dos corintianos.
Pelo atual momento do clube, apenas o rebaixamento poderia ser mais nocivo que a classificação para a Libertadores. A subida momentânea de um time que era candidato a cair para a Série B para participante de última hora da principal competição da América do Sul criaria uma euforia desmedida no Parque São Jorge, algo que o clube não está preparado para suportar.
Em um primeiro momento, a ida à Libertadores – que matematicamente ainda é possível, por mais que improvável – significaria a absolvição de todos os pecados corintianos na temporada. A parceria com a MSI voltaria a ser vista com bons olhos, os desmandos de Alberto Dualib se transformariam em medidas acertadas de um dirigente experiente e as confusões no elenco seriam consideradas problemas naturais em um grupo de trabalho.
Nesse ambiente de otimismo desmedido, os erros continuariam sendo prática comum. Para insuflar a torcida, a MSI apontaria com reforços de peso que dariam ao time condições de conquistar o continente. Como a verba da empresa anda meio em baixa, viriam jogadores decadentes, acessíveis financeiramente e que dificilmente ajudariam o Corinthians na competição.
Do outro lado, a diretoria do clube tentaria valorizar os garotos que teriam levado o time à Libertadores, como Wilson, Rosinei, Betão, Marcelo e Marcus Vinícius. Os próprios atletas, ao lado de Leão, que ganharia carta branca para trabalhar depois da campanha bem sucedida, se sentiriam responsáveis únicos pela classificação e não aceitariam passivamente interferência ou desvalorização de seus trabalhos.
A torcida, passional como poucas, embarcaria na onda e acreditaria que o título é possível, uma ilusão perto do projeto de clube que há no Parque São Jorge. Uma derrota prematura seria, mais uma vez, vista como tragédia e prenunciaria uma profunda crise.
Para o Corinthians, é muito mais saudável ir com calma. Se a comissão técnica e essa base de garotos que realmente vem jogado bem conseguirem trabalhar com autonomia, longe das brigas entre clube e MSI, é possível ver um Corinthians competitivo. Mas para construir um time em 2007 pensando em algo mais ousado para 2008. E ainda assim é uma projeção otimista.
Se o clube conseguisse manter essa mentalidade mesmo com a classificação para a Libertadores, a participação na competição seria excelente. Os jovens jogariam sem obrigação de vencer e ganhariam experiência internacional. Mas, no Corinthians, inexiste a possibilidade de jogar a Libertadores sem pensar no título. Então, é melhor ficar longe dela por enquanto.
Ubiratan Leal
Imagem: Cristiano Andujar / Figueirense
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Os responsáveis não estavam no gramado