Um dos grandes desafios para os narradores da Copa da Alemanha era pronunciar corretamente o nome do goleiro da Costa Rica. Não que fosse particularmente difícil dizer “Porras”, mas o constrangimento era inevitável e muitos procuraram formas alternativas. Menos Sílvio Luiz, o único que tinha desprendimento suficiente para não apenas falar corretamente, como também para dar mais ênfase. Só de sacanagem.

A maneira de narrar os jogos da Costa Rica não foi um caso isolado. O narrador da Band Sports, um dos únicos que tem coragem de tratar o futebol como uma enorme brincadeira. Tanto que não hesita em jogar conversa fora se uma partida está ruim, ao invés de forçar uma emoção que não existe.
Sua carreira começou na década de 1950, como ator na Rádio São Paulo. Ainda passou por TV Paulista, TV Record, Rádio Bandeirantes, Rádio Guanabara e TV Excelsior antes de ser narrador. Até então, já havia exercido função de produtor, apresentador, repórter e comentarista.
Na década de 1970, faz o curso de arbitragem para conhecer melhor o assunto. Em seguida, decidiu se tornar árbitro de futebol, conseguindo fazer parte do quadro da CBF entre 1978 e 1984. Nesse período, não deixou de ser jornalista, o que alimentou ainda mais o caráter folclórico em torno de si.
Em 1982, ganhou destaque por narrar a Copa do Mundo pela Rádio Record como se fosse na televisão. A idéia era que os torcedores assistissem os jogos na Globo (que detinha a exclusividade no Mundial da Espanha) e ouvissem na rádio. No mesmo ano, como forma de protesto com a direção do futebol brasileiro, se candidatou à presidência da federação paulista. Conseguiu apenas um voto. Três anos depois, fez o mesmo, mas não conseguiu voto algum.
Ubiratan Leal