Romário deveria se valorizar mais. Romário não deveria transformar a busca por mil gols em obsessão. Romário deveria ter encerrado a carreira em 2005. Romário não deveria se rebaixar a atuar no Miami, da Segundona dos Estados Unidos, e no Adelaide, da Austrália. Romário nunca deveria aceitar uma negociação tão sem sentido como aquela com o Tupi-MG. Mas Romário fez tudo isso e ainda fica sorrindo com ar insolente e distribuindo frases de efeito. Perfil ideal para entrar na seção de figuraças do Balípodo.

Ao que parece, o torcedor leva Romário mais a sério do que o próprio. Ele pode até exagerar na maneira como tem se diminuído, mas fica evidente que ele faz o que bem entende. Assim, foge do “bom mocismo” e do discurso pseudo-consciente de jogadores veteranos que tanto têm tornado o futebol brasileiro chato e previsível. O que é um mérito do atacante carioca.
Em seu livro “Na Reta de Chegada”, Gerhard Berger (amigo pessoal de Ayrton Senna) disse que Nélson Piquet era tudo o que ele sempre imaginou de um piloto de Fórmula 1, pois vivia em um iate, casado com uma modelo, cultivava uma imagem de bon vivant e não se sentia obrigado a bajular a imprensa. Pode-se dizer que Romário é assim para um jogador de futebol. Se ele se prejudica, é um problema dele. Para o torcedor, fica a coleção de causos engraçados e curiosos.
Ubiratan Leal
Imagem: Miami
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