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« Renato Gaúcho | Página inicial | Muriqui »

5/10/06

Cultura & Mídia

Estadios del Mundo – Deporte & Arquitectura

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Se os clubes brasileiros não dão o devido valor a seus estádios, não seria o mercado editorial que agiria diferente. São raras as publicações de referência nessa área, que é motivo de culto e estudo em vários países europeus. Há livros só sobre tecnologia de estádios, sobre estádios antigos, estádios novos, estádios grandes, estádios pequenos, estádios de clubes amadores, estádios em todo o mundo... E, das tantas obras estrangeiras, uma das mais interessantes é “Estadios del Mundo – Deporte e Arquitetura”, do arquiteto italiano Angelo Spampinato, pois consegue unir o lado futebolístico com o técnico.

Em teoria, o livro é feito por um arquiteto para arquitetos interessados em projetos de arenas esportivas. No entanto, Spampinato foi hábil ao não carregar demais a linguagem técnica e dar apenas as informações essenciais, encontrando o meio-termo entre as exigências de profissionais de arquitetura e a capacidade de compreensão de leigos na área. Mesmo para um brasileiro que ler o livro em espanhol (há também versões em italiano, a original, holandês e francês).

O fato de a obra abordar os detalhes construtivos dos estádios – incluindo até o nome dos arquitetos responsáveis por cada projeto – serve como diferencial, pois são informações raramente encontradas fora do meio técnico. Porém, não foi deixado de lado o aspecto futebolístico. A história de cada arena, com as circunstâncias que levaram à sua construção e eventuais reformas ao longo dos anos, servem como atrativo para o torcedor comum que não tem interesse técnico especial.

Visualmente o livro também é muito feliz. Fotos grandes e bem impressas permitem que o leitor imagine exatamente como é cada estádio. Para os arquitetos, também há desenhos e fotos de detalhes relevantes do ponto de vista técnico. Com tudo isso, é possível fazer um bom retrato de como são alguns dos principais estádios do mundo.

No total, Spampinato – entusiasta do assunto a ponto de criar o site World Stadiums, um dos mais conhecidos nessa área – aborda 90 estádios. A escolha, segundo o autor, é por importância futebolística e arquitetônica. Tanto que não há o princípio, por exemplo, de escolher apenas os mais modernos, os maiores ou os com mais história. É um misto de tudo isso, por mais que os estádios das Copas de 2002 e 2006 e da Euro 2004 tenham bom espaço.

É até uma pena que sejam “apenas” 90 estádios (e mais um projeto do autor para o Catania, clube de sua cidade). Em princípio, pode parecer muito. Mas, por exemplo, apenas Maracanã e Mineirão representam o Brasil na obra. Claro, por simbolizarem o uso de estruturas robustas em concreto armado que predominou no Brasil em meados da década passada.

Isso mostra que a proposta do livro não é ser simplesmente um enorme guia de estádios do mundo. Outras publicações européias já fizeram isso com louvor. A virtude de “Estadios del Mundo” é justamente dar um pouco de profundidade no tratamento de cada uma das arenas. E por isso é uma obra bastante interessante.

Mais informações
“Estadios del Mundo” tem 446 páginas e foi publicado pela editora H Kliczkowski. A versão em italiano se chama “Stadi del mondo – sport & architettura” e foi publicada pela editora Gribaudo. As edições em francês (“Stades du monde – sport & architectuur”) e em holandês (“Voetbal Tempels – Sport & Architecture”) foram lançadas pela Tectum. Todas podem ser encontradas em sites especializados em livros de cada um dos idiomas.

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Veja a lista de estádios abordados pelo livro. A ordem é a mesma da publicação, de acordo com a data de construção ou de reforma significativa: Anfield Road (Liverpool), Hampden Park (Glasgow), Old Trafford (Manchester), Philips (Eindhoven), Highbury (Londres), Rose Bowl (Los Angeles), Wembley (Londres), Colombes (Paris), Wankdorf (Berna), San Siro (Milão), Gerland (Lyon), Olímpic de Montjuïc (Barcelona), Centenário (Montevidéu), Köning Boudewijn (Bruxelas), Artemio Franchi (Florença), Ernst Happel (Viena), Gottlieb Daimler (Stuttgart), Olympiastadion (Berlim), Feyenoord (Roterdã), Råsunda (Solna/Estocolmo), Vélodrome (Marselha), Monumental de Núñez (Buenos Aires), Parc Lescure (Bordeaux), Olynpiastadion (Helsinque), Nacional (Santiago), La Bombonera (Buenos Aires), Santiago Bernabéu (Madri), Valery Lobanovskiy (Kiev), Maracanã (Rio de Janeiro), Olímpico (Roma), Da Luz (Lisboa), Luzhniki (Moscou), Camp Nou (Barcelona), Ullevi (Gotemburgo), Sánchez Pizjuan (Sevilha), Olympic (Tóquio), Flaminio (Roma), Maksimir (Zagreb), Mineirão (Belo Horizonte), Crvena Zvezda (Belgrado), Azteca (Cidade do México), Vicente Calderón (Madri), Olympiastadion (Munique), Parc des Princes (Paris), Westfalen (Dortmund), Olympic (Montreal), Ellis Park (Joanesburgo), Spyros Louis (Atenas), Louis II (Monte Carlo), King Fahd II (Riad), May Day (Pyongyang), Luigi Ferraris (Gênova), Delle Alpi (Turim), San Nicola (Bari), Parken (Copenhague), Amsterdam ArenA (Amsterdã), Shanghai (Xangai), De France (Saint-Denis/Paris), Yokohama International (Yokohama), Gelredome (Arnhem), Telstra (Sydney), La Cartuja (Sevilha), Millenium (Cardiff), Sankt Jakob Park (Basiléia), Niigata (Niigata), Big Eye (Oita), Daegu (Daegu), Sapporo Dome (Sapporo), Arena AufSchalke (Gelsenkirchen), Invesco Field (Denver), Daejon (Daejon), Saitama (Saitama), Guangdong Olympic (Guangzhou), Jeju (Seogwipo), Atatürk Olimpiyat (Istambul), Incheon Munhak (Incheon), Seahawks (Seatle), José de Alvalade (Lisboa), Da Luz (Lisboa), Municipal (Aveiro), Do Dragão (Porto), Magalhães Pessoa (Leiria), Algarve (Faro/Loulé), Municipal (Braga), Abuja (Abuja), Georgios Karaiskakis (Piraeus), Allianz Arena (Munique), AWD Arena (Hanover), Agadir (Agadir) e Dèi Palici (Catânia).

Ubiratan Leal

Imagens: World Stadiums

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