A Alemanha chamou a atenção na estréia. Mostrou autoconfiança inesperada para um time sob pressão e que não vinha encontrando seu caminho. É verdade que a Costa Rica claramente sentiu a responsabilidade de abrir a Copa contra o time da casa, mas os alemães mostraram, com a vitória de 4 x 2, que são candidatos ao título. Pelo menos até segunda ordem. Ainda assim, a seleção que saiu realmente vitoriosa no primeiro dia da Copa foi outra. O Equador não apenas deu um grande passo para a classificação, como mostrou que merece ser olhado com mais carinho.
O Equador ganhou da Polônia porque é melhor. Simplesmente isso. Luis Fernando Suárez montou muito bem seu time, com confiança para encarar uma equipe européia e a torcida de um estádio lotado. Além disso, a equipe deixou para trás o jogo modorrento e acuado dos amistosos de preparação para o Mundial.
Desde o início os equatorianos tocaram a bola e quebraram o ritmo do encontro. Mais fortes fisicamente, os poloneses preferiam um jogo mais rápido para, aí, ter os espaços que seu frágil setor de armação não sabe buscar. Com a partida mais arrastada, os sul-americanos puderam congestionar sua área e impedir qualquer ofensiva eslava. Quando tinham a posse de bola, a Tricolor usava a maior habilidade para criar situações de perigo.
O Equador sabia o que fazia em campo. Mesmo nos momentos em que a Polônia tentou pressionar com mais contundência, os sul-americanos estavam prontos para se fechar. Uma virtude, aliás, que eles provaram ter nos jogos contra Brasil e Argentina nas Eliminatórias.
Esse estilo de jogo desnorteou os poloneses. Tanto que, em muitos momentos da partida, o time eslavo não sabia como agir e acabava se prendendo à formatação inicial, com apenas um homem de referência no ataque e duas linhas de quatro inoperantes.
O segundo gol do Equador foi exemplar para mostrar isso. Os meias tricolores avançaram e encontraram um espaço imenso entre as linhas defensiva e média da Polônia. Dessa maneira, não foi difícil lançar Kaviedes no meio da defesa e confirmar uma vitória exemplar. Em que o Equador jogou melhor não por saber usar a altitude, mas por estar melhor tática e tecnicamente.
Claro que não foi o suficiente para alçar o Equador à condição de favorito a alguma coisa mais relevante neste Mundial. Porém, uma classificação à segunda fase já se aproxima. De qualquer maneira, a forma como os equatorianos se mostraram superiores serve, ao menos, para que se respeite um pouco a capacidade do time tricolor. E para mostrar que, mesmo fora do eixo Brasil-Argentina, o futebol da América do Sul pode encarar o europeu.
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DESTAQUES DE 9 DE JUNHO
Mais
* Lado esquerdo alemão, com Lahm e Schweinsteiger
* Klinsmann, que ganhou um respiro da pressão a que era submetido
* Luis Valencia, organizador do meio-campo do Equador
Menos
* Linha em que se organizaram as defesas de Alemanha e Polônia
* Estado de espírito da Costa Rica, quase catatônica de tanto nervosismo na estréia
* Briguinha Lula x Ronaldo
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FICHAS TÉCNICAS DO DIA
Alemanha 4 x 2 Costa Rica
Abertura da Copa do Mundo de 2006
Data: 09/06/2006
Estádio: Allianz Arena, em Munique
Público: 59.416 pessoas
Árbitro: Horacio Elizondo (Argentina)
Alemanha: Lehmann; Friedrich, Mertesacker, Christoph Metzelder e Lahm; Schneider (Odonkor), Frings, Schweinsteiger e Borowski (Kehl); Podolski e Klose (Neuville). T: Jurgen Klinsmann
Costa Rica: Porras; Marín, Umana, Martínez (Drummond) e González; Fonseca, Solis (Bolaños), Centeno e Sequeira; Gómez (Azofeifa) e Wanchope. T: Alexandre Guimarães
Gols: Lahm (6/1º), Wanchope (12/1º), Klose (17/1º e 16/2º), Wanchope (28/2º) e Frings (42/2º)
Cartão amarelo: Fonseca
Polônia 0 x 2 Equador
Primeira rodada da Copa do Mundo de 2006
Data: 09/06/2006
Estádio: Veltins Arena, em Gelsenkirchen
Público: 66.304
Árbitro: Toru Kamikawa (Japão)
Polônia: Boruc; Jop, Baszczynski, Bak, Zewlakow; Sobolewski (Jelen), Krzynowek (Kosowski), Szynkowiak e Radomski; Zurawski (Brozek) e Smolarek. T: Pawel Janas
Equador: Mora; Hurtado (Guagua), De la Cruz, Reasco e Espinoza; Méndez, Castillo, Valencia e Edwin Tenório; Carlos Tenório (Kaviedes) e Agustín Delgado (Urrutia). T: Luis Fernando Suárez
Gols: Carlos Tenorio (24/1º) e Agustín Delgado (36/2º)
Cartões amarelos: Smolarek, Hurtado e Méndez
Ubiratan Leal