Em 2003, o Boca Juniors conquistou a Libertadores de maneira incontestável. Na decisão, contra o Santos, considerado melhor time do Brasil na época, os xeneizes venceram duas vezes por 2 x 0 e 3 x 1 e Carlos Tevez se consolidou como estrela do futebol argentino. No final do ano, os boquenses conquistaram o Mundial ao bater o Milan nos pênaltis. E tudo isso poderia ser apenas imaginação se, nas oitavas-de-final, o Paysandu tivesse mantido em Belém a vantagem conquistada após a improvável vitória por 1 x 0 em La Bombonera. O que teria acontecido se, realmente, o Paysandu tivesse eliminado o Boca Juniors na Libertadores de 2003?
A vitória sobre o time argentino colocou o moral do Papão ainda mais em alta. Confiante, o time de Darío Pereyra não teve dificuldades de passar pelo Cobreloa nas quartas-de-final e o América de Cáli nas semifinais. Na decisão, o time de Robgol, Iarley, Vélber e Lecheva enfrentou o Santos de Diego, Robinho, Ricardo Oliveira e Alex. A imprensa brasileira saudou o “duelo de craques” que marcou a primeira final brasileira da história da Libertadores.
No jogo de ida, um Mangueirão lotado viu o Santos abrir o marcador nos primeiros minutos. Tinho e Jorginho falharam e Ricardo Oliveira ficou livre para colocar no canto de Ronaldo. O Santos segurou o resultado até os 39 minutos do primeiro tempo, quando Vélber fez grande jogada e cruzou na cabeça de Robgol.
O empate paraense deixou os santistas tensos. Iarley e Vélber infernizavam a defesa santista e Róbson era uma ameaça constante ao gol de Fábio Costa. Depois de muita pressão, Sandro virou o placar para o Bicolor no início do segundo tempo. Poucos minutos depois, Lecheva encontrou Vélber livre pela direita. O meia avançou e cruzou rasteiro para Iarley fazer o terceiro gol. Aos 45 minutos do segundo tempo, com o Santos aberto e desesperado por um gol de desconto, o reserva Gino avançou desde a defesa e ficou na cara do goleiro santista para completar a vitória do Paysandu por históricos 4 x 1.
O Pará ficou em transe com a possibilidade de ter um time campeão da América. E o Brasil reconhecida a façanha do Paysandu. Darío Pereyra já era visto como um grande estrategista e motivador, Iarley, Lecheva e Vélber eram cotados para a Seleção. A semana que antecedeu a decisão, no Morumbi, foi de muita expectativa e provocações, com os santistas buscando argumentos para motivar a equipe a reverter o placar adverso.
Na partida de volta, o Santos partiu para o ataque desde os primeiros minutos. Porém, Jorginho e Tinho estavam em noite inspirada e anulavam Robinho e Ricardo Oliveira. Diego tentava resolver o jogo sozinho, mas não tinha espaço diante da marcação armada por Darío Pereyra. Diante de um adversário fechado, os paulistas só conseguiram chegar ao gol no final do primeiro tempo, com uma cobrança de falta de longa distância de Alex.
O gol deu ânimo para os santistas na volta do intervalo e, aos 10 minutos, Ricardo Oliveira ampliou a vantagem ao completar, de cabeça cruzamento de Diego. A torcida santista, que estava descrente em relação às possibilidades de seu time passou a apoiar com mais intensidade e o jogo ficou dramático. O Paysandu não escondia mais seu nervosismo e o peso de conquistar uma competição tão importante.
Em um momento de decisão, os craques sobressaem. E foi o que aconteceu. Quando o Santos mais pressionava, Robgol pegou uma bola despretensiosa na intermediária, driblou Paulo Almeida e chutou de longe, no ângulo de Fábio Costa. Belém inteira (quer dizer, a metade Bicolor) explodiu. A cinco minutos do final, Nenê fez o terceiro gol santista e reabriu a partida, mas não havia tempo para impedir o título do Paysandu.
