O ser humano tem um prazer mórbido em ver o outro, em bom português, “se ferrar”. Ainda mais se for alguém conhecido perdendo a pose em público. Por isso, a discussão entre Milly Lacombe e Rogério Ceni no Arena Sportv chamou tanto a atenção. Até porque os simpatizantes e desafeto de ambos se motivaram a discutir e defender seu lado preferido. Mas, apesar de ser um caso curioso que ganhou notoriedade com a possibilidade de espalhar o momento pela internet, não há muito o que ir além disso.
Tecnicamente, a jornalista errou. Ela deveria ter medido as palavras para não acusar o jogador de ter cometido um crime. E Rogério até tinha razão em não se explicar quando telefonou. O caso da suposta proposta do Arsenal foi nebuloso e, na época, sujou um pouco a imagem do goleiro no São Paulo (o que hoje está inatingível pelo futebol apresentado e pelo marketing pessoal do jogador). Ainda assim, é preciso ter provas que o documento é falso e que a falsificação foi feita por Rogério para acusá-lo de algo.
O motivo do deslize da jornalista foi facilmente identificável. Durante um programa no estilo mesa redonda, os debatedores muitas vezes agem como se não estivessem diante de câmeras. E comentários legítimos para uma mesa de bar acabam transmitidos em rede nacional. O que é algo muito mais comprometedor.
Lacombe se perdeu nessa informalidade. Com vontade de desfazer um pouco os elogios que o goleiro tem recebido no último ano quando se fala em São Paulo e Copa Libertadores da América, ela decidiu criticá-lo duramente. Desvalorizar sua capacidade técnica é uma questão de opinião, mas ela acabou passando do ponto. O que os próprios colegas de programa perceberam imediatamente.
A reação de Rogério, para o momento, foi aceitável. Mas tentar levar isso adiante é um exagero. Porque, aí, ele ode estar forçando a barra para se vingar de maneira desproporcional de um erro bobo que nem compromete muito o futuro ou a imagem do jogador. Por mais que ele tenha razão jurídica para tentar algo, a própria repercussão do caso (quase toda a favor do goleiro) já foi suficiente para dar razão a ele e expor a jornalista a seus erros.
No final das contas, foi um caso interessante para criar, nas faculdades de jornalismo, um debate sobre os limites dos profissionais de imprensa. Para os demais, valeu pela curiosidade e por ver gente “se ferrar” em público.
Mais informações
O modo mais prático de ver o que ocorreu é pelos vídeos carregados no site Youtube. Nesse link há uma versão resumida bastante útil.
Ubiratan Leal
Imagem: You Tube