Ver a torcida do Atlético-MG lotar o Mineirão e atingir a melhor média de público dos Campeonatos Brasileiros em 2006 não é de surpreender. O histórico recente mostra que os grandes clubes recebem bastante apoio quando são rebaixados e com o Galo não seria diferente. Até porque a torcida alvinegra já era das mais participativas na Série A. O que difere o caso dos mineiros é que boa parte da boa campanha que o time vem realizando se deve à sua torcida.
Essa observação inicial não visa diminuir os feitos de palmeirenses, botafoguenses (ambos em 2003) e gremistas (2005) quando suas equipes caíram para a Segundona. Tampouco menosprezar o que os tricolores baianos têm feito pelo Bahia. Mas é que todos esses clubes passaram por ajustes estruturais que auxiliaram na recuperação, coisa que o Atlético não fez com o devido cuidado.
Claro que o clube se reorganizou depois do rebaixamento. Nem poderia ser diferente, considerando o estado em que se encontrava no ano passado. O elenco rachara durante o Brasileirão, a diretoria não dava respaldo aos técnicos que passavam e ainda gastava dinheiro sem critério algum. De crise em crise, o Galo despencou na classificação e foi rebaixado.
O início desse Atlético 2006 se deu justamente nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro de 2005. Já desesperado e tentando se agarrar às possibilidades matemáticas que ainda restavam, o clube decidiu deixar de lado “estrelas” que não rendiam, como Rodrigo Fabri, Euller, Fábio Baiano e Evanílson, para dar espaço aos garotos. O time reagiu, não perdeu nas últimas cinco rodadas e, mesmo sem evitar a queda, saiu de campo aplaudido. Foi como se a torcida estivesse indicando à diretoria qual caminho seguir.
O problema é que a direção do clube demorou a entender o recado. A política de contratar jogadores caros sem desempenhos compatíveis com seus salários foi abandonada. Mas, ao invés de intensificar a aposta nos jovens vindos das categorias de base, o Atlético mostrou que continuava sem projeto e passou a contratar e dispensar jogadores em série. Foram mais de trinta apenas em 2006, sendo que muitos deles, como Jamelli e Alberto (ex-Santos e Corinthians), de validade duvidosa.
A estratégia era fazer contratos curtos, de três meses, e ver se o jogador atendia às expectativas nesse período. Caso passasse pela experiência, teria seu vínculo prorrogado. Em uma empresa normal, isso pode até funcionar. Mas, no futebol, o entra e sai prejudica a consolidação do conjunto enquanto o campeonato está em andamento. O Atlético sentiu isso e teve um primeiro semestre instável e pouco convincente, com um futebol sem a confiança necessária para se impor na segunda divisão.
Aí é que está a importância da torcida atleticana. Durante esse tempo todo, ela apoiou o time. Criticou o presidente Ricardo Guimarães, mas sem deixar que esse sentimento contaminasse o apoio aos jogadores, sobretudo os mais jovens. Por pior que fosse o projeto da diretoria atleticana (se é que havia algum), as arquibancadas deram força para a equipe se garantir nos jogos em casa (vale salientar que o time não venceu nenhuma partida fora de casa no primeiro turno). Isso deu tempo para Levir Culpi ajeitar o time e encontrar em Roni um artilheiro fundamental para um campeonato truncado como a Segundona.
Agora, o Atlético-MG embalou. A torcida lota o Mineirão e a equipe já tem a confiança de quem relembrou que é uma potência nacional. Dois itens fundamentais pra qualquer clube grande que está na Série B e pretende voltar rapidamente à elite.

Até a camisa reserva do Atlético-MG tem merecido a primeira divisão
Ubiratan Leal
Imagens: Atlético-MG (torcida) e Futebol Total (Atlético x Guarani)
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