Quando Oscar anunciou a criação da Nossa Liga de Basquetebol, fez questão de mostrar que o plano era ambicioso. Contava com a adesão de quase todos os clubes da elite do basquete brasileiro, a Traffic ficou responsável pela comercialização do torneio e tentou criar ações para chamar a atenção da mídia e, por conseqüência, dos torcedores. Pois a competição chegou ao seu final de maneira melancólica e esvaziada. Fato que mostra como é difícil mudar o sistema do esporte brasileiro e que, por isso, deveria ser olhado com alguma atenção inclusive pelo futebol.
Em teoria, mudar o basquete brasileiro é mais fácil que o futebol. Os interesses econômicos são muito menores e o esporte em si já está em crise no Brasil, o que facilita a divulgação da idéia de que mudanças são necessárias. Além disso, a pressão de imprensa e torcida no inevitável trauma do período de transição seria mais ameno. Até porque dificilmente uma liga novata organizaria um torneio tão capenga quanto o Campeonato Brasileiro de 2004-05 da CBB.

A forma como a NLB foi boicotada ficou bem clara. Assim que o projeto foi lançado, com aparente adesão de praticamente todos os clubes da elite do basquete brasileiro, a CBB começou a mostrar sua força política. Pressionou os clubes “rebeldes”, ameaçando alijar seus jogadores da seleção brasileira e suas equipes de competições continentais. Depois, ratificou o acordo com uma emissora de televisão, acenando com a possibilidade de transmitir alguns jogos em TV aberta para grande audiência (não foi coincidência que tal emissora criou o “mês do basquete” em sua programação de domingos de manhã). Por fim, prometeu rever a divisão de verbas para o campeonato. Além de claro, todas as negociações políticas para convencer os membros da NLB a abandonarem o plano de cisão, usando sobretudo o poder de manobra que comandar uma entidade dá.
Claro que a própria NLB mostrou uma certa imaturidade em alguns momentos. Iniciou seu campeonato sem ter amarrado patrocínios fortes e, depois, foi algo submissa ao deixar seus clubes tentarem jogar o campeonato da CBB. Ou seja, não partiu para um confronto mais agressivo.
A crise do basquete brasileiro ainda não foi concluída, mas o que já se viu serve de exemplo para o futebol. É uma mostra de como, em um país que acertos políticos são mais poderosos que planos bem definidos, é difícil quebrar o sistema. Por isso, por exemplo, que os clubes de futebol são tão submissos à CBF. Desde a Copa União de 1987, raras vezes houve uma real discordância das duas partes. A principal se deu com relação às ligas regionais (Centro-Oeste, Sul-Minas e Nordeste) e o destino foi parecido com o da NLB.
Não é à toa que o Clube dos 13, ao invés de defender a profissionalização do futebol como entidade setorial que é, até já foi usado como laranja para livrar a cara da confederação brasileira na crise do Gama que levou à organização da Copa João Havelange. E, assim, os clubes continuam amadores e sem perspectiva de haver uma revolta em massa que rompa que esse sistema quase coronelista que domina o futebol brasileiro.
Ubiratan Leal
Imagem: NLB