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25/06/06

Copa 2006

México precisa de intercâmbio

Mexico x Argentina 2006.jpg

Depois de bons resultados em competições internacionais como a Copa das Confederações e uma preparação muito mais adequada que a das demais seleções, os mexicanos chegaram à Alemanha como candidatos a surpresa. Uma impressão que caiu por terra após um desempenho apagado na primeira fase, mas que até pareceu fazer sentido com a boa partida dos aztecas contra a Argentina nas oitavas-de-final. Um sinal claro de que o México tem potencial, mas precisa ainda de intercâmbio para conhecer melhor as necessidades de uma competição como a Copa do Mundo.

O que ficou claro na partida deste sábado é que o México jogou bem contra a Argentina – melhor do que muitos esperavam – porque conhecia seu adversário. O Tri sabia quem era cada um do outro lado do campo, em que ritmo era preciso jogar e como encarar o adversário. Tudo porque, para os mexicanos, ter uma equipe argentina pela frente não é novidade. Por mais que os jogadores platinos em campo não seja os mesmos que disputam a Libertadores e a Copa América, a situação parece familiar.

Justamente o que faltou na primeira fase, quando os mexicanos não sabiam como atuar diante de iranianos, angolanos e portugueses. Contra os dois primeiros, o México atuou de maneira insolente, talvez achando que fosse possível ganhar sem se esforçar. Sinal claro de que não conheciam os meandros de uma Copa do Mundo. No jogo contra o time misto de Portugal, os comandados de Ricardo La Volpe pareceram surpresos com o futebol intenso e rápido dos lusitanos e acabaram perdendo.

O Mundial 2006 retratou bem a situação da seleção mexicana, mas isso já fora visto em outras ocasiões, como a Copa de 1994 e 1998. O México tem dificuldade em “encaixar” seu jogo contra seleções européias e, quando conseguem algo, é mais pela raça do que por conseqüência natural do jogo.

O problema do México é ser futebolisticamente fechado. Com uma liga nacional forte, os jogadores aztecas são caros para os padrões europeus. Se fossem como brasileiros ou argentinos, até valeriam o investimento por parte de uma equipe européia, mas não é o caso. Assim, até Paraguai, Colômbia e Uruguai são mercados preferenciais pela barganha que representam.

Com isso, poucos jogadores mexicanos conhecem realmente o futebol de altíssimo nível em seu dia-a-dia. Dos 23 convocados por Ricardo La Volpe, apenas Rafa Márquez (Barcelona), Guille Franco (Villarreal) e Jared Borgetti (Bolton) jogam no Velho Continente. Além desses, o outro “estrangeiro” é Cláudio Suárez, do Chivas USA (Estados Unidos). Dessa maneira, o time mexicano como um todo não sabe em que ritmo se joga nas principais competições do mundo.

Esse fenômeno leva a outro problema: a falta de autoconfiança. Ao se deparar com times cheio de jogadores de destaque internacional, os mexicanos se apequenam, quando nem precisava ser assim.

Isso poderia ser minimizado se fosse contratado um técnico que levasse esse conhecimento ao único país latino da América do Norte. Porém, Com Ricardo La Volpe, Javier Aguirre, Miguel Mejía-Barón ou Manuel Lapuente, fica evidente que a federação mexicana tem a política de buscar soluções caseiras, em treinadores que se destacam na própria liga azteca.

A falta de padrão de jogo do México na Copa 2006 foi uma mostra disso. La Volpe até teve alguns méritos, como lançar alguns jovens, mas o time não tinha padrão tático definido, algo indesculpável para quem teve dois meses de preparação. Pior, não tinha um estilo de jogo que valorizasse as virtudes mexicanas (velocidade, preparo físico e capacidade de improvisação) e escondesse os problemas (falta de porte físico e experiência).

Um grande exemplo disso é Guus Hiddink, que tornou Coréia do Sul e Austrália competitivos apenas por conhecer o cenário internacional e saber como poderia potencializar as características dessas seleções para fortalecê-las. La Volpe ao fez isso no México. E, no fundo, ninguém fez. O time tricolor continua isolado, buscando internamente suas soluções e se valendo, no máximo, do pouco intercâmbio internacional que a evolução dos Estados Unidos e a abertura da América do Sul proporcionam. Ainda é pouco para um país com potencial tão grande.

*

DESTAQUES DE 24 DE JUNHO

Mais

* Klose, Lahm e Ballack – O trio alemão tem provado que reúne condições para colocar jogadores alemães na lista de melhores do mundo.
* Isaksson – Salvou-se no massacre que a Suécia tomou da Alemanha.
* Maxi Rodríguez – Podia até ter feito uma partida horrorosa (e não fez), mas o gol de voleio na prorrogação ficará marcado como um dos lances mais espetaculares da Copa.

Menos

* Ibrahimovic e Larsson – A decantada dupla de ataque da Suécia foi uma caricatura durante toda a Copa.
* Kahn – Lehmann nem tem feito um Mundial brilhante (por falta de necessidade), mas está com sorte e fica difícil contestar a decisão de Klinsmann.
* Preparação mexicana – Para quem ficou dois meses se preparando para a Copa, era de se esperar que, no mínimo, tivesse um preparo físico muito maior para a prorrogação.

*

FICHAS TÉCNICAS DO DIA

Alemanha 2 x 0 Suécia
Oitavas-de-final da Copa do Mundo 2006
Data:
24/06/2006
Estádio: Allianz Arena, em Munique
Público: 66.000 pagantes
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (Brasil)
Alemanha: Lehmann; Friedrich, Metzelder, Mertesacker e Lahm; Schneider, Frings (Kehl), Schweinsteiger (Borowski) e Ballack; Podolski (Neuville) e Klose. T: Jürgen Klinsmann
Suécia: Isaksson; Alexandersson, Mellberg, Lucic e Edman; Linderoth, Källström (Hansson), Jonson (Wilhelmsson) e Ljungberg; Ibrahimovic (Allback) e Larsson. T: Lars Lagerback
Gols: Podolski (4/1º e 11/1º)
Cartões amarelos: Frings, Lucic, Jonson e Allback
Cartão vermelho: Lucic

Argentina 2 x 1 México
Oitavas-de-final da Copa do Mundo 2006
Data:
24/06/2006
Estádio: Zentralstadion, em Leipzig
Público: 43.000 pagantes
Árbitro: Massimo Busacca (Suíça)
Argentina: Abbondanzieri; Scaloni, Ayala, Heinze e Sorín; Mascherano, Cambiasso (Aimar), Maxi Rodríguez e Riquelme; Saviola (Messi) e Crespo (Tevez). T: José Pekerman
México: Oswaldo Sánchez; Castro, Rafa Márquez, Osorio e Salcido; Méndez, Pardo (Torrado), Guardado (Pineda) e Morales (Zinha); Fonseca e Borgetti. T: Ricardo La Volpe
Gols: Márquez (5/1º), Crespo (9/1º) e Maxi Rodríguez (7/1º da prorrogação)

Ubiratan Leal

Imagem: Medio Tiempo

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