Centésimos de segundo antes de Rogério Ceni defender o pênalti de Ramón Morales, o duelo entre São Paulo e Chivas Guadalajara estava claramente pendendo para o lado mexicano. O Rebaño Sagrado suportara a pressão inicial e já encontrava espaço na defesa tricolor, criando duas oportunidades claras de gol até o pênalti de Fabão em Bautista. Menos de 15 minutos depois, o placar estava em 2 x 0 para os paulistas e a classificação dos tapatíos era uma possibilidade apenas matemática.
Foi um sinal de como um “detalhe” (no caso, entre aspas porque o tal “detalhe” foi a defesa de um pênalti) muda todo o rumo de uma partida decisiva de Libertadores. Mais uma prova de como essa competição carrega um forte aspecto psicológico. E que é nesse duelo mental que as partidas se decidem.
Essa é a grande força do São Paulo na Libertadores. Contra o Estudiantes, no Morumbi, o time abusou da soberba e não parecia preparado para encontrar uma resistência qualificada do outro lado. Ainda assim, a maneira como os são-paulinos usam a autoconfiança para criar um jogo intenso e reverter qualquer tendência negativa é notável. E foi assim contra Estudianes e Chivas.
Quando Rogério Ceni defendeu o pênalti de Ramón Morales, o São Paulo se sentiu quase que onipontente. O time, que começava a ser dominado pelos mexicanos, passou a se considerar inquebrável e recuperou a volúpia de seu jogo. A ponto de resolver a semifinal ainda antes do intervalo.
É justamente isso que falta, por exemplo, ao Corinthians. A pressão para conquistar a América do Sul é tão forte que a equipe teme a competição (o que o Internacional, que também sofre com essa cobrança, tem conseguido escapar). E, ao contrário do que ocorre com o São Paulo, os reveses não são transformados em momentos de recuperação, mas como a deixa para o time se desmontar.
Esse fenômeno não é apenas brasileiro. Vale para times de todos os países. Enquanto Cerro Porteño, San Lorenzo e América de Cáli sempre caem por detalhes, Boca Juniors, Olímpia e até Estudiantes sabem onde encontrar forças para se superar e seguir adiante. Por isso a Libertadores é um torneio tão matreiro, difícil, nervoso e apaixonante.
Ubiratan Leal
Imagem: Divulgação / VipComm
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