A conquista chamou a atenção dos principais mercados mundiais. Por mais que tivesse interesse em manter a base para disputar o Mundial Interclubes contra o Milan, a diretoria bicolor não resistiu às ofertas. Até porque boa parte dos jogadores já estavam valorizados depois de serem convocados para a seleção brasileira.
Assim, Tinho foi contratado pelo Milan par ao lugar de Roque Júnior. Iarley foi para o Borussia Dortmund, Lecheva foi contratado pelo Lyon, Vanderson pelo Paris Saint-Germain e Vélber foi para o Valencia. Darío Pereyra foi chamado para comandar a seleção uruguaia nas Eliminatórias para a Copa. Apenas o craque do time, Robgol, foi mantido.
Com o time desfeito e a vaga assegurada no Mundial, o segundo semestre foi muito fraco para o Papão. O clube contratou jogadores relativamente baratos, como Jorge Wagner, Preto (conhecido por Preto Casagrande), Aldrovani e o zagueiro Jean, do São Paulo. Para montar o novo time, Givanildo.
O Papão teve grandes problemas no Brasileirão, pois, no entra e sai de jogadores, acabou punido pela CBF com a perda de oito pontos por estar com registros irregulares de jogadores. Assim, a equipe caiu para a zona do rebaixamento e teve de esperar até a penúltima rodada para garantir um lugar na Série A de 2004.
Assim, o Paysandu chegou ao Japão sem confiança e cansado pelas dificuldades do Brasileirão. A expectativa era que procurariam apenas evitar uma goleada diante do Milan. O discurso de Givanildo era prioritariamente motivacional, procurando encontrar no orgulho próprio de seus comandados a força para encarar o campeão europeu.
O Milan buscou se impor desde o começo da partida. Maldini e Costacurta não davam espaço para Robgol e Aldrovani, Pirlo e Seedorf dominavam Sandro e Preto no meio-campo e Shevchenko causava imensas dificuldades a Jean. Os rossoneri só não conseguiam vencer Ronaldo, que realizou três defesas improváveis para manter o 0 x 0 na primeira meia hora de jogo.
Até que a resistência paraense caiu. Aos 38 minutos, Kaká fez jogada driblando pelo meio e atraindo a marcação. Tomasson ficou livre e fez o pivô para a conclusão de Shevchenko.
O gol não mudou a atitude do Paysandu, que mantinha sua atitude despretensiosa e aguerrida. E que deu sorte. Apenas dois minutos depois do gol italiano, Róbson subiu mais que Costacurta em um cruzamento na área e empatou a partida. O Milan se surpreendeu com o gol sofrido e não teve ânimo para fazer algo antes do intervalo.
No segundo tempo, os rossoneri entraram em campo mais decididos e, em apenas 15 minutos, fizeram mais dois gols, com Rui Costa (que entrou no lugar de Kaká) e Pirlo, cobrando falta. A partir daí, o jogo ficou desinteressante, com as duas equipes sem motivação para tentar modificar o placar.
Mesmo com a derrota, os jogadores do Paysandu voltaram a Belém como heróis. Foram recebidos por mais de 30 mil bicolores no aeroporto Val de Cans. Foi um momento derradeiro de glória em uma temporada histórica, mas que não teria continuidade pelas próprias limitações do clube.
Ainda assim, aquela campanha deixou seus rastros. Durante todas as Eliminatórias, Parreira teve de conviver com a pressão de escalar o quadrado mágico da Seleção com Ronaldinho-Kaká-Ronaldo-Robgol. Além disso, a MSI, ao chegar ao Corinthians em 2005, prometeu contratar o herói da Libertadores de 2005. Assim, pagou € 20 milhões para tirar Iarley do Bayern de Munique. A segunda opção da empresa seria Robinho, esquecido no Betis e com valor estimado em € 8 milhões.
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Pauta sugerida por Olavo Soares.
Ubiratan Leal
Obs.: Esse “artigo” é uma obra de ficção e, portanto, não deve ser levado a sério. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associações citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ninguém aqui tem talento para ler mãos, i-ching, tarô, búzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhança com a vida real foi uma grande coincidência.
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