Uma das principais marcas da seleção espanhola montada por Luís Aragonés é a homogeneidade técnica de quase todos os convocados. Na equipe, apenas um setor tem pequeno destaque diante dos demais: a marcação no meio-campo, onde sobram volantes de boa qualidade na Espanha. Um detalhe percebido pelo técnico, que valorizou esse setor para montar uma equipe sólida na estréia contra a Ucrânia.
A Espanha entrou em campo em um 4-4-2, com o quarteto de meio-campo formado por três volantes – Marcos Senna, Xavi e Xabi Alonso – e apenas um armador – Luís García. No entanto, o fato de os três marcadores terem boa capacidade técnica na condução da bola e no passe permitia que esses jogadores também se adiantassem, ajudando na armação.
Com isso, a Fúria teve uma solidez impressionante no meio-campo, dividindo em dois o time ucraniano, com os atacantes Shevchenko e Voronin – jogadores mais perigosos da equipe – sem contato com o meio-campo e, por conseqüência, sem acesso à bola. Com o setor ofensivo dissociado do resto da equipe, a Ucrânia não tinha um desafogo e se via diante de uma pressão insuportável dos espanhóis.
Vale dizer que a estratégia do meio-campo da Espanha era compatível com o sistema empregado no ataque. Villa e Fernando Torres se movimentavam constantemente, confundindo a marcação ucraniana. Com a chegada de García e dos volantes no apoio, o jogo espanhol era fluido e envolvente. Os dois primeiros gols saíram em bolas parada (um cabeceio após cobrança de escanteio e um gol de falta), mas isso é apenas um detalhe, pois a vantagem Ibéria surgiria naturalmente nesse cenário.
Do lado da Ucrânia, alguns fatores contribuíram para a derrota. Sem ritmo de jogo, Shevchenko se tornou uma vítima mais fácil da marcação espanhola. Além disso, o fato de a Espanha fazer dois gols em menos de 20 minutos ajudou a minar o moral do time. A expulsão de Vashchuk no lance do terceiro gol ibérico apenas consolidou o desastre ucraniano.
Soa estranho afirmar isso, mas a Espanha protagonizou, ao lado da República Tcheca, uma das melhores atuações de uma seleção na primeira rodada da Copa 2006. Não é suficiente para colocar a equipe entre as favoritas, até porque ainda é notória a falta de força dos espanhóis para os momentos decisivos. Mas foi um início promissor. Ao contrário da Ucrânia, que parece confirmar a expectativa que, com Shevchenko sem totais condições de jogo, não tem muitos argumentos.
Obs.: adaptado de texto originalmente publicado no site Trivela.
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DESTAQUES DE 14 DE JUNHO
Mais
* Marcos Senna: justificou sua naturalização com uma bela partida
* Odonkor: deu mais agressividade à Alemanha e fez a jogada do gol
* Torcida polonesa: soube dar força para um time tecnicamente pífio
Menos
* Ucrânia: com Shevchenko a meia-força, não tem muito a mostrar
* Tunísia e Arábia Saudita: precisavam da vitória para ter boas chances de classificação
* Polônia: nem com sua torcida passando força evitou a segunda derrota da seleção
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FICHAS TÉCNICAS DO DIA
Espanha 4 x 0 Ucrânia
Primeira fase da Copa do Mundo 2006
Data: 14/06/2006
Local: Zentralstadion, em Leipzig
Público: 43.000
Árbitro: Massimo Busacca (Suíça)
Espanha: Casillas, Sergio Ramos, Puyol, Pablo, Pernía; Marcos Senna, Xabi Alonso (Albelda), Xavi e Luís García (Fábregas); Villa (Raúl) e Fernando Torres. T: Luis Aragonés
Ucrânia: Shovkovskyi; Yezerskyi, Rusol, Vashchuk e Nesmachniy; Tymoschuk, Gusev (Shelayev), Gusin (Vorobey) e Rotan (Rebrov); Shevchenko e Voronin. T: Oleg Blokhin
Gols: Xabi Alonso (12/1°), Villa (16/1° e 2/2°) e Fernando Torres (36/2°)
Cartões amarelos: Rusol e Yezerskyi
Cartão vermelho: Vashchuk
Tunísia 2 x 2 Arábia Saudita
Primeira fase da Copa do Mundo 2006
Data: 14/06/2006
Estádio: Allianz Arena, em Munique
Público: 66.000 pessoas
Árbitro: Mark Shield (Austrália)
Tunísia: Boumnijel, Haggui, Trabelsi, Jaidi, Jemmali, Mnari, Bouazizi (Nafti), Chedli (Ghodbane), Namouchi, Jaziri, Chikhaoui (Essediri). T: Roger Lemerre.
Arábia Saudita: Zaid, Dokhi, Tukar, Al Montashari, Sulimani, Al Ghamdi, Noor (Ameen), Khariri, Aziz, Al Temyat (Al Hawsawi), Al Kahtani (Al Jaber). T: Marcos Paquetá
Gols: Jaziri, (22/1°), Al Kahtani (11/2°), Al Jaber (34/2°) e Jaidi (45/2°)
Cartões amarelos: Haggui, Bouazizi, Chedli e Chikhaoui
Alemanha 1 x 0 Polônia
Primeira fase da Copa do Mundo 2006
Data: 14/06/2006
Estádio: Signal Iduna Park, em Dortmund
Público: 65.000
Árbitro: Luis Medina Cantalejo (Espanha)
Alemanha: Lehmann; Friedrich (Odonkor), Mertesacker, Metzelder, Lahm; Frings, Ballack, Schneider, Schweinsteiger (Borowski), Klose e Podolski (Neuville). T: Jürgen Klinsmann
Polônia: Boruc; Bosacki, Baszczynski, Bak, Zewlakow (Dudka); Sobolewski, Krzynowek (Lewandowski), Smolarek, Radomski; Zurawski e Jelen (Brozek). T: Pawel Janas
Gol: Neuville (46/2°)
Cartões amarelos: Ballack, Odonkor, Metzelder, Sobolewski, Krzynowek e Boruc
Cartão vermelho: Sobolewski
Ubiratan Leal