Torneio interno de ping-pong da seleção, como vivem os portugueses na região do lago Lucerna, treino, treino e mais treino. São quase 24 h por dia de alguma reportagem ou mesa redonda falando da preparação do Brasil na Copa. A cobertura que a imprensa tem dado ultrapassou o limite de ser supostamente “completa” para se tornar repetitiva e contra-producente.
O erro é basicamente de mau dimensionamento dos trabalhos em Weggis e na Alemanha. À exceção da Globo, que conta com várias equipes de reportagem e uma linha editorial voltada à exaltação de qualquer coisa ligada à seleção brasileira (ou seja, falar sobre o nada já faz parte do roteiro), os demais veículos sabem que não é possível preencher um noticiário com informações úteis sobre treinos de uma equipe de futebol. A não ser que se preste a um enorme contorcionismo jornalístico para requentar eternamente o mesmo material ou repercutir à exaustão declarações inócuas.
É óbvio que não precisava ser assim. Primeiro, já ajudaria muito se a cobertura dos treinos não se limitasse a relatar as brincadeiras entre os jogadores, mas mostrar o que efetivamente Carlos Alberto Parreira fez, que formação que ele testou, quem foi bem ou que movimentação diferente foi observada. Porque é evidente que o Brasil – como qualquer equipe – tem problemas, o técnico da seleção sabe disso e os treinos servem justamente para buscar reduzir a incidência ou riscos causados por tais defeitos.
Além disso, manter mais de uma equipe de reportagem é um claro exagero. Muito mais útil seria aproveitar a viagem à Europa para descobrir histórias diferentes em outras cidades ou até acompanhar intermitentemente o treino de algumas seleções importantes. Porque quase tudo o que se vê da preparação de Argentina, Alemanha, Itália e Inglaterra, para citar apenas algumas equipes, é um material padronizado fornecido por agências internacionais. As horas dedicadas ao Brasil é desproporcional à quantidade de informações oferecidas e até à importância da seleção em relação a tudo o que gira em torno de um Mundial.
Infelizmente, parece que o princípio é esgotar a seleção brasileira em uma exposição que já não faz mais efeito algum. Qualquer bobagem é alçada à categoria de “bom tema para pauta”, os núcleos de equipes ficam ao lado da seleção, longe dos fatos importantes da organização do evento, fazem-se debates pré e pós-treinos para opinar sobre o óbvio e o público muitas vezes vê algo parecido com a transmissão de crescimento de grama.
Ubiratan Leal
Imagem: Agência CBF