Ramón Calderón não é um gênio. O novo presidente do Real Madrid integrou a diretoria do ex-dirigente Florentino Pérez, criador da estratégia de fazer uma contratação bombástica em nome do marketing a cada início de temporada e esquecer as necessidades técnicas da equipe. Mas parece que Calderón tem uma capacidade um pouco maior de entender o que um time de futebol precisa para ser competitivo. E, elas primeiras atitudes, parece ir pelo caminho certo.
O grande problema de Pérez é nunca ter efetivamente acreditado na importância de um técnico. Pela boa experiência com Vicente del Bosque, técnico-tampão na administração de Lorenzo Sanz que comandou algumas das principais vitórias recentes do clube de Chamartín, o antigo presidente merengue preferia lotar o elenco de estrelas e colocar um treinador discreto para não atrapalhar. Um fracasso, pois o marketing e o excesso de jogadores em determinadas posições minaram qualquer possibilidade de os blancos concorrerem com um Barcelona de alma rejuvenescida.
Por isso, uma das principais promessas de Calderón durante a campanha eleitoral era um técnico forte. E Fabio Capello era perfeito para o cargo, pois já conhece o clube madrileno, tem força suficiente para encarar um time cheio de estrelas e sabe como montar uma equipe que precisa repensar sua defesa. Ah, claro, e, como comandante da Juventus, ajudaria a trazer alguns dos principais nomes dos bianconeri italianos.

As contratações feitas até agora foram bastante sintomáticas desse processo de renovação. Cannavaro deve dar a segurança que a zaga precisa há tanto tempo, ajudando, inclusive, a burilar o talento de Sergio Ramos. Émerson pode ser o responsável por fazer o “trabalho sujo” de marcação no meio-campo merengue, algo que ninguém faz com eficiência desde a saída de Makélélé.
Duas medidas pontuais que podem balancear mais uma equipe que pendeu muito para o ataque nas últimas três temporadas. A eventual chegada de Van Nistelrooy até parece ir contra essa tendência, mas pode ser um sinal para jogadores como Ronaldo e Raúl, que ainda podem dar algo ao Real Madrid, mas precisam recuperar um futebol que não apresentam há anos.
Considerando que Zidane se aposentou, ficaria faltando apenas um armador nato no meio-campo. Até porque Kaká não sairá do Milan. De qualquer maneira, a Juventus de Capello muitas vezes se virou sem esse homem de criação. O que dá uma boa perspectiva para o Real Madrid. Ainda não é favorito a nada, mas tem totais condições de protagonizar uma emocionante corrida a dois com o Barcelona no Campeonato Espanhol. E ainda se recolocar como uma força na Liga dos Campeões.
Ubiratan Leal
Imagem: Marca