A MLS está longe de ser o campeonato tecnicamente mais forte do mundo. No entanto, a liga começou nesta semana deixando claro a quem quiser ver que está consolidada. Já há uma expansão controlada de equipes, talentos surgindo discretamente e motivação para a construção de estádios próprios para a prática do soccer. O que dá mais corda para a tentadora idéia de unificar futebolisticamente as Américas.
Isso meio que já se ensaiou com a entrada do México na Libertadores, os convites a Estados Unidos, México, Costa Rica e Honduras na Copa América, a presença de Brasil e Colômbia na Copa Ouro e a proposta da criação da Copa Pan-Americana. Porém, não foi nada além de medidas atendendo a necessidades econômicas pontuais. Politicamente, o mais concreto que já houve foi a candidatura de Lennart Johansson à presidência da Fifa em 1998. Na época, o sueco tinha como projeto juntar Concacaf e Conmebol.
Ter uma América só no futebol poderia ser muito positivo se bem trabalhado. É verdade que, em um primeiro momento, os sul-americanos sofreriam com uma queda do nível técnico das competições. México, Estados Unidos e Costa Rica seriam bem-vindos, mas países como São Vicente e Granadinas e Antígua não acrescentariam muito.
De qualquer forma, as competições pan-americanas teriam condições de adotarem formatos como na Europa. Talvez com grupos regionais em níveis menos evoluídos para reduzir gastos em transporte. De qualquer maneira, a disputa de eliminatórias para a Copa América e de fases preliminares para a Libertadores poderia aumentar o nível de exigência extra sobre os países medianos do continente, dando mais ferramentas para crescimento técnico.
Outro ganho seria econômico. Hoje, os Estados Unidos não dão importância às competições da Concacaf, pois têm apenas o México como rival à altura. Os mexicanos fazem ainda pior, pois colocam times reservas na Copa dos Campeões da Concacaf justamente por não verem utilidade no torneio. Eles participam da Libertadores, mas não podem levar seus últimos campeões nacionais – pelo menos não automaticamente, sem que antes se dispute uma repescagem – por um acordo com a Concacaf.
Se os dois países entrassem de verdade na estrutura da América do Sul, teriam motivação extra para jogarem. O que seria bom para os sul-americanos, pois tais torneios seriam mais atraentes para patrocinadores com interesses nos mercados norte-americanos e mexicanos (primeira e terceira maior economia das Américas). Por mais que o público médio dos Estados Unidos ignore o futebol, apenas a possibilidade de atingir os latinos que moram no país já valeria o esforço.
Claro, tudo isso é conjectura. Seria preciso, antes, passar por cima das disputas políticas. Por exemplo, haveria apenas uma confederação continental nas Américas, o que diminuiria pela metade a quantidade de cartolas com cargos na entidade. Além disso, os países pequenos da Concacaf poderiam perder espaço. E, em uma votação, eles têm peso muito grande.
Ubiratan Leal
Imagem: Esmas