Há pouco, o Atlético-PR causou estranheza com a contratação do veterano goleiro argentino-colombiano Navarro Montoya. Ele tem sido pouco aproveitado pela equipe (fez apenas uma partida como titular no Brasileirão), permanecendo na reserva de Cléber. Ainda assim, o Boca Juniors demonstrou interesse em repatriar o “Mono” (macaco em espanhol, apelido comumente dado na Argentina a goleiros ágeis) com a intenção de “formar grupo” para a Libertadores de 2007. Os que acham esquisita a intenção boquense sequer imaginam como o figura se tornou uma referência histórica em La Bombonera.

Nascido a 26 de fevereiro de 1966 em Medellín, Colômbia, Carlos Fernando Navarro Montoya iniciou sua carreira embaixo das traves no Independiente local, antes de transferir-se para o Vélez Sársfield. Disputou algumas partidas pelo clube do bairro de Liniers antes de chegar ao Boca, em agosto de 1988, para ocupar a vaga deixada por Hugo Gatti, outro folclórico arqueiro boquense. Sua estréia dificilmente seria melhor: 2 x 0 sobre o arquiinimigo River Plate, no Monumental de Núñez. O goleiro ainda foi responsável direto pela conquista da Supercopa de 1989, defendendo a cobrança de Luis Artime na decisão por pênaltis diante do Independiente.
Notabilizou-se desde então por seus uniformes espalhafatosos. Chegou a usar uma camisa com listras verticais pretas e brancas, semelhante à de presidiários em quadrinhos, e outra cujo emblema de patrocinador, um caminhão, foi usado por Rogério Ceni anos depois. Em um superclásico contra o River Plate, defendeu um pênalti cobrado por Hernán Díaz e teve arremessado contra si um pequeno rádio de pilha da tribuna, mas que não o atingiu.
A rixa dele com o Chilavert – outro figuraças – também alimentou as paixões e ódios em torno de Navarro Montoya. Em 1994, o colombiano levou o Premio Olimpia como melhor goleiro da temporada argentina... justo depois que o Chilavert fora campeão do mundo com o Vélez Sársfield. O paraguaio teria sua revanche em 1996. Primeiro, num Vélez 5 x 1 Boca no qual ele fez dois gols, um de falta e outro de pênalti. Daí um cartola do Boca – desafeto de Montoya – sugeriu uma troca de goleiros com o Vélez. O Mono não gostou e disse que “seria como trocar um Mercedes por um Fiat 147”. Chilavert respondeu: “sou um Fiat mas com motor de Fórmula1; ele é um Mercedes ano 1950, sem motor”.
Claro que seu desempenho em campo também ajudava a criar a fama. Elogiado pelo seu senso de colocação e antecipações, Mono ajudou o Boca a quebrar um jejum de onze anos sem campeonatos nacionais em 1992 e estabeleceu o recorde boquense de 824 minutos sem sofrer gols. Além de ser o segundo jogador com mais partidas pelo Boca com 333 partidas, perdendo apenas para o zagueiro Roberto Mouzo (398 jogos).
Nessa época, parte da imprensa argentina sustentava que Navarro Montoya – já naturalizado argentino – seria um bom substituto para Goycochea. Porém, como ele defendera a Colômbia em torneios sub-20, teve a autorização negada pela Fifa. A permissão só veio anos depois, quando já não estava em sua melhor fase. Montoya ainda passou por Hércules-ESP, Extremadura-ESP, Mérida-ESP, Tenerife, Deportes Concepción-CHI, Independiente, Chacarita Juniors e Gimnasia y Esgrima de La Plata.
O curioso é que, mesmo quarentão, ele sempre se diz em “ótima forma” e que “nunca jogou tão bem”. Não foi o que se viu em sua estréia pelo Atlético-PR, o que aumenta ainda mais a mitologia em volta do goleiro.
Diogo Terra
Imagem: Giuliano Gomes / Furacão.com
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